Amei o filme! Já percebi que será daqueles filmes ''ame ou odeie''. Tenso, muito tenso, adorei os jogos e movimentos de câmera. É um filme que não entrega nada mastigado, e já deixa claro que é um filme de mistérios do início ao fim, seja pelo início com uma família de ''comercial de margarina'', num verão perfeito, mas que vai revelando aos poucos o terror que irá se instalar. É angustiante como é um filme silencioso, o próprio personagem diz isso, ''como o silêncio é barulhento'', pois é um filme que se concentra nos 6 personagens confinados na casa, com apenas outros dois personagens que tem falas além deles: a mulher desesperada na estrada (que fala espanhol) e o cara desesperado na sua casa praparado para o Apocalipse (que não quer papo e amizade com ninguém). Ou seja, os únicos outros dois personagens com fala além dos 6 protagonistas não dizem nada, não há comunicação, com dois tipos de desesperos diferentes. E isso que angustia: cadê as imagens das multidões correndo, desesperadas, pela cidade, atordoadas, fugindo, cadê as imagens das pessoas morrendo, buscando ajuda, cadê o caos, o terror, cadê a TV com o presidente dando as informações, os jornalistas entregando as imagens que queremos, de onde, quem, quando, como, das imagens mostrando do resto do mundo, na França, Austrália, Egito, Argentina, se só é ali ou não???? Nada disso: apenas duas famílias isoladas, e nada mais, que está como a gente: perdidas, sem informação, sem saber o que fazer: a sensação deles é a mesma da gente vendo o filme, é espelhado, é como se estivessmos no filme, fôssemos também os personagens, pois tudo que eles sabe é o que também sabemos, e isso parece injusto! E isso que o filme quer mostrar: a sensação horrível de confusão da falta de informação, de não saber o que fazer, ficar incomunicável, sem internet, sem telefone, sem satélites, GPS, desinformados, desgovernados, isolados, ilhados, sozinhos!