Relutei para tecer uma crítica a este filme, que tem notória e exagerada impulsão da mídia militante para que conquiste algo, e ajude a denunciar ao mundo os horrores cometidos pelos militares. Encorajei-me ao ler o comentário trazido pela Variety, cujo crítico teve a mesma impressão que eu, ou seja, a trama consta de tres partes cuja tonicidade vai decrescendo progressivamente até o final.
A primeira parte é de fato instigante, principalmente para aqueles que ainda não têm familiaridade com o caso. Porem, quando o filme passa a tratar do objeto real da obra, ou seja, a vida de Eunice, a sensação de "thriller" acarretada pelo terço inicial se perde ao narrar a saga que, embora edificante, não traz nenhuma emoção, muito menos na última parte que mostra Eunice acometida pela demência.
Tecnicamente não há o que falar da direção de Salles, seguro e experiente, assim como a atuação de Fernanda Torres. O roteiro, no entanto, está mais preocupado na ênfase da luta do bem contra o mal, algo difícil de se depreender da história de Rubens Paiva, eivada de mistério, inclusive quanto às causas que levaram a seu destino trágico, uma vez que ao contrário de muitos ativistas da época ele não parecia ser ou constituir alguma ameaça à segurança pública. Mas a excitação que toma conta de certa ala artística e midiática, sedenta por expor as mazelas do regime de então, talvez se frustre pois consta que a expectativa em ver o filme no pódio parece se arrefecer diante de candidatos muito mais potentes, inclusive uma fortíssima Demi Moore a quem nossa atriz não deverá fazer sombra