O Retorno
Média
3,2
28 notas

4 Críticas do usuário

5
0 crítica
4
1 crítica
3
0 crítica
2
1 crítica
1
1 crítica
0
1 crítica
Organizar por
Críticas mais úteis Críticas mais recentes Por usuários que mais publicaram críticas Por usuários com mais seguidores
NerdCall
NerdCall

58 seguidores 454 críticas Seguir usuário

2,5
Enviada em 12 de setembro de 2025
Trazer “A Odisseia” para o cinema nunca foi tarefa simples. A obra de Homero, com toda a sua grandiosidade, sempre carregou consigo um peso quase intransponível: como traduzir em imagens a magnitude de uma das histórias mais célebres da humanidade? Em O Retorno, Uberto Pasolini decide assumir esse desafio de uma forma completamente diferente. Ao invés de apostar em batalhas épicas ou na escala monumental da jornada de Odisseu, o diretor escolhe enxugar a narrativa, reduzir os excessos e se concentrar em um recorte específico da história: os momentos finais, quando o herói finalmente retorna a Ítaca após anos de ausência. É aqui que Pasolini encontra o seu campo de batalha — não nas guerras contra monstros ou exércitos, mas no terreno humano, melancólico e frágil das marcas que a guerra deixa em quem sobrevive.

Esse olhar intimista não surgiu por acaso. O projeto começou a ser desenvolvido em 2011, mas só em 2022 encontrou o espaço necessário para avançar, graças à disponibilidade de Ralph Fiennes, que se tornaria o coração da produção. Com um orçamento modesto de cerca de 20 milhões de dólares, Pasolini jamais poderia competir em escala visual com adaptações grandiosas da mitologia grega. Por isso, a aposta recaiu sobre uma fotografia contemplativa e sobre a força interpretativa do elenco. Essa decisão, embora corajosa, traz consigo tanto acertos quanto limitações que marcam o filme de forma evidente.

O ponto de partida do diretor é explorar o trauma de Odisseu. Em entrevistas, Pasolini deixou claro que não queria contar a história de um herói glorioso, mas de um homem devastado. A guerra de Troia aparece em meros 30 segundos de tela — e não é um deslize de produção, mas uma escolha criativa. O filme parte do pressuposto de que o público já conhece o material original, e usa esse conhecimento como alicerce para mergulhar no que vem depois: o choque do retorno, a incapacidade de retomar a vida, o peso do que foi perdido. É quase uma leitura moderna do estresse pós-traumático, só que ambientada no universo da mitologia.

Essa ideia, no entanto, encontra obstáculos no roteiro assinado por John Collee e Edward Bond. Há uma tentativa clara de construir o drama interno do protagonista por meio de diálogos densos e momentos contemplativos, mas o texto nunca consegue desenvolver plenamente o trauma de Odisseu. As pistas aparecem, o desconforto é sugerido, mas não se concretiza em uma narrativa consistente. O resultado é um filme que oscila entre o retrato do herói devastado e o melodrama familiar, lembrando, em alguns momentos, a artificialidade de produções televisivas de época. Essa contradição prejudica o impacto que Pasolini parecia buscar: de um lado, a promessa de um retrato cru e brutal; de outro, uma execução que muitas vezes se perde em convenções e superficialidades.

Um dos aspectos que mais expõem essas falhas está no design de produção. É inegável que o orçamento reduzido não permitiria cenários grandiosos ou figurinos luxuosos. O problema é que, em vez de abraçar essa limitação com criatividade, a produção acaba soando pobre. Figurinos pouco trabalhados, cenários repetitivos e uma cenografia que raramente transmite a sensação de tempo e lugar deixam a experiência com um ar genérico. Há momentos em que os trajes parecem recém-saídos do figurino, sem a mínima preocupação em transmitir desgaste ou realismo. Isso, em um filme que se propõe a mergulhar em uma ambientação histórica, cria uma barreira entre o espectador e a imersão.

As cenas de combate reforçam essa fragilidade. Se Pasolini queria transmitir brutalidade e violência crua, como chegou a afirmar, o que se vê na tela são embates mal coreografados, que soam artificiais e até mesmo bregas. Em vez de fortalecer a tensão da narrativa, esses momentos a enfraquecem, destoando da proposta de um olhar mais humano e devastado da jornada de Odisseu.

Ainda assim, nem tudo se perde. A fotografia, filmada em locações reais na Itália e na Grécia, consegue resgatar em alguns instantes a atmosfera épica que falta ao restante da produção. A escolha por cenários naturais, por vezes áridos, ajuda a reforçar a ideia de um mundo esvaziado, refletindo o estado interno do protagonista. É nesse contraste entre a paisagem grandiosa e o homem destruído que o filme encontra momentos de verdadeira beleza.

E é impossível falar de O Retorno sem destacar Ralph Fiennes. O ator entrega muito mais do que o roteiro oferece. Seu Odisseu é um homem marcado pelo tempo, vulnerável, ao mesmo tempo duro e frágil, que carrega em cada olhar o peso do que viveu. Fiennes é, de longe, o maior trunfo do filme — e talvez a razão pela qual ele se sustente. Em meio a uma narrativa que nunca se desenvolve por completo, ele traz profundidade, dor e humanidade. É como se o ator conseguisse dar vida a um personagem que o texto não soube construir.

Juliette Binoche, mesmo com menos espaço, também acrescenta força à narrativa. Sua Penélope, embora envolta em momentos de melodrama, transmite firmeza e uma intensidade contida que complementa a performance de Fiennes. Juntos, os dois estabelecem uma química que garante ao filme pelo menos uma âncora emocional. O desfecho, ainda que previsível, ganha mais impacto justamente pela presença dos dois atores.

Em resumo, O Retorno é um filme que nasce de uma proposta ousada: olhar para a Odisseia de uma forma humana, íntima e marcada pelo trauma. A ideia é potente, mas a execução não acompanha sua ambição. O roteiro não consegue dar densidade suficiente ao trauma de Odisseu, o design de produção compromete a imersão e os momentos de ação caem na artificialidade. Ao mesmo tempo, a fotografia e, sobretudo, as atuações de Ralph Fiennes e Juliette Binoche impedem que o projeto se torne irrelevante.

Pasolini merece crédito pela tentativa de revisitar uma das obras mais adaptadas da história por um ângulo diferente, mas a ousadia fica mais no papel do que na prática. O Retorno não chega a ser uma das grandes adaptações da Odisseia, mas serve como registro de uma visão distinta — a de um Odisseu não como herói invencível, mas como homem quebrado, tentando encontrar seu lugar em meio às ruínas da própria vida.
Gustavo de Alcântara Cardoso
Gustavo de Alcântara Cardoso

1 seguidor 1 crítica Seguir usuário

0,5
Enviada em 13 de setembro de 2025
Parece novela da record. Filme lento, com diálogos pobres, sem explicações das motivações dos personagens.
Jovan Augusto Demoner
Jovan Augusto Demoner

1 seguidor 1 crítica Seguir usuário

4,5
Enviada em 7 de setembro de 2025
Um poema clássico atribuído a Homero que foi estruturado em 24 cantos, o filme retrata os últimos cantos, mas dá uma bela noção da Osisseia de 20 anos entre a guerra de Tróia e o retorno do rei. Para a total compreensão há de se conhecer um pouco da história, mas acredito que o filme desperta o interesse na busca de mais conhecimentos. Muito bem retratado por Juliette Binoche e Ralph Fiennes.
Julio Souza Lima . Artes
Julio Souza Lima . Artes

1 seguidor 1 crítica Seguir usuário

1,0
Enviada em 24 de janeiro de 2026
Quem assistiu A Odisséia e assiste esse filme chora de raiva . Filme sem emoção nenhuma . Que tristeza !!!!!
Quer ver mais críticas?
  • As últimas críticas do AdoroCinema
  • Melhores filmes
  • Melhores filmes de acordo a imprensa