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Francisco Russo
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687 críticas
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1,5
Enviada em 9 de fevereiro de 2012
Típico novelão americano de fim trágico, superestimado a ponto de ser indicado ao Oscar. E não se irrite por ter contado sobre o final, pois ele é mostrado logo no início. O principal não é exatamente o que acontece, mas sim como acontece e como a situação se desenvolve até seu final. Não que "Casa de Areia e Névoa" seja ruim, pois não é. Mas esperava bem mais de um filme com 3 indicações ao Oscar e que, segundo li em vários lugares, era o que merecia o prêmio de melhor atriz coadjuvante. Puro exagero. Se há alguém que até merecia ser indicado e mesmo assim sem ter vaga garantida, ou seja, dependendo da concorrência, é Ben Kingsley. E só. A atuação de Shohreh Aghdasloo é boa, mas também nada que merecesse uma indicação ao Oscar - e muito menos o posto de favorita. No decorrer do filme várias perguntas surgem em mente: se a personagem de Jennifer Connelly não tem dinheiro para alugar um quarto num hotel, como pode ela encher o tanque do carro a todo instante? Ou comprar bebida e comida? Aliás, como ela conseguia sobreviver se mal trabalhava - há apenas uma cena dela trabalhando, logo no início do filme, e nenhum indício posterior que ela se repetiu depois, mesmo não sendo mostrada? Perguntas sem resposta. E assim transcorre o filme, sem explicações e focando principalmente na luta entre as personagens de Connelly e Kingsley pela posse da casa. Mediano apenas.
Este é um filme extremamente desconfortável para ver, mas que traz a tona simultaneamente incontáveis referências que servem de comparação entre a cultura oriental e ocidental, ressaltando de um lado, a profundidade, a fé, a disciplina e a tentativa de resignação a um mundo desconhecido e; de outro, da irresignação às regras que são criadas pela própria cultura ocidental, a frivolidade e o desapreço à vida humana. Está tudo bem demonstrado no roteiro, criado a partir de uma trama muito simples, mas com retratação espantosamente didática. O ex-militar iraniano Massoud Amir Behrani luta para dar uma vida digna à sua família depois de ter sido obrigado a imigrar para os Estados Unidos. Kathy Nicolo, uma jovem americana que no passado enfrentou problemas com álcool, é abandonada pelo marido e entrega-se à depressão. Por um erro do governo, ela acaba perdendo sua casa, que é comprada por Behrani em um leilão. Ele acredita ter encontrado a oportunidade de se recuperar financeiramente vendendo o imóvel no futuro. Mas Kathy não descansará até recuperar o imóvel e, para isso, contará com a ajuda de Lester Burdon, um policial disposto a tudo para ter o amor dela.
Uma trama que se antecipou ao problema imobiliário que tanto aflige os EUA, "Casa de Areia e Névoa" debate a questão sob vários aspectos: a dona da casa, alcoólatra e sozinha, que recebe o apoio de um policial xenófobo para retomar a casa que foi arrematada em leilão por um militar iraniano. Cada parte procura ter as suas razões. Apesar da cultura diferente, Kathy e a família iraniana conseguem uma certa empatia, nos momentos mais dolorosos. A tensão vai atingindo seu clímax, até o trágico desfecho. Direção inspirada de Vadim Perelman e ótimas atuações de Jennifer Connely e Ben Kingsley, aliados a uma fotografia propositalmente envolta em neblina, formam um conjunto harmonioso.
A casa em questão fica nos subúrbios da cidade de São Francisco, na Califórnia. Ela vai é disputada por sua ex-dona, Kathy (a cada vez mais bela Jennifer Connely), que por ter deixado de pagar os impostos perdeu o direito de propriedade para o município; e, do outro lado, temos a família Behrani: Massoud (Ben Kingsley, o pai), Nadi (Shohreh Agdasloo, a mãe) e Esmail (Jonathan Ahdout, o filho). Os Behrani tiveram de deixar para trás um passado de riqueza e prosperidade no Irã devido a mudanças políticas. Massoud trabalha como mão-de-obra barata numa empreiteira que repara estradas. Ele sabe que para levar o filho aos bancos universitários americanos precisará de dinheiro. Investe, então, o seu dinheiro na compra de uma casa por 1/3 do valor original. A sua idéia era vendê-la posteriormente, e ganhar uma boa soma de dinheiro. No outro canto do "ringue", Kathy, uma ex-alcoolista, que não assimilou a morte do pai e o distanciamento do seu irmão, quer recuperar a herança que custou nada menos que 30 anos de trabalho para o seu progenitor. Na batalha judicial que se inicia, onde todos têm as suas razões, surge um ingrediente novo através do xerife Lester (Ron Eldard). Sua paixão por Kathy é fatal, já que ele decide abandonar um relacionamento sólido com a esposa e os dois filhos. Logo ele, que havia sido abandonado pelo próprio pai, e tinha prometido a si mesmo jamais fazer isso com a sua prole. A questão da paternidade é o ponto nevrálgico do filme. O mérito maior do diretor russo que fez sua estréia nos EUA, Perelman, ir ao centro da alma de personagens que são tão diferentes entre si. O trabalho de fotografia é brilhante, mostrando a costa do pacífico da Califórnia em todo o seu esplendor. Ben Kingsley concorreu ao Oscar de melhor ator por sua atuação neste épico de forte influência shakespeareana, cujo desfecho tende a não ser palatável pelas platéias habituadas a desfechos complacentes.
Uma obra de arte!! Uma impressionante estoria sobre até onde a intransigência do ser humano pode levar. Esse filme é um alerta sutil e poderoso sobre a absoluta intransigência e incapacidade de concenso entre os norte-americanos e os povos do oriente médio. Os personagens de Jennifer Connely e Ron Eldard personificam toda a arrogância; prepotência; abuso de poder; materialismo; racismo e xenofobia da América.Que não mede consequências para conseguir o que quer. Cegos pela ganância e cobiça, são capazes de passar por cima de tudo e todos. Por outro lado o filme tbm aborda a intransigência dos povos islâmicos e sua igual incapacidade de diálogo.Movidos pelo rancor, pelo fanatismo religioso e por um descabido senso de superioridade, são tão agressivos quanto os norte-americanos, sendo capazes das maiores estupidezas em nome de uma honra há muito perdida nas areias dos desertos do Oriente Médio. O policial Lester (Ron Eldard) é a encarnação das forças armadas norte-americanas.Desvirtuado do senso de justiça, ensandecido, sádico e violento e o personagem Esmail (Jonathan Ahdout) é a síntese do fanatismo muçulmano. Aparentemente pacífico, recorre a estupidez da violência piorando o que já estava ruim. Na verdade o filme é sobre a mesquinharia de todos os seres humanos. Mas a crítica sobre a animosidade entre aqueles dois povos é mais do evidente.
Isso sim que é um verdadeiro e emocionante filme. Quem não derrama sequer uma lágrima no rosto? Talvez seja uma pessoa simplesmente oca por dentro. Ben Kingsley é simplesmente magnifico. Não existe nota para esse filmaço, a não ser que exista uma nota maior que um DEZ.
Um drama com personagens complexos, e uma trama bem feita, retrata com naturalidade as diferenças culturais entre os personagens, cada um com sua perspectiva, seus dramas pessoais e a inabilidade dos personagens de compreender as motivações de suas contra partes. Com um desfecho dramático e surpreendente, altamente recomendável para quem aprecia um drama de boa qualidade Nota 3 realmente não faz justiça a qualidade deste filme
Gotei muito do filme, principalmente porque ele mostra uma coisa que só quando amadurecemos somos capazes de enxergar: a razao dos dois lados numa discussão. Cada um com seus argumentos, suas reais justificativas, ou seja, cada um com a razao. Mas, a quem a dar? Filme forte e impactante. Vale a pena conferir!
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