O Cativo
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3,5
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Luiz Cappellano
Luiz Cappellano

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5,0
Enviada em 26 de janeiro de 2026
Assisti o filme O CATIVO, que é apaixonante, prendendo a atenção do espectador da primeira à última cena.
Das várias perguntas que se sucedem ao final do filme, a primeira é que tanto na história que Cervantes conta ao Paxá (título otomano para governadores e generais) quanto no seu próprio desfecho, há uma ambiguidade. Ele realmente teve escolha? O seu relacionamento amoroso com Hassan Veneziano (ou Hassan Paxá que foi um renegado veneziano que serviu como regente da Regência de Argel em dois mandatos,1577-1580 e 1582-1587) foi fruto das contingências, da necessidade de sobrevivência, ou de atração e afeto legítimo? Ele foi tão coagido pelos padres que vieram "resgatá-lo" quanto estava sendo pelo seu captor ou de fato ele desejava retornar à Espanha?
Lembrando o caso dos escravizados brasileiros, que por serem "pertences" (propriedade) dos seus senhores eram inclusive obrigados a servi-los sexualmente, cito a síndrome de Estocolmo, que é uma resposta psicológica na qual vítimas de sequestro, abuso ou situações de intenso medo desenvolvem laços emocionais, empatia ou sentimentos amorosos pelos seus agressores. É considerada uma estratégia inconsciente de sobrevivência, onde a vítima racionaliza as agressões, sente gratidão por favores mínimos e pode até defender o algoz.
Não temos, portanto, como saber até que ponto havia atração pelo seu belíssimo e sedutor senhor, ou até que ponto havia apenas a necessidade de sobreviver, não ser morto ou mutilado, como ele viu acontecer com inúmeros dos seus companheiros.
Uma coisa, porém, é certa em relação a este filme: se for historicamente correto que os homossexuais (aqui chamados "mancebos") gozavam de toda esta "liberalidade" mediante os preceitos islâmicos, pelo menos em Argel, então o local estava anos luz à frente da Europa, onde os "sodomitas", como sabemos, ardiam nas fogueiras da inquisição, especialmente na Espanha natal de Cervantes. Tenho motivos para pensar em uma certa dose de "licença poética" do cineasta, apesar de saber que no mundo muçulmano havia eunucos, estes sim, completamente deslocados do papel masculino, despojados de qualquer virilidade. No filme não são apresentados eunucos.
Ainda sobre a Inquisição, a figura mais detestável e abjeta do filme é exatamente o padre Blanco (Fernado Tejero) do Santo Ofício, que usa de todos os métodos, até os mais heterodoxos (como a mentira e a dissimulação) para perseguir e tentar condenar Cervantes, por puro ciúmes, já que ele é quem desejava secretamente envolver-se sexualmente com o belo Paxá.
Paulo SergioMC
Paulo SergioMC

4 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 14 de fevereiro de 2026
Ótima narrativa com brilhante ideia de mostrar a diferença entre a realidade e a história contada pelo personagem pelo seu braço ferido ou perfeito já história contada. Vale muito a pena, muito bem elaborado.
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