Um filme poético, que trata de questões sensíveis como a vida, a morte, a dor da separação e o amor, de forma original e lúdica. O filme me tocou profundamente, talvez pela forma muito suave como a história se desenvolve, às vezes até nos fazendo sorrir. Os personagens tem um arco muito bem construído, despertando um envolvimento e um interesse crescente com o destino daquelas pessoas. É um filme reflexivo, que alguns podem achar lento, mas que nos propõe uma pausa na correria nossa de cada dia, nessa existência quase mecânica que nos impede de viver mais plenamente os momentos mais simples da vida, proposta que é reforçada com algumas cenas em Tokyo. A virada no final é realmente uma excelente inflexão, o uso da metalinguagem é feita de forma realmente muito sensível e inteligente. Meu único senão em relação ao filme é muito pessoal. Acho que o diretor perdeu a oportunidade de fazer um filme irretocável ao sublinhar a dimensão espiritual do seu filme. Para uma pessoa não religiosa como eu, a perspectiva do sonho e do que há de mais profundo em nossas mentes, nossos medos, desejos e necessidades, deixaria o filme mais aberto à diferentes interpretações e crenças. De todo modo, é um filme que sem dúvida alguma vale a pena assistir.