Ainda conseguimos nos lembrar do primeiro e inesquecível Jurassic Park. Para quem era aficcionado por dinossauros, foi uma emoção vê-los em vida nos CGIs que revolucionaram as animações por computador na época.
O Mundo Perdido trouxe de volta o espetacular personagem Dr. Ian Malcolm (Jeff Goldblum), revivido por Crichton no segundo filme (quem leu os livros entenderá porque Ian é espetacular e porque o autor o "reviveu").
No terceiro, vimos o retorno do paleontólogo Alan Grant e a apresentação de um novo grande vilão (não sendo, de longe, tão bom quanto os dois anteriores).
E, finalmente, chegamos ao quarto episódio que os grandes fãs esperavam ansiosos. Mas será que o filme foi realmente bom (além do final épico que ele apresentou)?
O enredo proposto do Parque dos Dinossauros ter finalmente dado certo e estar funcionando há vários anos, foi ótimo. Prometia muito. Bem como a inserção de um novo vilão geneticamente modificado (era esperado que fizessem algo do tipo). Até mesmo o fato de Owen (Chris Pratt) conseguir (quase) domar os velociraptors é aceitável. Os efeitos estão fantásticos, bem como a arte dos cenários.
No entanto, mesmo em duas horas de filme, havia muito para ser apresentado: shows aquáticos, passeios em monotrilhos, montaria em dinossauros. Não houve tempo para algo importante em um enredo: os personagens não são realmente carismáticos e nem bem desenvolvidos. O investidor Masrani (Irrfan Khan), por exemplo, poderia ter uma importância bem mais significativa no filme. Os irmãos Gray (Ty Simpkins) e Zach (Nick Robinson), não conseguem transmitir o drama familiar dos pais, que estão se separando. Tampouco o romance entre os protagonistas Owen e Claire (Bryce Dallas Howard) é interessante, não conseguindo nem mesmo ser eficaz em nos fazer acreditar que existe uma "química" entre eles.
O humor, presente em pequenas piadas, faz graça, mas às vezes aparecem em momentos impróprios e não fariam falta se não existissem. Quanto a Hoskins (Vincent D'Onofrio), que possui grandes planos para o uso dos velociraptors como arma militar, um ator do porte de Dwayne Johnson e com aparência e trejeitos militares, por exemplo, seria muito mais apropriado para o papel.
Não limitando ao descaso no desenvolvimento dos personagens, o roteiro falha em diversos outros pontos, como em um momento que um par de óculos de visão noturna (semelhante aos do primeiro filme), em uma área abandonada do primeiro parque, ainda pôde milagrosamente ser ligado. Ou, na mesma sequência, os dois irmãos conseguem fazer um veículo funcionar em pouco tempo, após anos parado.
Não somente isso, presenciamos absurdos, como o fato dos visitantes não possuírem qualquer guia para acompanhá-los nos passeios, ou então não haver uma grande equipe preparada para emergências, sendo necessário, a um dado momento, que o financiador pilote um helicóptero particular para levá-los. E o que dizer do confortável e durável par de sapatos de salto alto de Claire, que fica o tempo todo em seus pés, seja nas instalações do parque, na floresta, em fugas alucinadas e em corridas muito rápidas?
Por fim, algo que também chamou muita atenção, foi o nível de violência apresentado, com cenas no mínimo desnecessárias. É de se chocar a longa cena de morte de uma mulher.
Apesar dos efeitos maravilhosos e da ótima proposta de história, o roteiro foi mal conduzido, com excesso de informações e pouco desenvolvimento dos personagens, sendo possível imaginar diversas formas melhores que uma cena poderia acontecer. A sequência final é de prender a respiração, mas passa longe de segurar a história e superar o primeiro Jurassic Park, ou mesmo os outros dois.