Assisti ao filme sim, fui até o fim, embora com certa relutância estética e filosófica. E confesso, o que mais me chamou atenção não foi a trama em si, mas o retrato quase cômico da pequenez humana e de nosso apego visceral ao materialismo e à idealização romântica. Primeiramente, vamos ser francos: um casal que não faz terapia não possui sequer os requisitos mínimos para aspirar à tão sonhada felicidade conjugal. Não há amor que resista a traumas não resolvidos e neuroses compartilhadas em silêncio.
Em segundo lugar, o enredo sugere uma tal “conexão de vidas passadas” — até aí, nada contra, sou até simpático à ideia. O problema é que ambos os protagonistas já estavam casados nesta encarnação. Então me pergunto, será mesmo que o amor de “almas gêmeas” justifica o abandono afetivo do parceiro atual? A resposta, obviamente, é não. Se não está feliz, termine. Com dignidade. Mas viver uma vida “por conveniência” até aparecer uma desculpa mística para pular fora... além de covarde, é imoral e causa estragos que, muitas vezes, não há karma que dê conta de reparar.
E terceiro: o título do filme já entrega o roteiro inteiro *Ninguém é de Ninguém*. Confesso que, por um momento, achei que estava diante de uma provocação existencialista. Ledo engano. A trama é frágil, quase pueril, sustentada por diálogos que beiram a superficialidade e por atuações que, vamos dizer, não salvariam nem uma novela das seis.
Enfim, o filme é bobinho, fraco, raso e a classificação negativa que coleciona não me surpreende nem um pouco. Honestamente? Teria sido uma experiência mais proveitosa assistir a um documentário sobre Pelé. Pelo menos ali há arte, drama e verdade.