Como autora de livros infantis (desenho e escrita), Julie (Amanda Seyfried) tem uma vida rodeada por cores e por um universo fantástico. Porém, de alguma forma, dentro de si mesma, ela não consegue enxergar a vida de uma forma colorida. Mãe de primeira viagem, Julie trava uma luta contra a depressão pós parto - a qual, na medida em que vamos entrando em contato com a personagem e seu passado, percebemos ter raízes na sua infância e na relação que ela própria estabeleceu com o pai (Michael Gaston).
A jornada de Julie e sua doença é justamente aquilo que iremos acompanhar no filme “Respire Fundo”, dirigido e escrito por Amy Koppelman (tendo como base o livro de sua própria autoria). A performance de Amanda Seyfried é excelente no sentido de nos fazer sentir na pele de Julie e dos seus conflitos mais íntimos, do medo que ela sente, e da dinâmica que ela estabelece de parecer bem e forte para não causar ainda mais sofrimento nas pessoas ao seu redor.
Filmes como “Respire Fundo”, que abordam um lado nem tanto positivo advindo da maternidade são muito importantes, ainda mais por debater um tema tão tabu quanto a depressão pós-parto. A maternidade é uma vivência difícil e solitária, mesmo que você tenha uma rede de apoio como a que Julie possui - um marido (Finn Witrock), uma mãe (Amy Irving) e parentes próximos presentes.
Assistir a “Respire Fundo” é uma experiência difícil e didática, por inúmeros motivos. O principal deles está no fato de ver alguém se desintegrando, apesar de ter um futuro todo pela frente e que experiencia, talvez, o momento mais bonito e sublime de sua vida, mas que não consegue enxergar nele os motivos de alegria. Além de ser um lembrete a todos nós sobre a dificuldade que é a depressão e como ela é uma doença que mexe, não só com aqueles que a vivenciam, como também os entes queridos ao seu redor.
Terminei de assistir a “Respire Fundo” querendo ter tido a chance de dar um abraço em Julie. Não sei se eu conseguiria assegurar a ela que tudo terminaria bem, mas o filme me deixou com a incômoda sensação o tempo todo que nós, da plateia, éramos as únicas pessoas que estavam escutando-a verdadeiramente em todos os seus anseios.