Apesar de Rain Man ser premiado com o Oscar, o filme envelheceu de forma desigual, e algumas decisões criativas incomodam — tanto do ponto de vista narrativo quanto ético.
Um dos momentos mais desconfortáveis do longa é, sem dúvida, a cena em que Suzanna beija Raymond que é um homem autista com grande comprometimento social e emocional. Em vez de gerar empatia, a cena cria constrangimento. É difícil justificar sua presença de forma responsável, principalmente em uma obra que pretende tratar de neurodiversidade com sensibilidade.
Outro problema evidente é o final abrupto e emocionalmente insatisfatório. Depois de toda a jornada entre Charlie e seu irmão Raymond, o desfecho não entrega uma conclusão real. Há um afastamento, sim, mas sem amadurecimento emocional completo ou uma solução minimamente construída. A impressão é de que o filme levanta temas importantes — como família, ganância e neurodiversidade — mas recua no momento de enfrentá-los com profundidade.
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