Conversar sobre morte tornou-se inadequado desde que esta deixou de fazer parte da vida, quando a medicina abandonou o objetivo de curar para garantir sobrevivência humana a qualquer preço, não importa se você vai ser um vegetal cheio de dores que os médicos não podem perceber; o importante é sobreviver como se qualidade de vida fosse um mero detalhe. Aí a morte pertence a Deus e todo mundo se acha no direito de garantir que seu último suspiro ocorra sem piedade, seu sofrimento é uma vontade divina que não pode ser questionada. Este filme é magnífico e coloca a morte no patamar que lhe cabe: ser a opção do dono de sua vida, do indivíduo e de ninguém mais.
Não sei se tem que ser cinéfilo profissional ou um poeta drogado pra dar 5 estrelas pra esse filme ! Realmente trás questões que nos fazem refletir , mas só O final é decepcionante e não explica nada , enfim , filme regular pra baixo
A fotografia é belíssima, destacando-se a cena da Tilda na espreguiçadeira, como uma pintura do Hopper. Demais! E a trilha sonora de Alberto Iglesias que acompanha o filme é sensacional, parecendo, às vezes, um filme do Hitchcock. Por fim, a história é bem interessante, a referência a "Os vivos e os mortos" dá o tom do filme a partir da estadia na casa de campo e as atrizes estão muito bem. Erro, a meu ver: o personagem raso, idiota e infantil do John Turturro, totalmente dispensável para o enredo. O saldo final é positivo sim, vale a pena diante de tanta porcaria por aí.
Acabo de assistir o mais novo filme do Almodóvar: “Quarto ao lado” e um conjunto de sensações passa pela cabeça, afinal, é um dos diretores que mais me deixa inquieto e reflexivo. Dessa vez, não diferente, temos um filme que consegue captar um tema sensível, simplesmente na maestria de Almodóvar, trata da finitude da vida humana.
Controverso, o tema da eutanásia é apresentado de forma poética e profunda. A fotografia é um show à parte e o elenco conta com atuação impecável de Tilda Swinton e Julianne Moore, além do ator John Turturro.
Único aspecto que necessariamente não é algo negativo, mas causa estranhamento e ausência, o fato de o filme não ter sido gravado na Espanha. Almodóvar é tão ícone do castelhano que um filme gravado nos EUA com elenco não falantes do espanhol gera um certo vazio e artificialidade, talvez isso seja algo da minha expectativa e não necessariamente um problema do filme.
Super recomendo assistir. Não é o melhor filme do Almodóvar, mas sem dúvida é uma produção muito especial, importante e madura.
Esse filme é lindo demais! E não falo apenas sobre a estética repleta de cores dos filmes do Almodóvar, mas de toda a história, com reflexões interessantes sobre a vida e a morte. Filme leve, sem apelações sexuais como a maioria dos filmes atuais. As atrizes estão perfeitas, como sempre.
Um filme que fala sobre a esperança-ou falta dela- e que preza pelos diálogos cíveis entre as personagens, passando anos-luz do melodrama barato. Juliane Moore , mais uma vez, está estupenda em um personagem cheio de camadas. Tilda Swinton, com seu olhar soturno, entrega uma atuação magistral. Algumas informações foram esquecidas no roteiro, como por exemplo uma abordagem maior sobre a personagem de Juliane. Por ser uma adaptação, talvez a obra original contenha mais detalhes. De toda forma, o filme consegue entreter e cumpre de forma espetacular a sua premissa.
O Quarto ao Lado (2024), de Pedro Almodóvar, marca sua estreia em um longa totalmente em inglês, abordando o tema controverso da eutanásia com a sensibilidade que caracteriza sua obra. Adaptado do romance "O Que Você Está Enfrentando", de Sigrid Nunez, o filme explora a relação entre duas amigas de longa data, Ingrid (Julianne Moore) e Martha (Tilda Swinton), que se reconectam em meio à gravidade do câncer terminal de Martha.
Ao decidir passar seus últimos dias em uma casa isolada, Martha revela um pedido perturbador: deseja que Ingrid esteja ao lado enquanto realiza sua eutanásia. O filme se aprofunda nesse dilema emocional, enquanto aborda questões como o avanço da extrema-direita, a crise ambiental e um pessimismo latente sobre o futuro.
Com uma trilha de Alberto Iglesias que evoca Douglas Sirk e uma direção de arte impecável, Almodóvar cria um universo intimista que contrasta com a dureza do tema. As atuações impecáveis de Moore e Swinton são o coração da obra, trazendo intensidade e humanidade a cada cena. Apesar de alguns flashbacks no início parecerem dispersos, o foco na dinâmica entre as protagonistas transforma o filme em uma experiência poderosa e tocante.
Vencedor do Leão de Ouro em Veneza, O Quarto ao Lado reafirma a habilidade de Almodóvar em transformar temas difíceis em narrativas profundamente emocionantes e visualmente deslumbrantes.
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