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Ricardo L.
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3.205 críticas
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5,0
Enviada em 17 de junho de 2021
Liv Ullmann protagoniza essa obra prima aclamada até hoje em todo o mundo e colocado como uma das obras mais linda do gênio Bergman que mais uma vez dar um show de direção com muita segurança e qualidade nos enquadramentos. Um filme inesquecível.
Persona: Um filme reflexivo que mexe com o imaginário humano, as atuações são impecáveis e Bergman como sempre procura entender a alma feminina. O convívio entre as duas protagonistas é muito bem retratado e fica patente que uma não vive sem a outra, apesar dos conflitos. Nota: 10.
Louco e confuso,mas não deixa de ser interessante. O filme exala mistério o tempo todo nos mantendo empolgados. A sequência inicial parece aleatória e a princípio confusa,mas no final ela se explica. Confesso que quando vi o menino, a fotografia e a reação da mae,já imaginava o porquê da mudez (só as mães entenderão)e dito e feito. O final parece que está no começo, você não entende nada,mas,talvez tenha entendido.
Filme que trabalha com o psicológico dos personagens, que, em isolamento, lidam com seus demônios interiores. Filme artístico que intenciona provocar o espectador. Para quem busca entretenimento puramente pode não se agradar.
Até que ponto nos reconhecemos como indivíduos? Bergman vai fundo na essência da solidão humana e como seu comportamento pode ser torturante. Clássica película para poucos!!!
O que falar do mestre? Bergman sempre traz para as telas temas existenciais, morte, fé, solidão... Este filme aborda a solidão, o isolamento, que refletia o período que vivia na época em que Bergman era diretor de teatro e passava por algumas crises, e há várias referências ao teatro em Persona, assim é o próprio título. Belo trabalho das atrizes, Liv Ullmann e Bibi Andersson. O filme tem mensagens profundas tratando-se da psique humana, uma obra de arte!
Bergman não filma rostos; ele escava almas. Em *Persona*, a aparente simplicidade da premissa—uma atriz muda (Liv Ullmann) e sua enfermeira (Bibi Andersson) entrelaçadas em um duelo de identidades—esconde uma tempestade metafísica. Como Hitchcock em *Vertigo*, Bergman entende que a obsessão é um espelho quebrado: cada fragmento refrata a luz do desejo e do medo. A cena seminal em que os rostos das duas mulheres se fundem em uma única silhueta não é apenas um truque de montagem; é um manifesto visual sobre a liquefação do eu. Ullmann, com seus olhos que parecem engolir a tela, personifica o vazio existencial que Sartre descreveu como "a náusea", enquanto Andersson, em sua verbosidade desesperada, evoca a ansiedade de Shakespeare: "Cheia de som e fúria, significando nada".
A economia narrativa aqui é tanto virtude quanto armadilha. Bergman, como Tarkovsky em *O Espelho*, rejeita a linearidade em favor de um fluxo onírico, onde o subtexto é a própria trama. A enfermeira confessa um aborto em um monólogo que é menos revelação do que ritual—uma oferenda à deusa silenciosa que ela criou. A câmera de Sven Nykvist persegue os poros da pele, as gotas de suor, como se a verdade residisse não nas palavras, mas na carne. Contudo, há momentos em que o simbolismo beira o didatismo: a sequência do projetor queimando, com suas imagens de unhas cravadas e olhos estáticos, parece gritar o que o resto do filme sussurra com elegância. A crítica social, embora sutil, ecoa na dinâmica entre as protagonistas. A enfermeira, representante do pragmatismo burguês, tenta "curar" a artista—um ser que, como observou Woolf em *Mrs. Dalloway*, habita um universo paralelo onde a loucura é a única resposta à banalidade. Bergman, porém, não toma partido; ele expõe a violência mútua da dependência. Quando a enfermeira rouba a carta de Alma, não é um ato de traição, mas de parasitismo existencial: ela precisa do silêncio de Elisabet para justificar seu próprio ruído. As limitações do filme residem na mesma ousadia que o define. A recusa em oferecer respostas—herdada do teatro do absurdo de Beckett—pode frustrar tanto quanto fascinar. A cena final, com a câmera recuando para revelar o estúdio de filmagem, quebra a quarta parede com a frieza de um Brecht, mas arrisca reduzir a experiência a um exercício intelectual. Bergman, porém, sabe que a genialidade está na ambiguidade. Como Kubrick em *2001*, ele nos deixa na beirada do abismo, contemplando nosso reflexo nas águas turvas do inconsciente.
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