Média
2,4
3 notas
5
0 crítica
4
0 crítica
3
0 crítica
2
1 crítica
1
1 crítica
0
0 crítica
Organizar por
Filtrar por:
Tudo
Que filme ruim. Confuso e sem explicações. Seria um amor platônico? Uma relação tóxica? Não entendi ainda... o que salva é a trilha sonora e os lindos figurinos. Qual a relação com o sagrado? Também não dá pra entender.
Fui assistir a Mother Mary esperando uma desconstrução autêntica da indústria pop e dos bastidores da fama, mas encontrei uma obra de dualidades extremas. No filme, uma estética impecável entra em guerra constante com um roteiro hermético e exaustivo. Visualmente, o projeto é arrebatador, mas de forma propositalmente sufocante. O diretor de fotografia e o design de produção utilizam cenários confinados, iluminação saturada e enquadramentos milimétricos para criar uma claustrofobia que espelha a psique fraturada de quem vive para a performance, o que acaba gerando um cansaço sensorial no espectador. Por outro lado, o som é o grande acerto: a trilha sonora (de Charli xcx e Jack Antonoff) dita a força vital da história, criando um contraste brilhante entre as batidas densas dos shows e o silêncio sepulcral dos bastidores.
O grande pilar de sustentação do longa está em suas atrizes. Anne Hathaway entrega uma performance hipnótica, fugindo das caricaturas e encarnando com perfeição uma estrela pop dilacerada pelo trauma. Michaela Coel funciona como o contrapeso ideal, injetando uma amargura cortante e feroz na pele da estilista Sam. A química entre as duas é inegável, mas acaba sendo duramente sabotada pelo texto. O roteiro afasta o espectador ao focar no extremo narcisismo de Mary e na hostilidade gratuita de Sam, dificultando qualquer criação de vínculo afetivo ou empatia. Para piorar, a artificialidade domina o texto: as personagens raramente conversam como pessoas reais, limitando-se a declamar monólogos pretensiosos e repletos de metáforas obscuras que matam a emoção orgânica da trama.
Tematicamente, o filme promete desconstruir o estrelato, mas entrega apenas observações datadas e estereótipos exaustos sobre manipulação e solidão. A tentativa de Lowery de flertar com o terror e o misticismo no meio da trama soa como uma colagem desajeitada, que apenas distrai e quebra o ritmo do embate psicológico que vinha sendo construído. Quando o clímax finalmente se aproxima, a narrativa perde completamente o controle. O embate torna-se estridente e arrastado, culminando em um encerramento covarde. Após horas criando tensão, o roteiro recusa uma resolução catártica e foge pela porta dos fundos de um "final aberto" disfarçado de poesia visual, deixando quem assiste com perguntas ignoradas e sensação de tempo perdido.
No fim das contas, Mother Mary cobra um preço alto de quem está na poltrona, revelando-se um exercício onde o estilo frequentemente esmaga a substância. No entanto, como a arte é subjetiva, o distanciamento que me incomodou pode muito bem soar como uma alegoria brilhante para outras pessoas. A intensidade puramente sensorial e o peso assombroso das atuações de Hathaway e Coel justificam a ida ao cinema, desde que você encare a obra com as expectativas devidamente ajustadas para as falhas e a letargia do roteiro.
O grande pilar de sustentação do longa está em suas atrizes. Anne Hathaway entrega uma performance hipnótica, fugindo das caricaturas e encarnando com perfeição uma estrela pop dilacerada pelo trauma. Michaela Coel funciona como o contrapeso ideal, injetando uma amargura cortante e feroz na pele da estilista Sam. A química entre as duas é inegável, mas acaba sendo duramente sabotada pelo texto. O roteiro afasta o espectador ao focar no extremo narcisismo de Mary e na hostilidade gratuita de Sam, dificultando qualquer criação de vínculo afetivo ou empatia. Para piorar, a artificialidade domina o texto: as personagens raramente conversam como pessoas reais, limitando-se a declamar monólogos pretensiosos e repletos de metáforas obscuras que matam a emoção orgânica da trama.
Tematicamente, o filme promete desconstruir o estrelato, mas entrega apenas observações datadas e estereótipos exaustos sobre manipulação e solidão. A tentativa de Lowery de flertar com o terror e o misticismo no meio da trama soa como uma colagem desajeitada, que apenas distrai e quebra o ritmo do embate psicológico que vinha sendo construído. Quando o clímax finalmente se aproxima, a narrativa perde completamente o controle. O embate torna-se estridente e arrastado, culminando em um encerramento covarde. Após horas criando tensão, o roteiro recusa uma resolução catártica e foge pela porta dos fundos de um "final aberto" disfarçado de poesia visual, deixando quem assiste com perguntas ignoradas e sensação de tempo perdido.
No fim das contas, Mother Mary cobra um preço alto de quem está na poltrona, revelando-se um exercício onde o estilo frequentemente esmaga a substância. No entanto, como a arte é subjetiva, o distanciamento que me incomodou pode muito bem soar como uma alegoria brilhante para outras pessoas. A intensidade puramente sensorial e o peso assombroso das atuações de Hathaway e Coel justificam a ida ao cinema, desde que você encare a obra com as expectativas devidamente ajustadas para as falhas e a letargia do roteiro.
- As últimas críticas do AdoroCinema
- Melhores filmes
- Melhores filmes de acordo a imprensa