Se o cinema fosse uma competição de constrangimento público, 'A Lista da Minha Vida' certamente estaria no pódio, coroado com um troféu reluzente de completa incompetência narrativa. Não se engane: este filme não é apenas ruim; é um espetáculo deprimente de más escolhas, tanto no roteiro quanto na execução. Desde os primeiros minutos, a obra já demonstra um talento inato para desperdiçar qualquer centelha de promessa que poderia ter.
A premissa até pareceu intrigante: uma jovem decidindo realizar seus maiores desejos após receber uma notícia devastadora. Mas se você acha que isso vai desaguar em uma jornada emocionante ou minimamente coerente, prepare-se para uma decepção monumental. A protagonista não apenas falha em conquistar simpatia como também se revela um poço sem fundo de atitudes irritantes e decisões questionáveis. Ao invés de evoluir como personagem, ela retrocede como ser humano, e cada escolha que faz é um convite ao espectador para revirar os olhos em desespero.
E então temos a mãe dela, cuja única função dramática parece ser intensificar nossa antipatia pelo filme. Trair o marido poderia ter sido explorado com alguma complexidade emocional, talvez com nuances que fizessem o público refletir. Mas não. A escolha é simplesmente jogada na tela com a sutileza de um tijolo na vidraça, como se dissesse: 'Aceite isso, porque não temos tempo nem talento para desenvolver melhor.' A sensação que fica é que o roteiro não quer que nos importemos com ninguém, muito menos com essa família que rivaliza com um buraco negro em termos de empatia.
A direção também não ajuda. As cenas são tão desarticuladas que é difícil distinguir se estamos assistindo a um drama, uma comédia involuntária ou um vídeo caseiro de gosto duvidoso. Os diálogos, em vez de transmitir alguma emoção genuína, parecem saídos diretamente de um gerador automático de frases genéricas e sem alma. Nada soa autêntico, nada cativa, e, ao final, resta apenas um vazio profundo e a sensação de que sua própria lista de arrependimentos acaba de ganhar um novo item: ter assistido a esta catástrofe cinematográfica.
Se 'A Lista da Minha Vida' fosse uma pessoa, ela seria aquela que monopoliza a conversa com histórias enfadonhas e ainda espera um aplauso de reconhecimento pela mediocridade. É difícil acreditar que alguém realmente achou que essa combinação de roteiro pobre, personagens irritantes e ausência total de propósito daria certo. Uma obra que começa como promessa e termina como ameaça ao bom senso do público.
No fim, a única coisa que resta a fazer é riscar o filme da sua lista pessoal e torcer para que, algum dia, o cinema se recupere do impacto desse desastre.