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Ricardo L.
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3.232 críticas
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5,0
Enviada em 21 de outubro de 2020
Uma das obras primas do monstro sagrado Akira Kurosawa, aqui agraciado com a indicação no óscar de melhor diretor, filmes ainda indicado nas categorias de melhor Fotografia, quer talvez merecia sorte melhor, assim vencendo Entre dois amores, direção de arte e saiu vencedor como melhor figurino. Aqui temos um roteiro redondo, com um desenvolvimento de primeiríssima qualidade. Ran é um dos grandes filmes dos anos 80.
Os filmes de Kurosawa são marcados pelas belas fotografias, dramas pesados e muita, muita poesia. Ran está classificado, para mim, como um dos seus três melhores filmes, ao lado de Sonhos e Os 7 Samurais. Baseado na história do Rei Lear de Shakespeare, conta a saga do clã Ichimonji, comandado com mãos de ferro pelo patriarca samurai Hidetora, que aos 70 anos decide se aposentar e transferir para os 3 filhos todo o poder de seus castelos conquistados com muito sangue e batalhas. Porém, as vaidades e o desejo de poder entre os filhos sai do controle e Hidetora vê todas as suas conquistas serem destruídas rapidamente, o que lhe causa a loucura e a total decepção. Um filme para quem gosta do teatro japonês e a força das suas expressões, com diálogos arrastados e paisagens exuberantes.
Kurosawa foi um dos grandes gênios do cinema. Suas obras atravessaram continentes e gerações. Ran(caos) não fica para trás. O único problema é que o filme fica cansativo em alguns pontos, fora isso é um trabalho que beira a perfeição. É baseado na obra Rei Lear, de Shakespeare, mas me arrisco a dizer que ficou melhor do que o próprio Shakespeare projetou. Um filme que deve estar na lista obrigatória de todo amante de cinema.
spoiler: Primeiro filme de Akira Kurosawa que vejo, Ran apresenta a decadência de um antigo senhor samurai (Hidetora) que construiu seus domínios com diversas guerras e espalhando o terror. O filme começa com a decisão do antigo samurai de dividir seus domínios entre seus três filhos. Nesse momento, o terceiro filho é expulso da família após uma discussão, ficando a divisão entre os dois filhos mais velhos.
Logo no começo do filme, pareceu-me que Hidetora não tinha aceitado deixar o poder e se submeter aos seus filhos, que agora eram senhores, e acreditei que o filme caminharia nesse sentido. O que ocorreu foi exatamente o contrário, os filhos é que se acharam senhores de tudo e desprezaram o pai. O filho do meio até atacou e matou o mais velho e dominou seu castelo, depois traiu, atacou e queimou o castelo de seu pai, que enlouqueceu e saiu andando no meio de todo o exército inimigo, numa cena assustadora em que acreditei que esse filho o mataria.
Hidetora não morre, vaga enlouquecido e é encontrado por dois fiéis servidores, que o guardam. Se aqui se faz e aqui se paga, Hidetora paga em vida por seus pecados, seja pela traição de seus dois filhos seja nos momentos em que encontra pessoas que mutilou ou que matou a família.
Algo incrível no filme acontece no momento em que o terceiro filho, que foi rejeitado, retorna para procurar o pai, que o reconhece apesar da loucura e fica imensamente feliz com o reencontro, nos dando algumas cenas que definiriam perfeitamente o que é a felicidade e, logo em seguida, com uma habilidade típica das filmagens orientais, o que é a tristeza.
Violência só gera violência, essa é a mensagem que o filme parece me trazer, demonstrando de maneira brilhante como isso repercute seja no aspecto psicológico do personagem, seja nos fatos de novas guerras e traições.
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