A Última Showgirl
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Ravi Oliveira
Ravi Oliveira

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3,5
Enviada em 20 de março de 2025
Sinopse:
Shelley, uma dançarina que precisa planejar seu futuro após encerrar sua carreira de forma abrupta após 30 anos de exibição nos palcos.

Crítica:
"The Last Showgirl" é um filme que explora a história de Shelley, uma dançarina em Las Vegas após três décadas nos palcos. Dirigido por Gia Coppola, o longa se aprofunda nas experiências e desafios das mulheres no mundo do entretenimento, especialmente quando enfrentam o envelhecimento e a reinvenção pessoal.

Pamela Anderson, como Shelley, oferece uma performance sincera que ressoa com a realidade das mulheres que lutam para encontrar seu lugar no mundo. Sua atuação é acompanhada por coadjuvantes como Jamie Lee Curtis e Dave Bautista, que enriquecem a trama com suas interpretações. Cada personagem traz uma perspectiva única sobre a vida e os dilemas que acompanham a profissão.

A cinematografia do filme é um dos seus pontos altos. As imagens capturam a essência do glamour de Las Vegas, contrastando com a crueza da vida que Shelley enfrenta. A trilha sonora também desempenha um papel importante, criando uma atmosfera que complementa a narrativa e evoca nostalgia.

Os temas do empoderamento feminino e da luta pela dignidade são centrais em "The Last Showgirl". O filme chama a atenção para a importância de reinventar-se em face das adversidades. A jornada de Shelley é um reflexo das muitas mulheres que trabalham na indústria do entretenimento e que lidam com pressões sociais e pessoais.

O ritmo da narrativa é envolvente, alternando entre momentos de reflexão e cena dramática. Essa mistura mantém o público interessado, permitindo uma conexão emocional mais profunda com a protagonista e suas experiências. As transições na história são suaves, levando o espectador a se identificar com a trajetória de Shelley.

Em suma, "The Last Showgirl" aborda questões pertinentes sobre a identidade feminina e a luta por valorização no contexto do espetáculo. O filme é um convite à reflexão sobre os caminhos da vida e a beleza da reinvenção. Com performances destacadas e uma narrativa sensível.
NerdCall
NerdCall

46 seguidores 405 críticas Seguir usuário

3,0
Enviada em 16 de setembro de 2025
Quando um filme surge com a promessa de resgatar a carreira de uma estrela que já brilhou intensamente em outras épocas, sempre há uma dose de expectativa. A Última Showgirl chega exatamente nesse ponto: não apenas por marcar o retorno de Pamela Anderson a papéis de maior destaque, mas também por carregar o nome de Gia Coppola na direção, o que por si só já atrai olhares curiosos. E o resultado é um drama melancólico, intimista e visualmente encantador, mas que nem sempre consegue transformar suas boas ideias em algo realmente profundo.

A trama acompanha Shelby (Pamela Anderson), uma dançarina de Las Vegas que, aos 50 anos, vê sua carreira encerrar de forma abrupta após décadas dedicadas aos palcos. Cresceu em meio ao brilho e ao sacrifício, mas agora precisa lidar com o vazio de não saber o que fazer depois. Como se não bastasse, há também o peso da maternidade, já que sua filha, muitas vezes negligenciada em nome da vida artística da mãe, exige dela um esforço tardio de reconciliação. É um enredo que mistura reflexões sobre envelhecimento, identidade, ambição e escolhas pessoais — e que conversa diretamente com a própria trajetória pública de Anderson, transformando sua presença em algo quase metalinguístico.

O grande destaque é mesmo Pamela Anderson. Ela entrega uma atuação contida, dolorosa e, em muitos momentos, surpreendente. Anderson consegue transmitir tanto a altivez de quem viveu décadas sob os holofotes quanto a fragilidade de alguém que teme ser esquecida depois de tanto esforço. É, sem dúvida, o trabalho mais maduro de sua carreira, e não à toa rendeu elogios calorosos desde sua estreia no Festival de Toronto, além de indicações importantes como o Globo de Ouro de 2024. Por mais que se questione se essa é “a melhor atuação” de uma carreira que sempre foi marcada mais pela imagem do que pela interpretação, é inegável que Anderson se entrega de corpo e alma ao papel, carregando o filme com uma força inesperada.

Jamie Lee Curtis aparece em menor tempo de tela, mas sua presença é essencial para dar certo respiro à narrativa. Enquanto Anderson mergulha na melancolia, Curtis traz os momentos mais leves e dinâmicos, sem nunca destoar da proposta. É justamente nesse contraste que o filme encontra um equilíbrio mínimo, já que o roteiro de Kate Gersten aposta quase sempre no tom pesado e contemplativo. Billie Lourd também cumpre bem seu papel, mas é ofuscada pela força da protagonista.

Tecnicamente, A Última Showgirl é um espetáculo à parte. A fotografia constrói um ambiente nostálgico, ora frio, ora iluminado pelo brilho dos palcos, refletindo o contraste entre a glória e a solidão. Gia Coppola tem o mérito de mostrar uma Las Vegas diferente: não aquela dos turistas deslumbrados, mas sim a cidade dos bastidores, das pessoas que fazem a engrenagem girar e que quase nunca recebem atenção. Esse olhar poderia ter sido ainda mais explorado, porque abre um espaço riquíssimo de crítica social, mas acaba ficando apenas na superfície.

Os figurinos são exuberantes, mas em contraste com a paleta de cores frias, reforçam a dualidade entre o espetáculo e a decadência pessoal. A trilha sonora também cumpre papel importante, especialmente com a canção final, Beautiful That Way, interpretada por Miley Cyrus. Ela dá ao desfecho um tom agridoce, ampliando a sensação de despedida e reforçando o caráter intimista da obra.

O problema central do filme está no excesso de melancolia. Coppola e Gersten parecem tão determinadas a sublinhar a frieza da vida após os holofotes que acabam sacrificando parte da conexão com o público. O espectador é conduzido a uma sucessão de reflexões existenciais, mas sem a profundidade necessária para que essas questões sejam realmente transformadoras. O roteiro aponta para temas muito interessantes — envelhecimento, o preço da ambição, a dificuldade de equilibrar carreira e vida pessoal —, mas prefere apenas sugeri-los em vez de explorá-los a fundo. Isso gera a sensação de vazio: o filme quer emocionar pela tristeza, mas nem sempre sustenta esse peso com camadas narrativas consistentes.

Há, portanto, um descompasso entre a proposta e o resultado. O espectador se vê diante de um drama que tem momentos de grande impacto visual e atuações marcantes, mas que insiste em permanecer em um registro monocórdico. É como se o filme tivesse medo de abrir espaço para outras tonalidades de emoção. Coppola tem uma direção segura, mas por vezes exagera na insistência de manter tudo em um tom sóbrio, quase glacial, o que acaba deixando a experiência arrastada. O público se vê admirando a beleza estética, mas distante de uma real conexão emocional.

Essa contradição — entre a força temática e a superficialidade na execução — é o que define A Última Showgirl. Ele tem todos os elementos para ser um grande estudo sobre mulheres que envelhecem em um meio obcecado pela juventude, mas prefere se encerrar em sua própria atmosfera triste, sem expandir a discussão. A melancolia, que poderia ser um caminho poético e poderoso, se transforma em excesso, tornando-se um obstáculo.

Ainda assim, seria injusto dizer que o filme fracassa. Ele cumpre bem a função de marcar o retorno de Pamela Anderson em um papel digno, entrega uma experiência estética memorável e mostra uma Gia Coppola em amadurecimento artístico. O que falta é justamente o aprofundamento: transformar as boas ideias em algo que vá além da superfície, que dialogue com o público em nível emocional e não apenas contemplativo.

Em resumo, A Última Showgirl é um drama competente, visualmente belo e com atuações que merecem destaque, mas que se perde na insistência em manter-se preso à melancolia. Pamela Anderson brilha como nunca, Gia Coppola mostra evolução, e o filme, apesar de suas falhas, deixa a sensação de que poderia ter sido muito mais do que um retrato bonito da solidão. É um trabalho que fascina pela forma, mas que escorrega no conteúdo — e que, talvez, seja lembrado mais como o renascimento artístico de Pamela Anderson do que como uma grande obra em si.
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