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Adriano Côrtes Santos
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4,0
Enviada em 29 de novembro de 2024
Em "Servidão", Renato Barbieri aprofunda a discussão sobre a persistência da escravidão no Brasil, após seu trabalho em "Pureza" (2022). O documentário inicia com uma reflexão sobre o Cais do Valongo, um dos maiores portos de tráfico de escravizados do mundo, e segue explorando o impacto histórico da escravidão no país. Narrado por Negra Li, o filme conecta a abolição de 1888 ao trabalho escravo moderno, com a frase "Abolição já! A outra não valeu", destacando a continuidade da exploração de trabalhadores.
Barbieri traz relatos de trabalhadores como Marinaldo Soares Santos, que, desde criança, vive em condições análogas à escravidão. Especialistas e defensores dos direitos humanos também contribuem com depoimentos que revelam a gravidade da situação. Um dado alarmante do filme é que, a cada cinco dias, um defensor de direitos humanos é assassinado no Brasil.
Embora o filme termine com uma mensagem de esperança, ele também denuncia a lenta evolução da regulamentação do trabalho nas grandes fazendas. "Servidão" é um documentário necessário, que denuncia a persistência da exploração humana e convoca a reflexão sobre o passado e presente do Brasil.
Um documentário necessário para mostrar a verdadeira "cara" do Brasil!
SERVIDÃO, dirigido por Renato Barbieri é um documentário denso e tenso de um triste Brasil. Ele denuncia os maus tratos, a desumanização, a arrogância e perversidade da elite brasileira. Latifundiários, empresas do ramo da construção civil, grandes marcas da moda, “empregadores” domésticos. A lista é enorme. Evidencia-se no documentário, que não se a trata somente da apropriação da força de trabalho de tantos homens, mulheres e crianças. Não é somente mais-valia. De fato, é algo mais perverso. Trata-se de reificação, ou seja, da usurpação de uma mão de obra, tornando o trabalhador um mero objeto, uma peça descartável no jogo da ambição que se denomina empreendimento, negócio, investimento. Com depoimentos fortes, contundentes e emocionantes intelectuais, técnicos, trabalhadores submetidos a condições subumanas narram uma triste história. Eles lembram que o Brasil foi dos últimos países a abolir a escravidão e que 136 anos depois do seu acontecimento vive-se uma triste realidade de servidão, maus tratos e completo desconhecimento de direitos trabalhistas e direitos humanos em nosso país. No dia seguinte a abolição, ou melhor, nos anos, décadas e a mais de um século depois, encontramos homens e mulheres, adultos e crianças enfrentando uma experiência de trabalho que os desumaniza. Para ganhar o pão, nada mais do que isto, somente sustentar-se para garantir mais um dia para vender – e vender muito mal – sua força de trabalho. E o mais triste – como fica evidenciado no documentário – é que as vítimas desta realidade tão terrível, muitas vezes, tantas vezes, justifica a necessidade de continuar nesta triste sina. Precisam ganhar a vida, sustentarem a si mesmos e a sua família. Não é fácil ou tranquilo assistir ao documentário “Servidão”. Não é um filme que nos entretém ou diverte. Ele incomoda como uma triste verdade o faz, nos provoca indignação, asco, raiva, mas também nos faz refletir e desejar uma outra e melhor realidade para os homens e mulheres deste nosso triste trópico.
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