Ainda Estou Aqui
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4,4
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361 Críticas do usuário

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O bão do Marcelão
O bão do Marcelão

19 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 9 de fevereiro de 2025
Geralmente as pessoas querem saber com antecedência se um filme é bom ou não. Um dos meios para satisfazer tal curiosidade é ler a crítica sobre esse filme em questão. Antes de entrar em grande circulação, os críticos vão compor plateia a fim de escrever quais são suas impressões. Depois, é só botar nos meios de comunicação (preferencialmente a Internet e as publicações especializadas em cinema). Particularmente, não sei se este fenômeno aconteceu com “Ainda Estou Aqui”, dirigido pelo aclamado diretor brasileiro Walter Salles Jr. – o mesmo que já dirigiu outras belas películas como “Central do Brasil” e “Diários de Motocicleta”.
Em vez de achar a causa ou o efeito sobre o sucesso acerca de “
Ainda Estou Aqui”, vamos nos ater aos aspectos técnicos e de narrativa dessa nova sensação Brasil afora. Sim, não há como negar os fatos de que “Ainda Estou Aqui” anda atraindo holofotes e luzes: é a película de produção nacional mais assistida nos últimos anos, recebeu o prêmio “Globo de Ouro” por Fernanda Torres e, mais recentemente (notícia fresquinha) ganhou como melhor filme na Espanha – ele conseguiu o Prêmio Goya. Isso depois de ser indicado três vezes ao Oscar, a cereja do bolo, o cume da premiação cinematográfica.
Detalhes relatados pelos participantes das filmagens (incluindo o elenco) revelam que o desenvolvimento e a feitura da película foram sendo costurados em conjunto com os descendentes da família Paiva. A cada desenrolar, era preciso checar tudo nos mínimos detalhes, desde os momentos cotidianos até o contexto social e político daqueles adolescentes dos anos 60, rodeados e cercados por uma ditatura militar severa, em seu limiar mais obscuro e cruel mostrado na telona.
Primeiramente vale ressaltar a semelhança física entre o casal Rubens e Eunice Paiva com os atores Selton Mello e Fernanda Torres. Uma preciosidade que não dá para passar despercebido.
O filme começa com a diversão na praia, típica de uma família comum do Rio de Janeiro nos anos 70. Os cinco filhos mais os pais levam a vida normal, ao passo que no escritório de Rubens, há uma movimentação e a circulação de correspondência que chamaria a atenção daqueles que estão no Poder ou os representam.
O engenheiro que antes fora deputado federal é “convidado” certo dia por “companheiros” que o levam para um interrogatório. O propósito é obter mais informações e esclarecimentos sobre a movimentação das pessoas em sua casa. Até mesmo Rubens acreditaria que voltaria para casa no dia seguinte. Eis o gancho para contar a história verídica de um dos casos mais emblemáticos e lembrados quando se trata de Direitos Humanos, violação de direitos, coação e uso de tortura e da máquina governamental.
A cena de adeus feita na porta da casa e a troca de olhares entre Eunice e Rubens são um belo exemplo do que se verá nas sequências. Poucas falas, muito gestual e uso da câmera concentrada nas expressões faciais dos artistas. Talvez um paralelo entre a mordaça imposta pela censura e restrição de liberdade de expressão com os gestos indisfarçáveis do corpo?
Simultaneamente à angústia do sumiço do marido, a Eunice real encarnada por Fernanda Torres se depara com problemas criados pela ausência de uma peça-chave da família. Cuidar dos filhos, procurar informações sobre seu marido, ser vigiada e ainda lidar com o medo geral e a recusa de pessoas próximas em dizer o que sabem.
A intensidade da película fica mais sombria, quando Eunice é interrogada sob pressão e sem consequências previsíveis quanto ao seu futuro. Corajosa, persiste em saber a respeito do paradeiro do marido. É na delegacia repressora que chega a encontrar uma de suas filhas. Outro ponto que dá para sentir frio na espinha. Mais ainda quando se revela que a matriarca passou quase 2 semanas trancada num ambiente que lembra bem o Holocausto Judaico.
Sem ser dramático ou querer fazer apologia de temas mais democráticos (o que era impossível naquele começo dos anos 70), o filme não descamba ou cai na tentação de algo panfletário ou de levantar a bandeira da liberdade.
Ele possui a sabedoria de se concentrar na figura de Eunice Paiva. Aliás, essa concentração na personagem se torna um desafio para Fernanda Torres. Por meio do gestual, dos contatos sociais com amigos e conhecidos e a convivência com seus filhos, a película se mantém consistente e consegue se sustentar até o final, num ritmo que mistura comoção, fé e união de toda a família Paiva. É inegável que Eunice busque blindar e proteger a qualquer custo seus filhos da crueza de tempos difíceis e opressores. Fernanda transmite isso muito bem a todo instante. Um trunfo não só para a atriz, como ela deseja transparecer a fibra das coisas vividas na pele pela própria Eunice.
A película pula alguns anos, sob justificativa de mostrar alguém com força interior suficiente para se formar em Direito pouco antes dos 50 anos. Além de defender causas ligadas às atrocidades da Ditadura Militar, Eunice se destacou em causas indígenas.
Ao invés de escolher uma militante combativa e lutadora, Walter Salles Jr. prefere mostrar ao público sentado na poltrona, alguém mais plácido, engajado em sua profissão de advogada, cuidadoso e preocupado com seus filhos. Companheiro. Ainda assim, permeado pelas sensações de tensão de um passado traumático, enigmático e sem reparação.
Mesmo com esses elementos presentes, é revigorante reencontrar uma Fernanda Montenegro interpretando Eunice Paiva em seus últimos anos. Apesar de ela não proferir nenhuma palavra, isso é um reforço na aposta da direção do filme em se concentrar nos gestos ou no silêncio forçado de uma época conturbada. Época que encontra eco bem vivo em Eunice e no seu silêncio – uma espécie de censura inconsciente?
O livro base de Marcelo Rubens Paiva tem o mérito de ser o fio condutor para alertar os mais jovens sobre a real existência dos “anos de chumbo”. Prática que tem sido contestada e sob ameaça de ser derrubada pelo negacionismo e falta de informação, sintomas vívidos de uma praga que invade e deturpa a atual sociedade brasileira.
Dizem que os filmes nem sempre obedecem às narrativas dos livros originais. Não dá para saber se “Ainda Estou Aqui “ se encaixa nessa condução. O melhor é que não! História viva precisa ser contada e recontada. “Ainda Estou Aqui” tem essa virtude e não se esgota em si. Pelo contrário, é mais uma oportunidade para não repetir erros cometidos na História real do Brasil e de vários países latino-americanos.
Com certeza, a curiosidade das pessoas e a checagem daquelas que viveram o período turbulento impulsionam tanto a realidade que passa na sétima arte, bem como o estímulo a refletir se não estamos à mercê de um outro tipo de ditadura: a pós-verdade, a negação das big techs em fazer um papel mais digno nas democracias mundiais, a manipulação da informação e a desconfiança em relação a tudo e a todos. Só que de modo mais sutil, mas não menos presente e preocupante.
Por fim, o título do filme, o qual se baseia no título do livro de Marcelo Rubens Paiva, nos instiga e faz uma chacota conosco. Insiste, persiste, teima seja lá o que for. Com certeza, conquistou e permanecerá nas listas das produções nacionais por um bom tempo. Ou quem sabe por muito tempo, pois ele “ainda está aqui” diante dos nossos olhos.
Gazevedo
Gazevedo

2 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 9 de fevereiro de 2025
Ainda Estou Aqui (2024)

Filmaço do Walter Salles, com direção cuidadosa e consegue retratar muito bem os anos 60’ com os cenários, roupas e até mesmo nas cenas onde tem gravações com super oito.
Também não tem como não tem como não das atuações de Selton Mello, Fernanda Torres (que está simplesmente incrível conseguindo transmitir diversas emoções sem estar com lágrimas na cara e outras coisas, só o olhar), Fernanda Montenegro (que não tem um diálogo mas fala tudo) e Camila Márdila. Roteiro também muito bom
Vitor R
Vitor R

51 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 2 de fevereiro de 2025
O filme consegue nos colocar como participantes da família, não somente espectador. A química da família é notável, Selton Mello brilha em seu tempo de tela, trazendo um pai amoroso, carinhoso e divertido, e quando vem a faltar, nos traz aquela preocupação e tristeza, por você conseguir se importar com o que acontece com o personagem. Fernanda Torres também é maravilhosa, com uma mãe preocupada com seus filhos, aflita e confusa, com toda a situação que se encontra. Os momentos de tensão, nos deixam na ponta da cadeira, sentindo a aflição dos filhos, da mãe, pois foi nos estabelecido aquele ambiente familiar cheio de amor e luz, que posteriormente é substituído por confusão e tristeza. Enfim, o filme consegue com excelência nos colocar no terror de se viver em meio à uma ditadura, o medo de ser um possível alvo, de desaparecer, de ser torturado, em alguns momentos sem nem precisar nos mostrar de fato tais atos, mas somente nos induzindo a pensar "o que está acontecendo?".
Ana Carolina Souza
Ana Carolina Souza

3 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 2 de fevereiro de 2025
O filme retrata uma história real, bem chocante e triste. Gosto demais dos atores principais, Fernanda Torres e Selton Mello, tenho uma admiração imensa por eles. Porém, acho que o filme poderia ter retratado melhor a parte do ator Selton Mello, ter dado mais detalhes da história, do que ele passou quando sumiu e etc, ou seja, desenvolver melhor a história da vítima. Mas fora isso gostei bastante do filme e da atuação de todos!
Cícero Aarão
Cícero Aarão

1 crítica Seguir usuário

4,0
Enviada em 1 de fevereiro de 2025
“Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, indicado ao Oscar 2025 em três categorias, tendo à frente, a atriz principal, concorrente, Fernanda Torres, e o magnífico ator Selton Melo , está longe de ser um documentário, embora dê alguns indícios .

O filme tem como ambiente o período de 1970, época sombria e aterrorizante, sob o domínio do general Médice, segundo relatos da época , o mais autoritário entre os demais generais do exército brasileiro.

O longa traça a intimidade de uma família vítima de perseguições políticas. Contudo, não se limita ao núcleo familiar, uma vez que o torna comum a tantas outras famílias que vivenciaram a angústia e o sofrimento contínuo , em razão do desaparecimento de algum ente querido.

É certo que “Ainda Estou aqui” foi escolhido para representar o Brasil na Academia não apenas por relatar a intimidade de uma família e suas dores , mas, principalmente alcançar outras .

A simplicidade de uma mulher – Eunice Paiva ( Fernanda Torres ) até então voltada para o marido – Deputado Rubens Paiva ( Selton Melo ) e seus filhos que, devido ao desaparecimento daquele tem sua vida transformada e, por isso, se vê motivada a tomar à frente como uma ativista pelos direitos humanos em nome de milhares de vidas dilaceradas durante o período repressivo no país .
Eunice ( Fernanda Torres ), representa, sem sombra de dúvida, a voz que se calou nos porões dos quarteis mas que ecoaram diante dos agentes de repressão. Uma angústia visível no olhar profundo de sua protagonista , assim como os gestos simples cerceados de ir e vir até mesmo entre um cômodo e outro da casa onde residia com o marido – Rubens Paiva – ( Selton Melo ) e seus filhos são tocantes.

Apesar de uma silêncio profundo, sobretudo no instante da partida de Rubens Paiva ( Selton Melo ) na companhia dos agentes da ditatura daquele sangrento período, quem assiste ao filme desfruta da doçura de imagens de um Rio de Janeiro aparentemente harmonioso e feliz , contrastando com a realidade fria e calculista vivida por todos aqueles contrários ao regime.

Necessário dizer que esse momento de troca de olhares entre o casal, o último quando se viram, não tendo, por ora, a participação dos filhos, é de grandeza de interpretação dos dois – Eunice Paiva ( Fernanda Torres ) e Rubens Paiva ( Selton Melo ) e causa enorme pesar , porém, silencioso, estabelecendo uma conexão de sentimentos mútuos que ultrapassam, as telas.

De igual modo o mesmo ocorre quando Eunice Paiva ( Fernanda Torres ) , levada por agentes , presta depoimentos durante dias e é mantida em cativeiro .

Durante o interrogatório ao qual é submetida, Eunice Paiva ( Fernanda Torres ) nos convida a sermos testemunhas oculares, sem , no entanto, sermos capazes de pronunciarmos uma só palavra em face à opressão sofrida e, por isso, nos mantemos calados . Uma cumplicidade se consolida entre quem assiste e os que fazem parte da narrativa .

A violência psicológica pela qual passa Eunice Paiva ( Fernanda Torres ) se estende a todos nós e pouco a pouco adentramos nos porões dos horrores da ditatura . Nos aprofundamos na crueldade que impera os corredores dos quartéis , sem direito algum de nos defendermos. Sem direito de sabermos sobre o verdadeiro destino de milhares de vidas que ficaram sujeitas a todo tipo de tortura .

Nesse aglomerado de gente que se opôs de maneira ideológica, desconhecemos o paradeiro do então deputado Rubens Paiva ( Selton Melo ) quando o vimos pela última vez se despedindo da esposa – Eunice Paiva ( Fernanda Torres ) na saíde casa .
Toda a trama e o desenrolar da narrativa estão recheados de ótimas interpretações e uma direção conduzida de forma perfeita , dispensando o realismo , talvez fantástico , para focar na sutileza das cenas , composta de olhares , de gestos ... Tudo parece ser um convite ao imaginário e, de modo introspectivo , viajamos soturnamente sem, contudo , pronunciarmos uma sílaba sequer. A angústia vivenciada por Eunice Paiva ( Fernanda Torres ) é sentida por todos que acompanham-na .

A atuação de Fernanda Torres é indiscutível . A atriz , ao longo de uma carreira próspera , se concretiza de maneira madura em “Ainda Estou Aqui” . Olhares e gestos são precisos e carregados de emoção cortante . Uma emoção que rasga a alma ferida . Uma dor que se une a outros, se transformando em uma dor universal.
O que é surpreendente em “Ainda Estou Aqui” é a sensibilidade , a delicadeza de tocar na ferida da alma que ainda permanece em muitos .

Tais gestos – simples – sem a necessidade de se pronunciar uma palavra são capazes de instigar a reflexão ; restando o dever de perpetuar não apenas o que ficou registrado nos fichários dos departamentos de investigação , mas resgatar a história, trazer à memória a dor de muitos em um só.

(Cícero Aarão)
Karen Jircik
Karen Jircik

1 crítica Seguir usuário

4,0
Enviada em 25 de janeiro de 2025
Filme muito bom, com excelentes atuações e otima ambientação. Só uma crítica à caracterização da época: o filme se passa no ano de 1971 e é colocado um disco na vitrola com um selo da Som Livre que só começou a ser produzido em 1978.
Daniel Novaes
Daniel Novaes

7.774 seguidores 873 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 24 de janeiro de 2025
Que história, que mulher guerreira, que família bonita... e pensar que o caçula ficou tetraplegico aos 20 anos. Filme gigante, lições nele idem.
Jorgomez
Jorgomez

7 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 18 de janeiro de 2025
É um Walter Salles do início ao fim.
Mistura documentário com ficção e história de vida. Usa muito material real e histórico, cortes de "cine olho" misturando filmes super oito de época com cortes autorais, difícil diferenciar o material real coletado do criado para o filme.
A transformação de época é excelente, a Fernanda T. ficou perfeita na transformação de 25 anos.
Mas é uma interpretação típica da Fernanda com aquele olhar expressivo e falas agudas e jeito de que está sempre pensando, refletindo.
A gente que já viu ela atuar não se impressiona tanto mas quem nunca viu vai aplaudir a Interpretação, ainda mais que o Salles entende muito de direção de personagens e deu cortes e cenas ideais para a Fernanda brilhar.
Os jovens e crianças muito bem dirigidos também. Vc se sente no meio deles. Note o foco no núcleo familiar perfeito, a maior parte das cenas são domésticas.
O filme é ótimo, dramático sem cenas de tortura, faz chorar.
Calango
Calango

6 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 13 de janeiro de 2025
Primeira vez que assisto um filme e saio pensando que ele é “necessário”. Usam esse termo pra filme demais. Aqui ele se encaixa. Deveria ser exibido na escola para que os jovens não caiam na balela extremista.
Gabriella Oliveira
Gabriella Oliveira

1 crítica Seguir usuário

4,5
Enviada em 12 de janeiro de 2025
A ambientação, atuação e enredo são maravilhosos, apesar de o começo ser um pouco confuso. Me senti envolvida pela história e pela dificuldade que a Eunice e sua família passou. Creio que a história é de profunda importância para entender os horrores causados durante a Ditadura Militar no Brasil.
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