Quem diria, né? 2025 e o terror virou praticamente o salvador oficial do cinema. Tipo, enquanto metade de Hollywood tá reciclando franquia até virar pó (cof cof Blumhouse e seus jumpscares de R$1,99), surge um Zach Cregger todo confiante e entrega A Hora do Mal.
Esse mesmo Zach já tinha feito barulho com Noites Brutais, mas agora parece que subiu de fase no jogo. O cara amadureceu, cuidou da estética, teve ambição de produção e ainda fez os estúdios tretarem pelo roteiro. Respeita.
E olha que não foi fácil: greve em Hollywood, perda de elenco (até Pedro Pascal caiu fora ). Mas Cregger fez o famoso se vira nos 30, reescalou geral, chamou Julia Garner e Josh Brolin e ainda transformou a treta em vitória. Lendário.
O mais legal? O filme foge do “terror preguiçoso” que a gente tá acostumado. Nada de cenário único, susto barato e bicho feio pulando do nada. Aqui é vibe atmosférica: o medo vem do silêncio, do que a gente não vê, do que só tá sugerido. E logo no começo, já dropa a bomba: 17 crianças somem ao mesmo tempo, às 2h17 da madrugada. Simples, mas perturbador, e do jeitinho que prende.
A narrativa é quase um joguinho de replay com plot twist: as cenas se repetem, mas sempre com um ponto de vista novo. Você acha que entendeu? Boom, vem outro ângulo e desmonta tudo. É tensão constante, sem pressa pra dar resposta mastigada.
Tecnicamente? Tá na régua. Fotografia noturna linda, som que alterna silêncio absoluto e ruído desconfortável (que deixa o espectador igual gato assustado). E quando vem o susto, esquece jump scare tosco: é cirúrgico, preciso, e justamente por ser raro, funciona muito mais.
O final? Olha, ele não quis bancar o polêmico dessa vez. Nada de “ame ou odeie”, mas sim algo mais seguro e satisfatório. Talvez pudesse aprofundar a mitologia, mas como o clímax foi intenso e coeso, não dá nem pra reclamar muito.
E ainda tem subtexto, porque é claro: pais ausentes, sociedade desesperada por culpados rápidos, gente tentando racionalizar o irracional. Mas tudo isso sem quebrar o ritmo. Só achei que o personagem do Josh Brolin podia ter tido mais camadas, ia render um chororô coletivo fácil.
Resumo geral: Cregger mostrou que terror não precisa ser bagaceira pra funcionar. A Hora do Mal entrega originalidade, reflexão e ainda consegue ser puro entretenimento. Ao lado de Pecadores, tá entre os melhores do ano.
E se a Sony realmente deixar esse homem comandar o reboot de Resident Evil, espero que joguem dinheiro e liberdade nele, porque se depender de A Hora do Mal, ele já provou que sabe transformar o terror em cinema de verdade.