Thor: Amor e Trovão (Thor: Love and Thunder)
"Amor e Trovão" é dirigido por Taika Waititi (diretor do Thor: Ragnarok) que co-escreveu o roteiro com Jennifer Kaytin Robinson. A nova história encontra o Deus do Trovão em uma outra fase de sua vida, em uma jornada muito diferente de tudo que ele já vivenciou anteriormente, uma verdadeira busca pela paz interior. Mas o repouso espiritual de Thor é ameaçado por um assassino galáctico conhecido como Gorr - O Carniceiro dos Deuses (Christian Bale), que tem como propósito uma verdadeira extinção dos deuses.
Devo confessar que eu fiquei bastante surpreso quando ouvi pela primeira vez que teríamos um quarto filme do Thor, pois realmente eu não esperava que o personagem seguisse em mais uma aventura solo após o "Ragnarok" e principalmente após o encerramento épico de "Vingadores: Ultimato". De fato eu achava que o Thor fosse seguir o mesmo caminho do Capitão América e do Homem de Ferro, que é apenas a trilogia solo, mas para a nossa surpresa eis que o quarto filme do Deus do Trovão está entre nós.
Pelos trailers e pela sinopse, "Amor e Trovão" soa como uma produção bastante instigante, pois eu realmente estava muito curioso e animado com a volta da Jane Foster (Natalie Portman) e em descobrir como ela se tornou a Poderosa Thor.
Taika Waititi aposta novamente em elementos usados em "Ragnarok" e nos traz um filme leve, extrovertido, cheio de piadas...apesar de não ter gostado tanto assim no filme anterior. Porém, dessa vez ele queria diferenciar apostando em uma história mais romântica (como o próprio título do filme sugere), ou até mesmo em uma nova aventura do Deus do Trovão inspirada nas produções dos anos 80. E devo confessar que sua ideia funciona (em partes), pois realmente o longa está inserido em uma temática anos 80, tanto pela paleta de cores, pela fotografia, pelo logotipo do título, pela trilha sonora. Realmente o Taika buscou se inspirar o máximo que conseguiu na essência oitentista.
Por outro lado a Marvel não inova e se mantém na já batida fórmula que sempre funcionou anteriormente. Realmente o Universo MCU anda pecando bastante no quesito inovação e roteiro, pois aqui temos um roteiro bem mediano, bem normal, de certa até perdido em alguns pontos...como o fato de navegar na comédia, no drama, no romance e não desenvolver bem nenhum dos temas, apenas uma válvula de escape na construção da nova história. Ok, pode até funcionar em uma produção do Marvel Studios, visto que o direcionamento principal de suas produções sempre foram em prol do entretenimento e da diversão, aquela típica produção totalmente descompromissada e despretensiosa. Mas confesso que esta fórmula já está bem gasta, em até certo ponto, bem cansativa.
O próprio "Thor: Ragnarok" foi um filme que me incomodou demais no quesito alívio cômico (e aqui é a mesma coisa), pois me parece ser uma exigência que a cada um minuto tenha algum tipo de piada na trama, para dar aquela suavizada e fazer o público gargalhar na sala de cinema. Exatamente a fórmula que já está bem gasta no MCU como citei acima. Também entendo que este é um estilo próprio do Taika Waititi, por ele ser do meio comediante, mas é uma opinião muito própria, pois de fato este estilo que o Taika impõe em seus filmes no MCU pode agradar uns e desagradar outros.
Chris Hemsworth faz o que sabe de melhor como Thor, isso sempre foi inquestionável, principalmente aquele timing que ele tem pra soltar as suas piadas.
Natalie Portman foi o meu maior incentivo em querer ver o filme no cinema na semana de estreia. A Jane Foster sempre foi uma personagem que eu sempre gostei na franquia, sempre tive muito empatia por ela...tanto no primeiro filme e principalmente no segundo (por sinal, Thor: O Mundo Sombrio é um filme que eu gosto). Gostei muito da Poderosa Thor, achei bem encaixada na personagem e a Natalie deu aquele toque magistral de caracterização que só ela sabe dar. Apesar que poderia ter um pouquinho mais de desenvolvimento na personagem, principalmente na parte onde a Jane entra em contato com os pedaços do Mjölnir, ali eu queria que o Taika tivesse se aprofundado em sua transformação e nos mostrado como tudo ocorreu pela primeira vez. Mas infelizmente ela já aparece transformada na Poderosa Thor e vida que segue.
Christian Bale é FODA demais! Atorzaço! Um dos melhores da sua geração!
É realmente impressionante como o Bale se dedica em todos os seus trabalhos, se entrega de corpo e alma para todos os seus personagens, e aqui não foi diferente, pois o Gorr - O Carniceiro dos Deuses, é mais um grande trabalho de interpretação e caracterização de Christian Bale. Gostei muito do estilo dark, gótico e mórbido do Gorr, funcionou perfeitamente, ficou um ótimo vilão, principalmente pelo toque de gênio na atuação de Christian Bale, onde até a sua voz nos impressionava. Mas também devo dizer que poderiam ter utilizado melhor o Gorr, principalmente nas batalhas, onde uma luta épica entre o assombroso Gorr, a Poderosa Thor e o Deus do Trovão não faria mal a ninguém.
Taika Waititi tem uma veia única para a comédia e isso ficou totalmente explícito em seu personagem Korg, por sinal uma ótimo personagem, que sim, com ele eu consegui me diverti.
Tessa Thompson está bem descolada em sua Valquíria...funciona e não chega a comprometer (apesar que aquela cena dela com a Jane ouvindo música na caixinha assim do nada é bem besta - Jesus).
Russell Crowe é um ator que eu gosto bastante e tinha uma certa curiosidade em descobrir como funcionaria o seu personagem no filme. Mas ficou apenas na curiosidade mesmo, pois achei o seu personagem bem ruinzinho, muito mal utilizado, quase um desperdício de talento.
Outro ponto que me incomodou bastante no filme...aquela trilha sonora Guns N' Roses. Eu adoro Guns, acho uma das maiores e melhores bandas de todos os tempos, curto bastante mesmo, até hoje. Mas eu achei que pesaram a mão no quesito Guns N' Roses no filme, achei muito exagerado e até sem necessidade, principalmente por quase todas as cenas de maiores destaques sempre ter a obrigação de entrar uma música do Guns de fundo. Realmente eu estava mais interessado no filme e não em ouvir uma playlist do Guns quase que em todos os momentos.
"Thor: Amor e Trovão" é um bom filme, ele diverte, ele entretém, funciona exatamente em seu maior objetivo, que é exatamente esse. Mas por outro lado o filme é bem aquém do que eu esperava, apesar de não ter criado grandes expectativas baseado na experiência que eu tive com o filme anterior.
Destaque para as duas cenas pós-créditos, por sinal bastante curiosas com o futuro dos personagens. [08/07/2022]