Crítica: “O Exorcista” (1973)
Por: Erick Fernandes
O ano é 1973. O diretor William Friedkin torna realidade o romance “O Exorcista” de William Peter Blatty – responsável pelo roteiro - levando sua adaptação do mesmo às telonas. Um filme original que aborda um tema polêmico e nunca, antes, mostrado em fita leva as pessoas ao mais profundo medo. Sim, nunca um filme foi tão assustador. Antes dele, talvez, “O bebê de Rosemary”, mas, ainda assim, insuperável em sua abordagem perfeita do tema e fidelidade ao livro de mesmo nome.
O filme leva um desenvolvimento natural e crescente de acontecimentos, envolvendo cada assunto referente ao tema e fazendo o espectador participar do enredo. O envolvimento com os personagens é inevitável e, tocando no assunto, eis que nos vem os atores que brilham no filme.
O protagonista...não, não é o demônio ‘Pazuzu’, e sim, a garotinha que ele possui: Regan, impecavelmente interpretado por Linda Blair que, de forma impressionante, se utiliza de todos os recursos em si para dar vida e forma ao tão complexo personagem. Sua mãe Chris McNeil, interpretada por Ellen Burstyn nos envolve com seu drama de ver sua filha possuída e se matando e não poder fazer nada para ajuda-la.
Depois de ir a vários médicos e nenhum deles oferecer a ajuda precisa, Chris se vê num dilema até que é orientada e decide optar por um ritual religioso. Para tanto, vai até um padre psiquiatra da cidade, o Pe. Karras que não se vê apto para fazer tal procedimento e aciona a igreja, solicitando a ajuda de um padre mais experiente. Eis que surge o Pe. Merrin.
Muitos não compreendem a importância do Pe. Merrin no contexto da história, pois o filme não aborda esse detalhe. Mas, sim, ele é um dos pontos chave do enredo. Por quê?
Ele é o primeiro personagem que nos é apresentado. Surge no meio do deserto como líder em escavações e encontra vestígios e peças macabras que remetem ao demônio Pazuzu. Após essa primeira cena só aparece no momento do exorcismo onde, ao chegar à casa dos McNeil, é recebido com um grito aterrorizante de Pazuzu dizendo seu nome. Sim, eles já se conhecem. Pazuzu já foi vítima do exorcismo eficaz do Pe. Merrin muito antes de possuir Regan. Por isso, Merrin foi a escolha certa para tal ritual.
Além do desenvolvimento excelente de cenas fortes e drama envolvente, temos a tão esperada cena do exorcismo que, talvez, não poderia ser melhor. Orações poderosas, gritos de tormento advindos de ‘Regan’, sustos, medo e tudo que uma boa cena de terror tem direito. Vale destacar o empenho de Linda Blair em deixar-nos furiosos, ao mesmo tempo em que nos assusta com as reações do demônio que oferece ilusões, mentiras, provocações e uma ‘pancada’ de ironia. Outro detalhe importante que faz deste um grande filme é a sua maquiagem e efeitos visuais. É incrível e todos se perguntam: ‘como uma garotinha tão linda pode se tornar esse monstro horrível?’ Tais detalhes ajudam a assombrar ainda mais quem o vê.
Por fim, o filme se encerra de forma fiel ao livro e, mesmo vendo que Regan está bem e tudo parece voltar ao normal, o diretor nos envolve com sua trilha sonora aterrorizante e melancólica dentro de uma cena vazia onde tudo parece assustar. Um excelente desfecho que nos deixa um ar de medo, terror e nos faz lembrar essa película como um dos maiores filmes de todos os tempos.
Nota: 10