A Vida de Diane
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3,0
Enviada em 11 de maio de 2019
(Insta: @cinemacrica) O resultado é modesto, mas não deixa de ser inteligentemente provocativo. Diane é o tipo de personagem que irá flexibilizar a concepção de aspectos supostamente nobres do ser humano. A multiplicidade de afazeres cotidianos não é exclusiva de trabalhadores de grandes centros. Basta, por exemplo, uma pequena rede contatos numa cidade pequena para ocupar o tempo da mesma forma. Diane emprega boa parcela do seu dia em amparar pessoas próximas, parentes e instituições. A boa índole se agiganta na medida em que o hábito transcende a obrigatoriedade do auxílio numa unidade diária e se materializa na rotina atemporal.
Kent Jones destoa de temáticas padrões do cinema norte-americano e discute o altruísmo. Entre as possíveis escolhas, o interessante caminho adotado não é o de explorar um feixe restrito de aprofundamento de relações familiares, mas o de pontuar a exaustiva teia de relações da protagonista. Desse modo, explicita-se com mais riqueza a dimensão do objeto tocado pela personagem bem como o distanciamento do egoísmo, sentimento oposto ao que o filme procura dissecar. Contudo, essa dinâmica tem um custo alto que talvez pudesse ser atenuado em mãos mais criativas. A primeira metade do longa é sensivelmente estática, elementos cruzados como a relação com o filho drogado poderiam aflorar de forma mais rica e não com a apresentação caricata e previsível desenhada por Jones.
A reflexão disruptiva sobre o altruísmo tem início com o falecimento de pessoas próximas a Diane. A contração do círculo social alivia o fardo da protagonista resultando na consequente necessidade de olhar para si e lidar com o “eu”. A estranheza dessa nova realidade gera desconforto e relativiza o quanto a boa vontade era genuína, automática ou auto terapêutica.
Longe de ser grandiosa, é ao menos uma obra que afronta percepções absolutas sobre partes cristalinas do comportamento humano.
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