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Kamila A.
7.938 seguidores
816 críticas
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3,0
Enviada em 4 de novembro de 2022
“A Conferência” a qual o título do filme dirigido por Matti Geschonneck se refere é a Conferência de Wannsee, que aconteceu em 20 de janeiro de 1942, reunindo representantes do alto escalão do regime nazista alemão. A importância histórica desse encontro diz respeito ao que nele foi discutido: o que os participantes chamaram de “Solução Final para a Questão Judaica”, ou seja, a sistematização do método que levaria ao assassinato de 6 milhões de judeus pelo regime.
Por se tratar de um filme que retrata uma reunião, um elemento é óbvio em “A Conferência”: a verborragia do roteiro escrito por Magnus Vattrodt e Paul Mommertz. São muitos - e longos - diálogos. Conversas cruéis. Pior: em meio a pausas para um lanche/cafezinho. Nem parece que os participantes estavam discutindo um tema tão macabro e vergonhoso, tamanha a frieza e calculismo.
Analisando, agora, “A Conferência” como o produto cinematográfico que é, é justamente a verborragia do seu roteiro que transforma esta em uma experiência extremamente cansativa, que suga as nossas energias e que se exime de uma análise crítica mais profunda sobre um evento histórico de proporções terríveis para a história da humanidade.
Um filme denso repleto de puro suco de pragmatismo. Salvo poucas intervenções, é uma reunião na qual os participantes relevam a condição humana em suas decisões, parecem estar falando de gafanhotos ou qualquer outra praga em lavouras. A quem assiste, fica o convite à reflexão sobre aquilo que, nos outros, nos é diferente e estranho, talvez até ofensivo dada nossa bolha. Vidas humanas são vidas humanas. Todas, sem exceção, merecem respeito e dignidade. Você não precisa concordar com o que lhe é estranho, basta respeitar o princípio do direito à vida e a existência. Não tenha dúvida de que para uma certa comunidade, em algum lugar, você e seus "princípios" também são altamente estranhos e repugnáveis. Terão essa pessoas o direito de te eliminar?
Filme muito bom, com temática pesada e que trás muitas reflexões sobre o ser humano e do que ele é capaz, além dos motivos mesquinhos e da soberba de alguns seres humanos em se achar melhores do que outros.
Ótimo filme pra quem curte História militar. Além de retratar bem o ambiente frio, pacífico e aristocrata do subúrbio onde houve a conferência, o filme foca nos detalhes burocráticos que caracterizam esse tipo de reunião e fazem com que o destino da vida das pessoas que é decidido ali, seja só um mero objetivo administrativo, ou uma simples ordem militar. Um ponto forte foram os atores, que incorporaram bem o personagem histórico, e fizeram com que o comportamento soberbo e mesquinho, em alguns casos, fosse baseado em seus respectivos cargos e patentes. E o roteiro, aliado à atuação, torna claro a hierarquia dos participantes. Na minha opinião (Se tratando de um filme histórico) , a atuação de Arnd Klawiter foi boa, mas não condiz muito com a figura histórica de Roland Freisler, já que o mesmo é sempre retratado por historiadores como sendo um juíz impiedoso, de personalidade forte, impulsivo, agitado e o "Maior carrasco do Terceiro Reich". Fora isso, os diálogos constantemente repetiam termos que só enchiam linguiça e deixavam tudo mais cansativo do que já é, é como se o roteirista esquecesse que o filme inteiro é uma reunião burocrática com figuras da administração pública e militares de alta patente, e o excesso de tecnicalidade torna os diálogos redundantes e reduz o impacto dramático da reunião. Resumindo é um filme bom, com imprecisões que não afetam a qualidade final da obra.
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