Acabo de terminar de assistir o filme “Réquiem para um sonho” e eu sei que me faltarão palavras para descrever tal obra. Me interessei por tal longa devido ao fato de já ter lido um livro de mesmo nome e, consequentemente, saber o interessante significado dessa peculiar palavra.
É simplesmente fenomenal, ao ponto de fazer você se sentir na ponta de uma faca. Não chorei ao vê-lo, devido ao estado de choque em que me encontrava.
Eu via tudo desmoronando para os personagens e era incapaz de conter o meu desespero. Minha vontade primitiva era de gritar ou chorar ou permanecer quieta com os olhos vidrados na tela, que foi o que eu fiz. Harry, ao perder o seu sonho, me fez perder todas as minhas ínfimas esperanças de que algo pudesse ocorrer bem no final do filme. Sua vivacidade no começo do filme vai se esvaindo de seu corpo gradualmente e o telespectador, obviamente, não pode fazer nada à respeito, o que é extremamente angustiante. Tyrion, ao perder sua liberdade, me fez querer derreter sobre o sofá e desaparecer. Suas lembranças de sua mãe são tão pequeninas e singelas, mas tão tocantes, que nos fazem pensar e pensar e pensar em como sua vida simplesmente ruiu. Marion, com a sua sede por mais, me fez desintegrar assim como as letras no início do filme. Seu caminho e onde chegou me fazem querer entrar dentro do filme, pegar sua mão e ajudá-la a sair de tal limbo — mesmo agora após já ter terminado o filme. Por fim, Sara Goldfarb. Falharei em encontrar palavras para descrever essa personagem, eu sei disso. Ao perder sua mente, essa senhora solitária fez meu coração se estilhaçar em milhões de pedaços. Seu vício, criado durante o longa, é de se angustiar por si só, fazendo com que nossos olhos fiquem vidrados, e o corpo tenso. Sem dúvidas, é um filme ideal para os que se afeiçoam pela mente humana, e que possuem uma força significativa para não se esfacelar em meio aos inúmeros cortes. Eu poderia falar sobre a relação de Marion com um vestido vermelho no píer, sobre as “refeições” de Sara e suas cores, sobre a exposição das estações do ano ao longo do filme, sobre o frenético hip-hop montage ou ainda sobre a trilha sonora envolvente e perturbadora, mas não se torna necessário, após o último “I love you too, ma”.
Inspirada demais, acredito que eu tenha acabado de escrever um monólogo que, tal qual todos os outros, nunca se aproximará do “vestido vermelho”.
Avaliação: angustiante e frenético e desesperador e envolvente e perturbador.