"Tudo é esquecido com o tempo. Impérios caem. Bem como imperadores."
Gladiador II ocorre 16 anos após a morte de Maximus Décimus (Russell Crowe) e Marco Aurélio (Richard Harris), a partir desse tempo, Roma passou a ser governada pelos gêmeos imperadores Geta e Caracalla (Joseph Quinn e Fred Hechinger), o império está em seus últimos momentos. Entre esse declínio do império romano, somos reapresentados a Lucius (Paul Mescal), filho de Maximus e Lucilla ,(Connie Nielsen), que após o império romano destruir sua família e lar, ele se torna um gladiador, pertencente a Macrinus (Denzel Washington), um negociante de escravos, que fará de tudo para ter poder.
Ridley Scott foi conhecido por trazer em sua carreira cinematográfica filmes com grandes cenas épicas, recriação dos mais famosos combates históricos, tendo como exemplo a batalha de Waterloo (retratada em Napoleão), ademais, também ficou conhecido em realizar filmes com embasamento histórico e fazer algumas mudanças, sendo o maior de Ridley, o primeiro Gladiador.
Com uma história concluída e sem a aparente necessidade de uma sequência, pareceu arriscado realizá-la 24 anos depois do original. Uma tarefa consideravelmente difícil, recriar o sucesso que o primeiro realizou, infelizmente Ridley seguiu ao pé da letra.
A narrativa flerta diversas vezes com o roteiro do primeiro filme, sendo perceptível muitas semelhanças, como a trajetória de Lucius e sua motivação. De início, um desapontamento pode surgir em relação a história, em especial para aqueles que buscavam uma narrativa tão grandiosa assim como no primeiro.
Contudo, o filme começa a trilhar uma nova abordagem sobre Roma, uma que se rendeu à corrupção e a sede de poder, a narrativa que antes aparentava ser uma versão parafraseada do primeiro Gladiador, transforma-se em um ótimo thriller político, preenchido de manipulações, assassinatos e segredos, um jogo mortal que todos os personagens estão orquestrados por Macrinus.
Em uma das mais notáveis atuações de sua carreira, Denzel Washington entrega um papel surpreendente, que aparentava ser um personagem raso, revelou-se um sujeito sombrio e profundo, com diversas camadas, que envolvem poder, vingança e sobrevivência.
O grandioso destaque do filme, o responsável pelos inúmeros relatos dos atores e responsáveis pela produção do filme, principalmente pelo diretor Ridley Scott, as tão faladas cenas de combate no Coliseu e não era exagero.
Apesar das incoerências históricas, Ridley Scott cria cenas sensacionais, a utilização de animais como rinocerontes, macacos e até tubarões tornam as cenas mais tensas e devidamente extremas.
Adicionalmente com a violência, os combates entre os gladiadores que anteriormente eram mortais, se tornam brutais.
O melhor da história, apesar de todos os seus problemas, encontram-se na mensagem e as inferências com a realidade.
Tanto Lucius e Macrinus apresentam dilemas e motivações reais, no qual uma reflexão sobre política, dor, poder e ganância surge e permeia por toda obra.
Em suma, Gladiador 2 carece de uma narrativa que sempre busca o sucesso de seu antecessor. Portanto, ao abordar a decadência de Roma e o envolvimento dos personagens no que se refere aos dilemas que a cercam, a história evolue em muitos aspectos. Similarmente, os conflitos entre os gladiadores são o destaque no filme, apresentando novas maneiras de renovar uma ideia previamente desenvolvida.