Este drama que trata do preconceito de cor deve ser visto com o coração e com o olhar da época, início da década de 60, quando foi filmado.
Há grandiosidade nesta obra, por tratar de um tema tão espinhento, com um ator de prestígio, Gregory Peck (ganhou o Oscar de Melhor Ator por este filme) dando vida a Atticus, um advogado que defende um negro que foi acusado injustamente de estupro por uma mulher branca.
É intencional grande parte da ação ser vista como pano de fundo, valorizando mais a relação deste advogado viúvo e seus filhos, Jem de 12 anos e Scout, sua filha de 6 anos, dando grande destaque para a visão destas crianças sobre os acontecimentos. É através do olhar subjetivo delas, ingênuo, que acompanhamos o desenrolar da trama, simples, cruel, sem grandes reviravoltas, mas preciso, competente e atemporal.
O personagem de Peck é um homem justo, a frente do seu tempo, exemplo de cidadania e paternidade. Seu discurso de defesa na cena do tribunal é maravilhoso. As crianças, com brilho próprio, são críveis em suas performances, passando a sensação de serem pessoas reais, não atores. A atriz que interpreta a Scout foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz coadjuvante pelo papel.
Com um roteiro cheio de nuances, é difícil expô-las todas aqui e não ser extremante dissertativo, e mesmo que o fizesse, ainda sim não seria capaz de fazer justiça ao que vi. Se puderem assistir ao filme, entenderão o que quero dizer. Está disponível no Netflix. Uma coisa é certa, não é um filme a ser esquecido.
Curiosidade. Em 2011 foi lançado um documentário sobre o livro que o filme se baseou, chama-se Hey, Boo: Harper Lee & To Kill a Mockingbird.
Outra curiosidade. Está em #84º entre os 250 melhores filmes segundo o site IMDB.
Nota do público: 8.4 (IMDB)
Nota dos críticos: 92%(Rotten Tomatoes)