Um Maluco no Golfe 2 é o típico filme de comédia do Adam Sandler — o que pode ser bom, mas também pode resultar em um fiasco. Este filme fica no meio-termo. Não dá para considerá-lo o pior da carreira do ator, pois existem produções bem mais fracas, mas também está longe de ser o melhor, já que Sandler já provou que sabe entregar bons filmes — quando quer. Ainda assim, como sequência, ele consegue superar o filme original, o que, sinceramente, não parece uma tarefa tão difícil.
A continuação até traz certa renovação na trama, abordando novas pautas e temas, mas sofre com piadas repetitivas e participações especiais em excesso, que acabam desviando o foco. A nostalgia dos anos 90 está presente, com a assinatura clássica de Sandler, e isso sustenta parte do humor. Mesmo sem se destacar, o filme se beneficia da base já estabelecida pelo original.
O longa é dirigido por Kyle Newacheck (Workaholics), com Adam Sandler assinando o roteiro ao lado de Tim Herlihy, parceiro frequente em outros projetos como Pixels, Gente Grande 2, A Herança de Mr. Deeds e O Paizão. Produzido pela Netflix — com quem o ator mantém contrato —, o filme recebeu sinal verde em 2024, mas teve o roteiro alterado após o falecimento do ator Carl Weathers, que participou do longa original de 1996.
Após algumas comédias que não agradaram tanto, Sandler parece encontrar aqui um equilíbrio entre sua marca registrada e um humor mais aceitável — algo que tem se mostrado nos seus últimos trabalhos. Temos piadas já conhecidas do ator, que ele faz questão de repetir em quase todos os filmes. Algumas ainda funcionam, graças à forma como são inseridas na trama, mas outras já soam excessivamente repetitivas e previsíveis, perdendo espontaneidade e timing.
É notável como Sandler se sente à vontade nesse tipo de filme. Não há aqui uma atuação memorável — como já vimos em seus papéis dramáticos —, mas o próprio longa não exige isso. O que se pede é um desempenho mais físico e o domínio do tempo cômico, o que ele ainda demonstra ter. Mesmo que nem todas as cenas funcionem, isso se deve mais ao roteiro do que à performance do ator.
Um fator que não pode passar despercebido são as participações especiais. Sandler, já conhecido por incluir amigos e familiares em seus filmes, leva isso a um novo patamar aqui — e nem sempre para melhor. O excesso de participações acaba comprometendo o ritmo e a fluidez da história. Ainda assim, algumas presenças, como a de Bad Bunny, funcionam bem e rendem as cenas mais engraçadas do longa.
O roteiro é previsível, e, sinceramente, não dava para esperar muito mais. Um Maluco no Golfe 2 funciona como uma homenagem ao filme dos anos 90, apostando fortemente no fator nostalgia. No entanto, boa parte dessa homenagem se limita a flashbacks do original, que mais parecem uma forma didática de relembrar quem são os personagens e suas relações. Isso, somado a uma conclusão longa demais que tenta forçar um lado emocional pouco desenvolvido no primeiro ato, acaba comprometendo o ritmo — especialmente no arco final, que pode soar cansativo.
Um Maluco no Golfe 2 entrega exatamente o que se espera de uma comédia do Adam Sandler para a Netflix. Para quem gostou do filme original e curte o estilo do ator, a sequência pode agradar. Mas, para quem esperava uma comédia mais dinâmica e com camadas emocionais — explorando temas como luto, envelhecimento e legado, como Sandler já fez em outros trabalhos —, o filme pode parecer cansativo, vazio e repleto de piadas sem graça. Ainda assim, dentro da proposta e se apoiando no material original, considero que esta sequência consegue sim superar o primeiro filme. Especialmente porque, quando parte de ideias originais, Sandler costuma entregar comédias mais genéricas dentro de sua extensa filmografia.