Se o propósito era disseminar Caste, funciona. Se era contar uma história inesquecível, não entrega completamente. Origin de Ava DuVernay é um filme visualmente elegante e intelectualmente ambicioso, que se destaca por levar ao cinema um livro denso e relevante. No entanto, seu formato híbrido — meio documentário, meio drama — e a necessidade de encaixar a tese em uma estrutura emocional enfraquecem sua força narrativa. A película inspira e incomoda, mas falha em manter uma coesão dramática consistente.
Acredito que ao longo da história, os seres humanos criaram narrativas para dominar os outros. No entanto, cada povo, cada nação, teve sua própria história. Querer defender uma ideia ("casta") para explicar as relações entre dominadores e dominados como se fossem iguais é ignorar a própria história. Devemos ser meticulosos em nosso estudo da história e não enquadrá-la em uma "ideia". Mesmo no Brasil, a escravidão era diferente daquela nos EUA. Tentar entender a relação entre a ideia de escravos e seus donos no Brasil com base na escravidão nos EUA não seria intelectualmente honesto. O Brasil foi colonizado por uma monarquia católica, a colonização foi baseada na exploração, o trabalho era predominantemente escravocrata, e aqueles que colonizaram o Brasil no início da colonização foram, pela ordem, portugueses, italianos e depois alemães. A colonização nos EUA foi baseada em um movimento protestante, a colonização foi baseada no assentamento, e a escravidão serviu para "complementar" o trabalho. Querer conectar intimamente o extermínio dos judeus à escravidão nos EUA é ainda pior. Isso é desonestidade intelectual. Você não vai compreender o extermínio dos judeus estudando as castas na Índia nem a escravidão nos EUA. Dei duas estrelas devido a questões não centrais quanto a mensagem do filme.
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