Hugh Grant em uma das suas melhores atuações. As irmãs também não deixam a desejar.
Grant, interpretado Mr. Reed, vê as religiões como sistemas feitos, basicamente, pra controlar e manipular as pessoas. Pra tentar provar isso, ele faz uma espécie de experimento com as missionárias mórmons, a Paxton e a Barnes. Coloca as duas em situações bem extremas, tentando mostrar que a fé delas pode ser usada como uma forma de controle.
O monólogo de Mr. Reed e suas analogias, primordialmente a respeito do Monopoly, onde faz uma comparação bem provocadora. Ele diz que o Cristianismo seria tipo uma continuação do Judaísmo, e que o Mormonismo veio depois, como uma nova versão do Cristianismo. Pra ele, essas religiões são basicamente “relançamentos” de tradições antigas, mas que foram perdendo partes importantes com o tempo.
Ele até usa um exemplo curioso: compara o Mormonismo a uma edição especial do jogo Monopoly, tipo o "Monopoly: Edição Bob Ross". É uma versão diferente, com uma cara nova e mais comercial, mas que se afasta bastante da ideia original, ou seja, assim como o jogo original foi alterado e reconfigurado para atender a novos temas e públicos, as religiões também sofreram mudanças ao longo do tempo, frequentemente se distanciando de seus propósitos iniciais.
Durante essa fala, o Mr. Reed também questiona se a fé das missionárias é mesmo uma escolha consciente. Segundo ele, elas foram ensinadas a acreditar naquilo desde pequenas, então, na real, nem estão escolhendo de verdade. Pra ele, isso mostra como as religiões podem influenciar e controlar as pessoas sem que elas percebam.
A atuação do Hugh Grant como Mr. Reed é super marcante — intensa e cheia de nuances. Ele consegue provocar o público a pensar sobre fé, tradição e o quanto somos moldados pela cultura ao nosso redor.
Quanto ao desfecho, apesar da dupla interpretação, que é valida, os momentos que antecedem a cena final ficou muito inverossímil. O filme levanta várias questões e deixa a gente refletindo sobre de onde vêm, de verdade, as nossas crenças.