O Papa morreu, e agora?
A premissa inicial do filme parece levar o espectador a uma busca pelo assassino do falecido pontífice, já que a sua morte vem a ser uma surpresa para os demais membros da Igreja. Entre reviravoltas e segredos, Lawrence (protagonista principal) é encarregado de conduzir o Conclave, isto é, uma reunião do sacro colégio de cardeais, com o objetivo de eleger um novo pontífice.
Os líderes mais poderosos da Igreja Católica reunidos em um só lugar, cada um com seus interesses e todos dispostos a vestir a batina branca, o que poderia dar errado?
De uma forma que nos faz lembrar das intrigas palacianas proporcionadas por Game of Thrones, Conclave, de forma autêntica, nos mostra que para além da fé, outros dilemas precisam ser considerados para que um novo Papa seja eleito.
Temas como o divórcio, homossexualidade, feminismo, visibilidade trans, liberdade religiosa entre outros são discutidos no filme, fazendo o espectador refletir sobre tais questões que vez ou outra tornam-se foco de debate em assembleias religiosas.
Por fim, entre os embates que mais parece um cenário político, o discurso de um dos cardeais me chamou atenção: “A coisa com a qual você está lutando está aqui, dentro de cada um de nós, se cedermos ao ódio agora, se falarmos de “lados” em vez de falar por cada homem e mulher [...] nestes últimos dias nos mostramos pequenos homens mesquinhos, parecemos preocupados apenas conosco mesmos, com Roma, com a eleição e com o poder. Mas essas coisas não são a Igreja. A Igreja não é tradição. A Igreja não é o passado. A Igreja é o que faremos a seguir.”