Homem com H
Média
4,0
360 notas

119 Críticas do usuário

5
50 críticas
4
26 críticas
3
14 críticas
2
12 críticas
1
6 críticas
0
11 críticas
Organizar por
Críticas mais úteis Críticas mais recentes Por usuários que mais publicaram críticas Por usuários com mais seguidores
anônimo
Um visitante
4,5
Enviada em 17 de junho de 2025
Uma Ode à Liberdade e à Arte de Ney Matogrosso

Homem com H (2025), dirigido e roteirizado por Esmir Filho, é muito mais do que uma simples cinebiografia—é uma celebração da vida, da arte e da resistência de um dos artistas mais transgressores da música brasileira: Ney Matogrosso. Baseado no livro Ney Matogrosso: A biografia, de Julio Maria, o filme mergulha na trajetória do cantor, desde sua infância marcada por conflitos familiares até sua ascensão como ícone da contracultura e da liberdade sexual em um Brasil ainda dominado por conservadorismos. Com uma produção cuidadosa, atuações impressionantes e uma direção sensível, o longa se consolida como uma das melhores biografias cinematográficas já feitas no país, equiparando-se a obras internacionais como Bohemian Rhapsody (2018) e Rocketman (2019) .

A Narrativa: Entre a Dor e a Revolução

O filme estrutura-se como uma jornada temporal, começando pela infância de Ney em Bela Vista, Mato Grosso do Sul, onde enfrenta a repressão de um pai militar (interpretado por Rômulo Braga) e a descoberta de sua identidade queer em um ambiente hostil. A narrativa alterna entre momentos cruciais de sua vida, como sua entrada no grupo Secos & Molhados—que o projetou nacionalmente—e sua carreira solo, marcada por performances ousadas e uma estética que desafiava os padrões de gênero da época .

Um dos grandes méritos do roteiro é evitar a linearidade convencional das biografias. Em vez de simplesmente listar eventos, o filme constrói uma trama emocionalmente coesa, onde cada música, cada performance e cada conflito pessoal contribuem para a formação do artista. A relação conturbada com o pai, por exemplo, é um fio condutor que ecoa em várias fases da vida de Ney, culminando em uma cena poderosa em que o cantor se apresenta no palco enquanto o pai, na plateia, tenta reconciliar-se com o filho que nunca conseguiu entender.

No entanto, alguns críticos apontam que o filme perde um pouco de fôlego nos últimos vinte minutos, quando acelera sua cronologia para abarcar décadas mais recentes da vida do artista, tornando-se um tanto episódico . Ainda assim, essa escolha não diminui o impacto geral da obra, que prioriza a essência da mensagem de Ney: a busca incansável pela liberdade.

A Direção e a Estética: Um Espetáculo Sinestésico

Esmir Filho, conhecido por suas obras que exploram vivências queer (como Boca a Boca e Os Famosos e os Duendes da Morte), traz uma sensibilidade única para Homem com H. Sua direção evita clichês do gênero biográfico, optando por sequências oníricas e uma fotografia luxuriante (assinada por Azul Serra) que capturam a teatralidade e a intensidade das performances de Ney.

As cenas musicais são um dos grandes trunfos do filme. Diferentemente de outras biografias, em que as canções são meramente inseridas como hits nostálgicos, aqui elas funcionam como extensões narrativas. "Homem com H", "Bandido Corazón" e "Rosa de Hiroshima" não só marcam momentos-chave da carreira do artista, mas também refletem seu estado emocional e sua evolução como ser humano.

A reconstituição de época é impecável, com figurinos exuberantes e cenografias que recriam com fidelidade os palcos dos anos 1970 e 1980. O investimento de R$ 18 milhões na produção é visível em cada frame, mas o filme nunca cai no excesso estilístico—tudo serve à narrativa e à personalidade multifacetada de Ney.

As Atuações: Jesuíta Barbosa e a Encarnação de um Ícone

Sem dúvida, o coração do filme é a atuação de Jesuíta Barbosa como Ney Matogrosso. Mais do que uma imitação, Barbosa entrega uma encarnação do artista, capturando não apenas seus trejeitos e sua voz, mas também sua vulnerabilidade, sua ferocidade e sua sensualidade. Como destacam várias críticas, há momentos em que o ator desaparece e só resta Ney na tela.

A preparação física e emocional de Barbosa é evidente—desde a postura andrógina até os olhares penetrantes que alternam entre desafio e dor. Em cenas como a apresentação de "Homem de Neanderthal", onde Ney confronta simbolicamente o fantasma do pai, ou nos momentos íntimos com seus amantes (interpretados por Bruno Montaleone e Jullio Reis), o ator demonstra uma gama impressionante de nuances.

O elenco de apoio também merece destaque:
- Rômulo Braga, como o pai militar, traz uma complexidade rara ao antagonista, evitando a caricatura do homem rígido e mostrando um conflito interno genuíno.
- Jullio Reis, no papel de Cazuza, equilibra carisma e melancolia, em cenas que tratam da amizade e das perdas causadas pela AIDS com dignidade, sem cair no melodrama .
- Hermila Guedes, como a mãe de Ney, oferece um contraponto emocional essencial, representando o afeto que o cantor buscou a vida toda.

A Sensualidade e a Quebra de Tabus

Homem com H não tem pudor em explorar a sexualidade de Ney Matogrosso—algo raro em biografias brasileiras, que costumam romantizar ou omitir a vida íntima de seus protagonistas. As cenas de sexo, embora explícitas, não são gratuitas; elas reforçam a temática central do filme: a liberdade do corpo e do desejo em uma sociedade repressiva.

A direção de Esmir Filho lida com essas sequências de forma artística, quase coreográfica, transformando-as em celebrações de autonomia e prazer. Em um país onde a homofobia ainda é estrutural, essa representação sem censura é, por si só, um ato político.

Homem com H não é apenas um filme sobre Ney Matogrosso—é um filme sobre resistência, arte e a coragem de existir fora dos padrões. Com uma direção ousada, atuações memoráveis e um roteiro que equilibra drama e celebração, a obra consolida-se como um marco do cinema brasileiro contemporâneo.

Como bem resume a dedicatória final: "Para Ney Matogrosso, por ousar ser livre", o filme é um tributo àqueles que, mesmo diante da repressão, escolhem viver com autenticidade. E, nesse sentido, Homem com H cumpre sua missão com maestria—não apenas contando uma história, mas imortalizando um legado.

Uma obra imperdível, tanto para fãs de Ney quanto para quem aprecia cinema de qualidade.
Kleber L.
Kleber L.

8 seguidores 168 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 16 de maio de 2025
Filme muito bom e ótima iniciativa ao ser feita tão bela obra com o Ney ainda em vida! Ótima atuação de Jesuíta Barbosa e história de um modo geral emocionante, comovente e engrandecedora!
Denize Nobre
Denize Nobre

2 críticas Seguir usuário

0,5
Enviada em 16 de julho de 2025
Sinceramente não vi resistência ou luta nenhuma nesse filme. Os artistas como Ney usavam dupla personalidade e isso é bem visível nessa produção. Oura coisa: pra quê tantas cenas explicitas de sexos e exibição de orgãos sexuais. Me lembrou muito os filmes brasileiros de antigamente... Salva-se a interpretação de Jesuíta Barbosa que é um excelente ator!
Diogo Codiceira
Diogo Codiceira

24 seguidores 895 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 28 de junho de 2025
Homem com H é um filme nacional, uma cinebiografia de Ney Matogrosso. O filme contou com a direção e roteiro de Esmir Filho. O filme é baseado no livro de Julio Maria, Ney Matogrosso: a biografia. O filme procura conta a história da vida do cantor e ator Ney Matogrosso (Jesuíta Barbosa) em suas diferentes fases. Desde sua infância até a sala vida adulta. Devemos reconhecer que fazer uma cinebiografia não é tarefa fácil e ainda mais sendo de uma figura como Ney Matogrosso que teve ao longo de sua vida muitas rupturas. Precisamos falar que o sucesso alcançado desse filme se deve a entrega de Jesuíta Barbosa, onde encarnou o espírito do Ney em diferentes momentos de sua vida. Mesmo com uma potente criação de imagens ao longo do filme (aspecto que mais ajudou na direção), o filme teve dificuldades em articular as diferentes fases da vida do Ney. Além da estrutura da trilha sonoro não conseguir acompanhar à narrativa (um pecado para alguém tão musical quanto o Ney). A narrativa se organiza em quadro soltos. A trajetória diante do preconceito sofrido, o contato com outros artistas como o Cazuza e até mesmo o Gonzaguinha foram bons. Mas não ficou legal a ideia de cruzar o passado e o presente de Ney, Pareceu ser algo bem preguiçoso da parte do roteiro.
Alva Alva
Alva Alva

1 crítica Seguir usuário

0,5
Enviada em 20 de julho de 2025
Retrata um dos maiores artistas que esse pais ja teve, como apenas um gay q transava muito. spoiler:
Otavio Barros
Otavio Barros

1 crítica Seguir usuário

4,0
Enviada em 3 de maio de 2025
A excelente atuação de Jesuíta Barbosa faz do filme uma obra que reverencia de forma justa a história de Ney Matogrosso, um dos maiores artistas de nossa história. Merece ser visto.
Rafael Manini
Rafael Manini

1 crítica Seguir usuário

2,0
Enviada em 16 de maio de 2025
Um filme sobre um artista fantástico e com uma voz incrível. O talento é indescritível. Tinha tudo para ser sucesso, mas se perdeu no desenrolar da trama. O que era pra ser uma biografia, no fim se tornou um "sodoma e gomorra. Tem que ser muito fã e extremamente mente aberta para assim diferir este filme. Gostei do enredo, de comhecer a história, mas poderiam ter aproveitado os minutos para contar mais dele, sobre como ter sido superar as perdas de pessoas próximas para a AIDS (essa parte foi tao, mas tão superficial). Mas enfim, preferiram focar nas cenas de se x0 sem compromisso. No fim, essa é a mensagem que ficou na minha mente pois a historia real foi ofuscada
Nino Moussa
Nino Moussa

1 seguidor 10 críticas Seguir usuário

2,0
Enviada em 26 de junho de 2025
O filme Homem com H teve como única vantagem o talento do ator Jesuíta Barbosa que literalmente carregou o filme nas costas. Mal escrito, dirigido e de uma pobreza de produção muito longe do que a poderosa Netflix oferece aos filmes estrangeiros. Ney Matogrosso tem 83 anos e centenas de histórias marcantes de sua vida e carreira para contar. O resultado final ficou insonso. Um estagiário teria feito coisa melhor.
Fábio Lavezo
Fábio Lavezo

1 crítica Seguir usuário

1,0
Enviada em 21 de junho de 2025
Um dos piores filmes que já assisti. Infelizmente uma homenagem muito literal e rasa a um artista de quem sou tão fã. Diálogos que se limitam a frases clichés. Não deixou espaço para qualquer interpretação.
Escala lixística de filmes mal feitos.
Escala lixística de filmes mal feitos.

25 críticas Seguir usuário

0,5
Enviada em 4 de maio de 2025
lixo.
Quer ver mais críticas?
  • As últimas críticas do AdoroCinema
  • Melhores filmes
  • Melhores filmes de acordo a imprensa