Aniara é um filme sueco de ficção científica/drama que contou com a direção e roteiro de Pella Kågerman e Hugo Lilja. Na trama, diante da destruição do planeta Terra, uma nave que promete levar a sua tripulação para Marte em apenas em 3 semanas, acaba saindo do seu percurso e passa a vagar no espaço sem direção. A medida que suas esperanças vao se frustrando somos convidados a refletir o lugar no universo. Aniara tem uma ótima premissa: Terra devastada e o fio de esperança de colonizar Marte vai pir água abaixo. O roteiro acerta em nao perder tempo explicando os motivos do colapso na Terra, assim como delimita bem e passamos e entender que esse tipo de viagem já foi feita com outras naves e que todas deram certo. Até da para passar pano no que é mostrado dentro da nave: um especie de shopping intergalatico ( e da pra ver que o filme todo foi gravado no shopping). Ainda usam algumas tomadas do espaço e da nave para oferecer uma ambientação. Na trama, acompanhamos a protagonista Mimaroben (Emelie Garbers), que faz parte da tripulação do Aniara e é responsável por uma sala de terapia de realidade virtual com inteligência artificial chamada MIMA. É interessante que a terapia era pouco procurada, mas diante do colapso e da impossibilidade de voltar a trajetória a Marte, o número de pacientes elevam. A ideia de pertencimento, de um lugar para chamar de seu ( um mini-planeta) é bem aceito na trama. Porém, a apartir daí o roteiro e a direção vai se deteriorando. Perde-se uma oportunidade de ouro de diálogos mais profundos sobre a condição humana e a solidão do espaço. Os personagens vao se esvaziando, pois o roteiro vai errando a mao ao misturar questões religiosas e míticas na trama. Parece nao existir uma separação. Até tem uma personagens cética, que divide o quarto com a protagonista, mas dao pouco destaque e ela nao faz o choque necessário. Além da necessidade de relacionamento e filho entre Mimaroben e Isagel (Bianca Cruzeiro) torna-se esvaziado. Talvez esse esvaziamento tenha acontecido com os saltos de tempo que o roteiro vai oferecendo, cada vez mais longo. Apesar do sucesso comercial que o filme causou na Suécia, nao consegue desenvolver elementos básicos para uma boa trama espacial. Embora o desfecho seja impactante, mas ainda sim previsível. Vale lembrar que Aniara (o nome vem de uma palavra do grego antigo que significa "desespero") é baseado em um poema épico de 1956 do ganhador sueco do Prêmio Nobel, Harry Martinson