No universo narrativo desenvolvido pelo diretor e roteirista Pedro Almodóvar no seu mais novo filme, “Mães Paralelas”, acompanhamos duas personagens em momentos distintos da vida e que, apesar disso, estão vivenciando a mesma situação: a maternidade.
Quando Janis (Penelope Cruz) e Ana (Milena Smit) se conhecem, ambas estão na maternidade, à espera do nascimento das suas primeiras filhas. Além do fato de estarem dando à luz a duas meninas, no mesmo dia, Janis e Ana possuem outro ponto importante em comum: são mães solteiras.
As semelhanças param por aí: Janis, uma mulher mais experiente, mal aguenta de ansiedade para ter sua filha em seus braços; já Ana, do alto da sua juventude, tem medo e não sabe o que esperar do que vem pela frente. Almodóvar nos coloca diante dessas duas mulheres, em paralelo, enquanto a vida acontece, enquanto a maternidade delas se desenvolve, enquanto os desafios da vida se apresentam.
Chega a ser surpreendente que “Mães Paralelas” tenha uma trama um tanto previsível. Porém, a grande surpresa do filme está no fato de que, ao contrário do que esperamos, a obra não envereda pelo caminho do melodrama do acontecimento que une Janis e Ana. O longa utiliza o infortúnio que as conecta como um reforço daquilo que as difere e as define, a partir daquele momento.
“Mães Paralelas” encontra o seu ponto mais positivo na atuação de Penelope Cruz, que está dominante em tela, uma leoa - seja pela sua filha, pela ajuda que dá a Ana ou pela dedicação na busca dos restos mortais de seu bisavô, vítima do grupo fascista Falange Espanhola.
Apesar disso, e das suas qualidades, “Mães Paralelas” é um filme menor quando comparamos ele com outras obras dirigidas por Almodóvar, muito em parte por causa da sua subtrama política - que não encontra conexão, para mim, com a trama principal, parecendo um tanto solta e quebrando muito o ritmo do filme.