"Coringa: Delírio a Dois" tenta seguir o impacto do primeiro filme, mas acaba se enrolando nas próprias escolhas. A trilha sonora, que aparece o tempo todo, só atrapalha o drama. Toda vez que uma música começa, ela interrompe o momento, tirando o peso de cenas que poderiam ser muito mais impactantes.
Todd Phillips, que conseguiu usar bem referências em Taxi Driver no primeiro filme, dessa vez não sabe pra onde ir. Sem uma base pra "se inspirar", a direção parece sem originalidade. O filme fica perdido entre querer ser um drama psicológico e um filme de quadrinhos, mas sem a intensidade de nenhum dos dois.
O roteiro tenta forçar uma
dualidade entre Arthur e o Coringa, mas fica superficial. Essa divisão não era necessária; Joaquin Phoenix poderia fazer isso de forma sutil. No primeiro filme, a gente vê ele se transformar naturalmente pelo que sofre, mas aqui essa evolução perde impacto. É como na série Pinguim, onde a Sofia Falcone vai enlouquecendo e acaba no Asilo Arkham, e isso acontece de forma natural e progressiva.
Delírio a Dois poderia ter seguido uma linha parecida, mostrando o descontrole de Arthur de forma orgânica.
Joaquin Phoenix faz uma boa atuação, como sempre, mas merecia um roteiro à altura. Ele deu tudo de si no primeiro Coringa, mas aqui, a história não permite que ele explore o personagem como poderia. E Lady Gaga? Ela tá ali, mas nem fede, nem cheira. Parece que o único motivo dela estar no filme é pra cantar. Ficou claro que não usaram o potencial dela de verdade.
No fim, Coringa: Delírio a Dois não é nem um drama profundo como o primeiro, nem um bom filme de quadrinhos. Fica no meio do caminho, tentando ser algo que não consegue sustentar.
E eu não vou nem falar do coringa não ser o coringa