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Assistido em 2026. Fiquei na duvida se era filme ou documentário. Algumas coisas ali eram encenação, tinha um roteiro. Algumas cenas se percebia. Mas na maioria do filme vi que as imagens e as pessoas eram reais como a feira na cidade, a extração de madeira, e até as prostitutas. A Iracema tentou atuar mas nao era atriz, nao sei se ela era de fato prostituta ou só atuou para este filme. O unico que me pareceu ator era o motorista. Vejo de forma positiva como um registro histórico de como o Brasil era na época das filmagens com relação à transamazonica, às vestimentas, as estradas. 2,5.
spoiler:
Documentário de 1976 (1974), fala também sobre a grilagem de terras na região da transamazônica, do desmatamento, etc
O filme inteiro fiquei me perguntando se era ficção mesmo, é muito natural. É muito triste, triste ver a vida de Iracema e, a realidade de Transamazônica que o filme retrata.
Triste saber que tantas pessoas viveram/vivem situações como essa... É realmente chocante, um relato não tão distante de uma realidade dura.
Acho o filme absolutamente fascinante pela maneira de misturar ficção e documentário a ponto de que se torna às vezes difícil de saber onde uma se para e a outra começa. A viagem da Iracema e de Tião serve sobretudo de fio condutor para fazer aparecer uma Amazônia bem afastada de um discurso oficial de progresso levado pela ditadura militar. Acho comovente o contraste entre Tiao, que incarna, com o sobrenome dele mesmo, de Brasil Grande, o otimismo ao redor do desenvolvimento e da Transamazônia, e as imagens que a câmera placa constantemente em frente de nós, a pobreza, exploração dos trabalhadores, prostituição, incêndios e desmatamento. O filme quase nunca precisa de explicar explicitamente a crítica política porque a realidade gravada basta contradizer o discurso. Acho muito forte a trajetória da Iracema, cuja degradação progressiva parece acompanhar aquela do território ele mesmo, o corpo, como a Amazônia é atravessada, usada e abandonada por aqueles que continuam seu caminho. A escolha do nome dela toma uma dimensão particularmente potente porque ela deturpa a imagem romântica e idealizada de Iracema associada ao nascimento da nação para mostrar uma jovem mulher marginalizada pelo Brasil moderno. A imagem rugosa, os diálogos improvisados e as pessoas reais encontradas na estrada dão enfim ao filme uma força documental extraordinária. Saber que ele tinha sido gravado em 1974 e proibido durante numerosos anos dá essas imagens ainda mais impressionantes, em frente ao poder que queria mostrar um país em pleno desenvolvimento, os realizadores têm simplesmente dirigido a câmera para o que esse desenvolvimento deixa atrás dele.
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