A história humana é um ziguezague de mudanças e permanências. Tão certo quanto a gravidade que nos põe no chão ou o ar que respiramos. Poucos notam, mas a singular realidade social que envolve aspectos de pertencimento nos espaços cariocas de privilégio e poder mostra isso - a mudança, mesmo lenta e dolorosa, desigual e hipócrita, acontece. Tradições e poderes não são entrave para isso. Mas a certeza da Mudança , pelo menos no Brasil, ainda não é fator de aceleração deste processo. Como gostaríamos de uma mudança tipo Malês, Dessalines, Nzinga ou mesmo Aimberê e Cunhambebe para sacudir os lugares de silenciosa e refinada opressão que sufoca o peito de um Brasil de Verdade. Mas... só de ver o playboy refém do poder e coragem do amor de uma mulher negra decidida e inteligente, já confirma o óbvio. Tão ululante, que até às camélias do Leblon despertaram, sacudidas pelo impacto do (ainda que moroso) inevitável.
Este filme vai fazer você reavaliar várias posturas a respeito de preconceito, quebra de expectativas e paradigmas, liberalismo hipócrita e mais uma avalanche de outras questões sociais. Uma produção em um formato simples, mas carregado de socos no estômago. Ótimos diálogos, excelentes atuações, especialmente a de Polly Marinho!
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