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4,5
Enviada em 27 de novembro de 2020
Excluindo todos os clichês de fantasia e tendo uma abordagem mais cotidiana, está linda animação sobre independência feminina e busca de identidade é simplesmente INCRÍVEL!
Sinopse: Por ordem de sua mãe, Kiki parte para um aprendizado de um ano, acompanhada por seu gato preto. A um comando de sua vassoura mágica, ela vai parar na charmosa cidadezinha de Moreoastal. Infelizmente, os hotéis locais não aceitam bruxas e a polícia a flagra fazendo algumas travessuras.
Crítica: O filme "O Serviço de Entregas da Kiki", dirigido por Hayao Miyazaki, é uma encantadora obra de animação que oferece uma abordagem sensível e tocante sobre a adolescência e a busca por identidade. Embora a premissa gire em torno da magia e das bruxas, é nas nuances da experiência humana que a película realmente brilha.
A jornada de Kiki em busca de independência ressoa de forma forte, especialmente no contexto do crescimento pessoal e das expectativas sociais enfrentadas pelos jovens. Ao partir de casa em busca de autodescoberta e amadurecimento, Kiki personifica os dilemas da juventude: o desejo de se afirmar e, ao mesmo tempo, os medos e inseguranças que surgem nesse processo. A forma como ela lidará com desafios como a aceitação, o trabalho e a amizade reflete os altos e baixos da vida real.
Visualmente, o filme é um deleite. O estilo artístico de Miyazaki, com suas paisagens vibrantes e personagens bem desenvolvidos, transporta o espectador para um mundo onde a fantasia se entrelaça com a realidade. A cidade de Moreoastal, com seu charme e peculiaridades, se torna quase um personagem à parte, enriquecendo a narrativa de Kiki com seu ambiente acolhedor e, por vezes, desafiador.
A relação de Kiki com seu gato Jiji também é um ponto alto da narrativa. O balanço entre a leveza e a profundidade existente nas interações deles traz um toque especial e permite que o público se conecte emocionalmente com a protagonista. A amizade entre eles simboliza a necessidade de apoio e compreensão, algo essencial na transição para a vida adulta.
No entanto, a película também apresenta seus desafios. As dificuldades que Kiki enfrenta em sua nova cidade, como a discriminação e a solidão, podem ser vistas como uma metáfora para as barreiras que muitos jovens encontram ao tentar se estabelecer. Embora a história transmita uma mensagem otimista sobre a superação, alguns momentos podem parecer apressados, deixando questões importantes sem a devida exploração.
Além disso, enquanto a narrativa se concentra em Kiki e suas experiências, algumas personagens secundárias carecem de desenvolvimento, o que pode resultar em uma sensação de superficialidade nas interações. A rica tapeçaria de relacionamentos poderia ser ainda mais aprofundada, proporcionando uma visão mais ampla dos desafios coletivos enfrentados pela juventude.
Em termos de mensagem, "O Serviço de Entregas da Kiki" é um lembrete poderoso sobre a importância de acreditar em si mesmo diante das adversidades. A resiliência e a determinação de Kiki oferecem inspiração aos espectadores, jovens e adultos, mostrando que, mesmo em momentos de dúvida, é possível encontrar o caminho certo.
Em suma, o filme de Miyazaki é um delicado mosaico que, embora tenha seus pontos a serem aprimorados, consegue tocar o coração do público. Ele oferece uma reflexão sobre o crescimento, amizade e a busca pela identidade, solidificando seu lugar como um clássico da animação que continua a ressoar gerações após sua estreia.
Os serviços de entrega da Kiki, quarto filme produzido pelo Studio Ghibli, baseado na série homônima de Eiko Kadono e sob a direção de Hayao Miyazaki, narra a jornada da jovem bruxa Kiki e seu gatinho Jiji na cidade grande, onde ela faz serviço de entregas. O filme retrata, de forma leve e humorada, a emancipação feminina através de uma jovem bruxa japonesa. A jornada de Kiki acontece por conta de uma tradição de bruxas na qual, ao completarem 13 anos, elas têm de fazer uma viagem sozinhas. Assim, a bruxinha e seu gato Jiji deixam a família e escolhem a cidade portuária de Koriko como seu novo lar. Porém, ela não é acolhida da maneira mais amigável e acaba por se sentir só. Prestes a desistir de Koriko, ela recebe acolhimento de Usono, padeira local. Usono não é a primeira mulher na trama a estender a mão à Kiki. Durante toda sua solitária jornada em um lugar estranho, outras personagens femininas aparecem e percebemos uma bonita atmosfera de sororidade. Kiki, apesar de muito jovem – 13 anos !!-, se mostra muito independente, determinada, ousada e madura. Essas e outras qualidades vão se desenvolvendo a cada experiência vivida por conta das entregas. A personagem é exposta a perigos, desencontros e aventuras que a tornam cada vez mais esperta diante da vida. O curioso no filme é que, ainda que ela tenha pessoas próximas em seu cotidiano, ela lida com todas as adversidades só. Talvez seja uma artimanha do autor para tornar a heroína mais forte e marcante. Um ponto a se atentar é a sensibilidade do diretor em mostrar as descobertas da vida juvenil, desde começar uma amizade até descobrir o amor. E um “plus”, muito recorrente em produções do estúdio Ghibli, é o cenário paisagístico de Koriko: há um misto do bucólico com o moderno que traz conforto e é um oásis aos olhos do expectador. Vale ressaltar, ainda, que o enredo trata-se muito mais de uma viagem pessoal de autoconhecimento e amadurecimento que de bruxaria em si. O treinamento de Kiki, em se tornar uma exímia bruxa, fica em segundo plano boa parte da história. O filme é para todos os públicos, mas, certamente, o público feminino irá se identificar bastante com essa bruxinha destemida e encantadora.
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