A Baleia
EUA, 2022
O filme conta a incômoda história de Charlie. Professor de inglês e literatura, ele vive dentro de uma rotina árdua, angustiante e aflitiva. Por conta de acontecimentos significativos e outras variáveis do passado, Charlie desenvolveu uma compulsão alimentar e ganhou um peso enorme que o incomoda, envergonha e sobre o qual ele não tem mais controle.
Encarcerado dentro de casa, ele dá aulas on line para um grupo de alunos que não o vê (a câmera está sempre desligada), recebe visitas diárias da enfermeira e amiga Liz e espera seu tempo, literalmente acabar. Com doenças e distúrbios crônicos, ele se recusa a procurar um hospital para uma necessária internação. Liz ajuda e aconselha, mas não insiste. Tem seu passado intimamente ligado ao de Charlie e consegue compreender a recusa do amigo em buscar ajuda. Ambos perderam Alan, irmão de Liz e companheiro de Charlie, em circunstâncias devastadoras.
Para dilacerar mais ainda o conflito, entra em cena Ellie, a filha adolescente do professor, a quem ele abandonou junto com a mãe Mary, para viver ao lado de Alan. Há nove anos sem ver o pai, ela o hostiliza e humilha em busca de uma reparação e atenção.
O cenário piora de vez, quando bate a porta de Charlie, um missionário religioso querendo "salvá-lo". Nosso heroi não quer salvação (talvez redenção). Quer apenas sobreviver aos dias que lhe restam, ainda que com muito sofrimento ao redor.
Com constantes faltas de ar e dores excruciantes, o combalido Charlie só encontra alento ao escutar os trechos do livro Moby Dicky, que relata a obssessão do capitão de um baleeiro em matar uma gigante baleia branca, que no passado, o mutilou. Sempre que ouve os trechos se acalma e respira.
Nessa hora, o espectador suspira aliviado, pois não se trata de um título de filme depreciativo, mas sem dúvida, um título mordaz, irônico e provocativo.
Um gesto simbólico, triste e arrasador do protagonista, encerra a complexa e polêmica narrativa.
Relevante ressaltar que trata-se de uma película mediana e com uma atuação de Brendan Fraser, melhor que o filme todo.