Mauricio de Sousa: O Filme
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NerdCall
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41 seguidores 397 críticas Seguir usuário

3,0
Enviada em 5 de outubro de 2025
Título: “Carismática e nostálgica, mas apressada e limitada, que emociona sem fazer jus à grandiosidade” - Nota 6

Mauricio de Sousa é um dos maiores nomes da cultura brasileira. Criador da Turma da Mônica, ele moldou gerações e se tornou parte essencial do imaginário nacional. Não à toa, sua cinebiografia era inevitável. Mauricio de Sousa: O Filme, dirigido por Pedro Vasconcelos e escrito em parceria com Paulo Cursino, chega justamente nesse momento em que o cinema brasileiro tem investido cada vez mais em histórias de figuras marcantes do país. Mas se o longa é carregado de respeito, emoção e carisma, também tropeça em escolhas narrativas que comprometem o resultado final.

O primeiro ponto que chama atenção é a ambição. A proposta do filme é revisitar cerca de 40 anos da vida de Mauricio em pouco menos de duas horas. É aí que mora um dos maiores problemas: condensar décadas de história em um tempo tão curto. O resultado é uma narrativa que corre demais, pula etapas importantes e nem sempre consegue transmitir o impacto emocional que a trajetória do quadrinista merece. Muitas cinebiografias recentes têm optado por recortar apenas uma fase marcante da vida de seus retratados justamente para evitar essa armadilha. Aqui, a tentativa de abraçar tudo acaba deixando de lado partes que o público mais esperava ver — como o processo criativo detalhado da Turma da Mônica e a consolidação da MSP.

Apesar disso, não dá para negar que o longa exala carinho. A escolha de colocar Mauro Sousa, filho de Mauricio, interpretando o próprio pai em cena é um acerto carregado de emoção. Mauro, com sua experiência no teatro, traz uma presença sensível e verdadeira. Já Diego Laumar, que vive o Mauricio mais jovem, entrega uma atuação encantadora, daquelas que deixam claro o surgimento de um talento promissor. Ambos são o coração do filme e conseguem segurar a narrativa mesmo quando o roteiro se perde em saltos temporais ou diálogos expositivos.

O elenco de apoio também tem seus momentos. Tathi Lopes brilha nas passagens cômicas e dá frescor à trama, enquanto Elizabeth Savala se destaca em uma participação que dá peso e afeto às relações familiares. No entanto, nem todos os coadjuvantes conseguem sustentar o mesmo nível, e quando a narrativa depende desses personagens para avançar, o filme perde intensidade.

Outro ponto que merece destaque — e crítica — é a decisão de Pedro Vasconcelos de filmar quase todo o longa com a câmera estática. Em entrevistas, o diretor explicou que a escolha foi proposital: a ideia era criar a sensação de estar folheando uma revista em quadrinhos, como se cada cena fosse um quadro fixo. A proposta é interessante no papel, mas na prática acaba prejudicando o ritmo. O recurso gera uma sensação de imobilidade, de superficialidade, e coloca sobre os atores um peso ainda maior, já que todo o dinamismo da cena precisa vir deles. Quando isso funciona, a cena ganha força; quando não, o resultado é uma estética que lembra produções de baixo orçamento.

Essa decisão se conecta com outra escolha problemática: o uso quase constante da narração. Se nos quadrinhos a voz narrativa nos guia pela história, no cinema esse recurso pode soar preguiçoso quando substitui a construção visual. Em vários momentos, a narração funciona mais como um remendo para costurar buracos do roteiro, revelando a dificuldade de condensar tantos acontecimentos em tão pouco tempo. Em vez de mostrar o impacto de certos episódios, o filme opta por simplesmente contá-los, o que tira parte da emoção.

A estrutura da narrativa também contribui para essa sensação de descompasso. O primeiro bloco, que retrata a infância e a descoberta da paixão pelo desenho, é encantador e prende o espectador com naturalidade. O problema surge a partir do segundo bloco, quando a vida adulta de Mauricio passa a ser contada por meio de saltos abruptos, limitados a marcos como “o nascimento das filhas” ou “um novo emprego”. Essa forma apressada de contar a história dilui o impacto emocional e faz a trajetória perder a força que poderia ter. O terceiro ato, que deveria ser o ápice, com a criação da Turma da Mônica e o reconhecimento nacional, acaba se tornando o mais atropelado, reunindo cenas rápidas e resoluções corridas que deixam a sensação de vazio.

É aqui que surge uma contradição central do longa: ao mesmo tempo em que quer prestar homenagem a Mauricio, destacando a grandiosidade de sua obra, o filme falha em dar o devido espaço àquilo que mais marcou sua carreira. O marketing vende a ideia de que veremos 40 anos de história, mas a construção da Turma da Mônica, que é justamente o momento mais aguardado, recebe pouco tempo de tela. As ideias aparecem de forma apressada, em lembranças ou pequenas citações, sem o peso que deveriam ter. Para o público, isso se traduz em frustração.

Ainda assim, há méritos. A introdução e o desfecho conseguem emocionar, especialmente porque deixam clara a admiração de todos os envolvidos pelo legado de Mauricio. O filme também cumpre um papel importante ao apresentar ao público traços menos conhecidos da vida pessoal do quadrinista — sua relação com a família, com a avó Dita e com os primeiros passos de sua carreira. Para quem cresceu lendo a Turma da Mônica, é impossível não sentir nostalgia ao ver essa trajetória ganhar forma na tela.

Mas quando o filme termina, fica a sensação de que vimos apenas flashes de uma história muito maior. O excesso de carinho e respeito está lá, mas faltou ousadia para aprofundar os conflitos, explorar melhor o processo criativo e construir cenas que ficassem marcadas na memória. É como se o longa tivesse preferido ser seguro demais em vez de mergulhar na complexidade do personagem e da obra.

No fim das contas, Mauricio de Sousa: O Filme é uma homenagem carismática, nostálgica e feita com amor. É um longa que emociona em alguns momentos e traz ao público um lado mais íntimo do quadrinista. Porém, sua proposta ambiciosa de contar 40 anos em duas horas cobra um preço alto. A narrativa apressada, a escolha de uma câmera estática e o excesso de narração fazem com que a cinebiografia não alcance todo o potencial que tinha nas mãos.

O resultado é um filme que conquista pelo afeto, mas deixa a sensação de que poderia ter sido muito mais. Afinal, contar a vida de alguém que criou um universo tão rico e essencial para a cultura brasileira merecia uma abordagem mais ousada, mais viva e menos dependente de atalhos. Mauricio de Sousa continua sendo uma lenda, mas sua cinebiografia, apesar de carismática, ainda não é o gibi completo que gostaríamos de folhear no cinema.
Giselle Leigh
Giselle Leigh

10 seguidores 81 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 25 de outubro de 2025
Excelente cinebiografia de Mauricio de Souza o Walt Disney brasileiro. Filme de ótima qualidade, história emocionante. Gostei muito. Trilha sonora impecável. Um dos melhores filmes do ano. Uma lição de vida.
JOTAT10
JOTAT10

1 seguidor 15 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 23 de outubro de 2025
O Pai uma Lenda Viva da nossa Grande Dramaturgia da nossa HQ brasileira, Mauricio de Souza, supera até os grandes escritores da Maior de Todas as Plataformas das HQ que é a DISNEY, tão maior que as grandes MARVEL & DC dos nossos Super Heróis de todos os tempos dos nossos famosos GIBIS, e ele como MONICA como exemplos de outros e outras personagens, me fez quando criança ler as suas histórias famosas até hoje, e eu hoje sendo um idoso hoje, fui leitor hoje não, porque as coisa mudam, mas acompanho a sua nova performance, se o ditado prevalecer eu torço por TAL PAI TAL FILHO, dar essa continudade como seu Pai.
viih p
viih p

1 crítica Seguir usuário

5,0
Enviada em 28 de outubro de 2025
Filme simples, mas muito aconchegante! Deixa o coração de qualquer fã quentinho...mas, deixou um sentimento de como se estivesse faltando mais detalhes, mais fatos para ser uma biografia "cheia", porém, ainda sim, gostei muito!


Maurício é eterno.
Daniela Pessoa Fontes
Daniela Pessoa Fontes

1 crítica Seguir usuário

5,0
Enviada em 26 de outubro de 2025
Filme com direção e montagem impecáveis. A trilha sonora e a narrativa emocionam e surpreendem com fatos reais que revelam ao público a origem das personagens de quadrinhos.
Patriciaofurukawa
Patriciaofurukawa

1 crítica Seguir usuário

5,0
Enviada em 28 de outubro de 2025
Um filme lindo que toda a família pode assistir. Fiquei emocionante em várias partes do filme. Super recomendo!
Danilo B.
Danilo B.

10 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 2 de novembro de 2025
Muito bom. Filme bem feito, carismático e inspirador. Conhecer a história por trás dos quadrinhos.. recomendo.
Deborah Gambarini
Deborah Gambarini

2 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 28 de novembro de 2025
o filme é bom e é um exemplo de vida e traz uma nostalgia para quem viveu naquela época . e é a história do gratuita mais querida do Brasil
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