Franz
Média
3,2
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Marcelo Nannini
Marcelo Nannini

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2,5
Enviada em 31 de agosto de 2026
Franz Kafka, o escritor tcheco do início do século XX e o maior de todos que influenciou os últimos cem anos. Pelo menos, é o mote e uma das cenas finais mostradas na telona.
A película “Franz” traz no título uma proposta de chamar Kafka pelo nome. Para soar mais íntimo e pessoal. E nesse sentido, o desenrolar do filme foca no lado familiar, psicológico e do dia a dia do autor de “O Processo” e outros clássicos.
Sua importância literária é enfatizada por momentos em que o filme viaja até os dias atuais, pois os turistas visitam ou travam contato com a biografia de Kafka e os lugares que frequentou.
A abordagem escolhida no roteiro mostra o protagonista em momentos vividos com a família e com os afetos (a noiva Felice Bauer e relacionamentos fugazes).
Não raro, Kafka aguenta os maus tratos e a opressão do pai, Hermann, o qual quer uma vida “normal” para o filho. Encara-o, às vezes, como filho problemático e atrasado em relação ao desenvolvimento etário.
Esse aspecto de oposição se intensifica ao longo da história, pois Kafka lida com seus problemas pessoais. Lida também com uma certa falta de direcionamento perante a vida. A cena de recusar a noiva Felice durante uma refeição em família é um flagrante disso.
O filme tem o ritmo de ir e voltar: acrescentam-se instantes de sua vida adulta intercalados com os da infância. A diretora Agnieszka Holland opta por fugir da narrativa cronológica e faz menção a algumas obras de Franz Kafka, inserindo um prelúdio para a próxima cena. A referência da mão contra o sol remete ao livro “A Metamorfose”.
Descrente de seu próprio potencial e em sua instabilidade interior, Franz pede para que o amigo Max Brod destrua suas cartas e escritos. Mas isso não acontece; sua obra é póstuma e ecoa.
Marcado por angústia e pelo estado de saúde em decadência, “Franz” traz um caldeirão de elementos que procura explicar a personalidade e as escolhas do escritor numa Praga pré-moderna. Nem sempre compreensíveis do ponto de vista e dos padrões da sociedade da época.
Em certas cenas, a câmera brinca com a perspectiva da imagem, como se fosse pegar e registrar as facetas de Franz Kafka. O ator Idan Weiss interpreta o escritor tcheco com curiosidade, contenção e discrição. Ele e a diretora acertam nos momentos em que se exige uma linguagem cinematográfica mais libertária e fantasiosa.
Para os que não conhecem ou não possuem paciência sobre personagens intelectuais, “Franz” pode se tornar cansativo. Não é uma película de entretenimento como os desenhos animados ou que pertença ao gênero de roteiros rasos. É bem possível que alguns espectadores se sintam entediados ou desinteressados, já que filmes “cabeça” podem não encantar. “Franz” tem esse problema: é “cabeça” demais. Exige bastante atenção para acompanhar o ritmo. Sobriedade. Sério.
Para este tipo de público, talvez a pipoca não combine com o enredo, embora seja importante trazer à tona, personalidades que não conviveram com fama. Só o tempo para mostrar a obra de seu autor. Não é um filme qualquer, porém, o espectador pode preferir o saquinho de pipoca.
Os cuidados na produção, nos cenários escolhidos e na montagem da película (quanto ao ir e vir do tempo) são os pontos altos. Ah! Os atores entregam um trabalho dedicado, enxuto, com passagem de vários tipos e tendências.
Antes de se propor a assistir, é melhor consultar a biografia, buscar as referências e ler sobre essa pessoa ordinária, ícone tcheco da literatura e aclamado depois.
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