Depois de ser filmado, cancelado, engavetado e quase desaparecer, o longa chega aos cinemas com uma história que parece ter sido escrita para zombar do próprio estúdio que tentou enterrá-lo.
E o melhor é que o filme não vive só dessa ironia. Existe humor de verdade, carinho pelos Looney Tunes e uma boa relação entre Kevin e o Coiote, que funciona sem precisar transformar Wile E. em outra coisa. Ele continua caindo, explodindo, levantando e tentando de novo.
Também ajuda que o roteiro use décadas de fracassos com produtos da ACME como material para um thriller jurídico infantil completamente absurdo.
É difícil não gostar de um filme sobre persistência que precisou persistir por anos só para existir. Talvez o maior plano do Coiote tenha sido simplesmente chegar aos cinemas.
"Coyote vs. Acme" tem uma ideia simples, mas bastante criativa ao misturar animação e live-action para expandir uma das histórias mais conhecidas dos Looney Tunes. A trama acompanha Wile E. Coyote, que, depois de tantas tentativas frustradas de capturar o Papa-Léguas, decide levar a Acme Corporation aos tribunais. A partir disso, o filme encontra uma maneira divertida de transformar os erros do personagem em um conflito maior, explorando justamente o absurdo por trás dos produtos que sempre dão errado. O roteiro consegue com essa premissa sem perder de vista a essência do Coyote, construir uma história contemporânea que ainda mantém o espírito irreverente dos desenhos clássicos.
A fidelidade aos Looney Tunes é um dos maiores acertos do filme. O humor inspirado no trabalho de Chuck Jones continua muito presente, principalmente nas situações absurdas, que simplesmente deixam de existir e nas placas escritas à mão pelo próprio Coyote. Esses elementos não aparecem apenas como referências nostálgicas, mas fazem parte da identidade da história e ajudam a manter o personagem reconhecível mesmo dentro de uma proposta diferente. O roteiro também consegue inserir pequenas referências aos curtas clássicos de maneira natural, mostrando um cuidado evidente com o material de origem sem transformar o filme em uma sequência de referências.
A mistura entre animação 3D e live-action também funciona muito bem. A integração dos personagens animados com os cenários e atores acontece de forma natural, fazendo com que o Coyote pareça realmente pertencer àquele mundo. Mais do que simplesmente combinar duas técnicas diferentes, o filme utiliza essa mistura para reforçar o contraste entre o universo absurdo dos Looney Tunes e a realidade em que a história está inserida. O resultado é visualmente divertido e ajuda a tornar as situações mais inusitadas ainda mais naturais dentro da proposta do filme, sem deixar a presença dos personagens animados parecer deslocada.
A relação entre o Coyote e o personagem interpretado por Will Forte também é um dos pontos que dão mais vida à narrativa. A química entre os dois funciona de maneira bastante natural e contribui tanto para o humor quanto para os momentos mais emocionais. Will consegue acompanhar o exagero característico do personagem animado sem tentar competir com ele, enquanto o Coyote mantém sua personalidade. Essa dinâmica faz com que a história judicial tenha mais peso e permite que a jornada do personagem seja acompanhada não apenas pelas situações engraçadas, mas também pelo desejo genuíno de finalmente conseguir enfrentar aquilo que sempre esteve contra ele.
"Coyote vs. Acme" ganha uma camada simbólica ao transformar a luta do Coyote contra a Acme em uma história sobre alguém tentando enfrentar uma estrutura muito maior do que ele. A ideia de uma grande corporação sendo responsabilizada pelos inúmeros problemas causados por seus produtos funciona como uma extensão natural da própria trajetória do personagem. Essa leitura se torna ainda mais interessante quando lembramos da história real do filme, que quase foi cancelado e precisou enfrentar sua própria batalha para continuar existindo. Essa conexão entre a ficção e a realidade dá um significado inesperado à comédia e faz com que a produção pareça ainda mais especial. No fim, "Coyote vs. Acme" consegue respeitar a essência dos Looney Tunes, aproveitar seus elementos mais clássicos e, ao mesmo tempo, construir uma história própria, divertida e cheia de personalidade.
Uma mistura live-action e animação clássica para transformar décadas de frustrações de desenho animado em uma sátira jurídica afetuosa e inteligente. Todo o elenco está interagindo muito bem e as pontas de outros Looney Tunes são um show a parte. O filme supera a mera curiosidade e proporciona ao espectador emoção, nostalgia e uma certa dose de drama nas cenas finais.
Após anos longe das telonas, o tão esperado filme do universo Looney Tunes chega aos cinemas com uma aprovação de 95% da crítica no Rotten Tomatoes.
Na trama, Wile E. Coyote decide processar a Acme pelos seus produtos, já que o Coyote sempre sofre com suas experiências ao persistir em usar as invenções da famosa empresa.
O longa explora os personagens da franquia Looney Tunes e suas frustrações com os produtos da Acme, trazendo também um toque de nostalgia e aquele humor característico dos desenhos clássicos. Dessa forma, o live-action consegue explorar mais a fundo o universo dessa dupla imbatível: Coyote e Papa-Léguas.
Recomendo para quem curte o gênero e, principalmente, para os fãs de Looney Tunes que sentem saudade daquele humor clássico.
Um dos filmes mais legais desse ano, a prova que a Warner não sabe administrar o que é bom e o que é ruim na hora de lançar.
Claro que acredito que toda a história do cancelamento e depois a compra da distribuição do filme pela Katchup ajudou a alavancar o filme, mas não seria um sucesso se a história fosse ruim.
Para mim que cresci com os Looney Tunes na TV, esse filme é uma homenagem direta, principalmente por usar os diferentes personagens da empresa em toda a história.
Um filme cativante e um abraço a tudo que os LT um dia representaram para a TV e pro cinema e uma história perfeita para apresentar tais personagens para a nova geração. A mistura de animação com Live-Action além de cenas antigas do próprio desenho, deixaram o filme bom característico e bem construído.
Um filme muito bacana para ir assistir com os filhos. Eu, com meus 45 anos, pude relembrar os desenhos nostálgicos da minha infância e dar boas gargalhadas. O enredo é simples, mas cativante. O que achei bacana foi o foco no Coyote e Papa-léguas. Os demais Looney Tunes aparecem, mas sem destaque, e achei isso bacana.
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