Vozes não é só aquele terror padrão que vive de sustinho barato, ele mistura terror com suspense e até um drama pesado, e isso funciona muito bem, desde o começo já dá aquela sensação estranha, como se tivesse algo errado o tempo todo. Uma coisa que curti bastante foi o visual, porque as cores não estão ali por acaso, o pai, Daniel, quase sempre aparece com roupa escura, preto, aquela vibe mais pesada, enquanto a mãe usa cores mais abertas, tipo azul e laranja, pra quem entende um pouco de psicologia das cores já dá pra imaginar que tem algo sombrio ligado ao pai. Agora, o roteiro é muito bom, mas também me fez questionar umas coisas, tipo como ninguém viu os desenhos na parede do quarto do filho, sendo que tudo que aconteceu já estava ali desenhado, como que um pai e uma mãe não percebem isso, é aquele detalhe que é genial, mas ao mesmo tempo dá uma leve bugada. Também tem o Germán e a Ruth, que são tipo uns caçadores de demônios, e ajudam bem na história, dando até uma equilibrada no clima pesado do filme. As cenas de terror funcionam muito bem porque não ficam te avisando, os sustos vêm do nada e isso deixa tudo mais tenso, fugindo daquele padrão previsível. Agora o final é o que mais pega, porque vem um plot twist forte que muda tudo, e ainda fica aquela dúvida se o que o pai fez foi justificável depois de tudo que aconteceu. E a cena pós-créditos ainda deixa um gancho, então fica a sensação de que pode ter uma continuação por aí, no geral é um filme que entrega mais do que parece, não é só terror, tem história, tem detalhe escondido e ainda te faz pensar depois que acaba.