Midsommar - O Mal Não Espera a Noite
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3,2
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Gerson R.
Gerson R.

83 seguidores 101 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 30 de setembro de 2019
O ser humano é capaz de ser bastante influenciável se estiver em uma situação psicologicamente vulnerável – seja lá o motivo – um trauma, a ausência familiar ou até mesmo a falta de comunicação numa relação amorosa – o diretor Ari Aster (que surpreendeu a todos com seu primeiro longa ano passado, o terror Hereditário) utiliza todas esses fatores para ilustrar uma trama que envolve inúmeras referências, criticas e paralelos com males que nossa sociedade propaga – do extremismo religioso, a visão estereotipada e prejudicialmente “santificada” da mulher em nossa sociedade ou a hipocrisia moral que tomou conta de muitos nos últimos para cá, Midsommar torna-se uma viagem (e acho “viagem” uma palavra que define bem o caminho dos personagens da história) – ou, para ser mais preciso, uma “bad trip”, que leva a uma reflexão profunda sobre nossos costumes e a falta de expressão e empatia para reprimir sentimentos de ódio, maldade ou pura omissão diante do mal – seja ele sob qualquer forma.

Com uma atenção maior sobre a questão religiosa, o roteiro do próprio Aster traça um paralelo sobre os efeitos do extremismo sobre a jovem Dani (Florence Pugh), que acaba de viver um forte trauma emocional e está em um relacionamento em crise com o estudante universitário Christian (Jack Reynor) – o casal, tentando superar os problemas de comunicação, aceita o convite do amigo Pelle (Blomgren) e embarcam para uma viagem até uma região interiorana da Suécia, junto de mais dois amigos (Poulter e Harper) – ao chegarem ao local, logo notam que se trata de um vilarejo afastado, composto por pessoas que parecem seguir uma espécie de seita ou religião – com rígidos e estranhos costumes, durante o “sol da meia noite” do local, pois lá não há anoitecer. Dani acaba sendo a primeira a notar que algo estranho está acontecendo por lá, mas isso pode não ajudar muito o grupo de amigos.

Ajudado ainda por um elenco espetacular, composto por atores pouco conhecidos, o destaque fica por conta da talentosa Florence Pugh, que impressiona pela expressividade e a forma como representa as dores e aflições de seu coração e mente – Ari Aster se aproveita desta forte carga emocional para compor (sem exageros) um longa que expressa significados e metáforas praticamente em cada um de seus planos – logo de inicio, ele usa uma representação, em quadro, que, rapidamente, descreve as promessas de “falsos profetas” e moralistas de guela, que prometem levar as pessoas a uma “vida melhor” – ou a maneira que representa o sofrimento de Dani – como na forma que introduz a passagem de tempo para a viagem até a Suécia – com um corte genial do banheiro de um apartamento para o banheiro de uma avião – mesmo que com alguns significados óbvios – como ao filmar a estrada na qual os personagens viajam de ponta cabeça, indicando a inversão de supostos valores a seguir – tais sequências casam perfeitamente com a proposta do diretor – a riqueza de detalhes é tamanha que é necessário uma atenção redobrada para tentar captar tantas mensagens – que vão de simples reações de personagens – como quando Josh compara um comportamento de uma outra religião em tal assunto e o morador do local simplesmente o ignora, indicando a intolerância a outras religiões – ou coisas mais diretas, como uma placa na estrada que indica o preconceito com imigrantes – a própria ideia do local ficar sob a luz do dia o tempo todo é uma enorme referência a instituições que cometem erros (e até crimes) perante nossa sociedade e ficam impunes (as claras), sem precisar se esconder (as escuras, digamos assim) – impossível não pensar em políticos e suas ideologias radicais ou fanáticos religiosos, que impõe seus seguidores a situações ultrajantes, ofensivas, humilhantes ou perigosas – para dizer o mínimo. Sem falar que o longa retrata ainda a punição de quem discorda de tais imposições e o lado de quem tenta expor estes absurdos – ou, ainda, quem fica omisso diante de tais acontecimentos – como na forma que expressa o interesse em apenas fazer a tese para a faculdade dos personagens de Reynor e Harper, sem se importarem com a gravidade do que esta acontecendo – embora tal momento, onde os dois rivalizam o uso do tema para as suas teses, seja o único problema do filme, por inserir diálogos pouco inspirados e que pausam a narrativa brevemente.

Mas nesse aspecto temático ainda fica bem evidente a forma como Aster demonstra como as mulheres são vistas como uma espécie de “troféu” ou apenas objetos – a mercê das vontades dos homens – uma submissão que muitos tendem a classificar como “natural” ainda nos dias de hoje – assim como a questão da perda da virgindade feminina – como se as mulheres sempre precisassem de homens para serem felizes, conforme o machismo tenta impor – isso também inserido na maneira destrutiva como Dani encara sua relação inicialmente – e a tentativa de ajuda descaradamente querendo algo em troca, por parte de Pelle – alias, estas “falsas ajudas”, são representadas em alguns momentos de uma forma propositalmente caricata e engraçada – para mostrar que a tentativa de identificação com as pessoas é só uma forma de atrair “fiéis”, por exemplo. Também merece menção a forma como é mencionada a questão da “recompensa após a morte”, pelo destino de alguns personagens idosos – tornando a maneira que o longa expõe isso em meio a história como um impulsionamento narrativo – o elemento de suspense tirado destes pontos torna-se sufocante – dada a criação muito bem estruturada das personalidades de cada individuo da trama – totalmente bem estabelecidos no primeiro ato – e conduzidos de forma propositalmente lenta pelo cineasta – a ponto de captarmos bem seus estados emocionais e suas multifacetações – Aster utiliza simples distorções nas paisagens e cenários para representar as alucinações de alguns personagens e uma suposta falsa ligação deles com a natureza.

Alias, visualmente, Midsommar é genial: a direção de arte e o design de produção acertam lindamente na criação do vilarejo sueco – seja pela concepção estilizada e assustadora das casas de madeiras em meio a vegetação em volta do lugar, ou até mesmo pelo figurino bastante claro (indicando uma certa “santificação”) dos moradores – sempre rodeados por flores coloridas, que poderiam representar um tipo de pureza – e a fotografia de Pawel Pogorzelski compõe imagens belíssimas, escancarando ainda mais as cores dos ambientes – de escura e sombreada no começo, mostrando a casa de Dani ou o apartamento dos amigos de Christian, para ficar quase que chapada nos dois atos a seguir – utilizando com inteligência suas alterações de tons, conforme a gravidade do que acontece em tela – essa maneira mais clara de expor as situações também ajuda o filme a apresentar alguns efeitos de maquiagem bastante realistas e chocantes – sem efeitos digitais implausíveis.


Entre tantas metáforas e simbolismos, Midsommar é um filme extremamente importante para nossa realidade – ele mostra com perfeição os estragos que a alienação religiosa ou ideológica tem sobre as pessoas, que tendem a querer procurar as soluções mais fáceis para seus problemas na vida – seja para superação de traumas ou problemas conjugais – se esquecendo do básico e caindo em promessas infundadas – vindas de figuras ou questões morais distorcidas (no caso do longa, representado de uma maneira até literal) pelas próprias pessoas – ou seja, a inversão de valores ao qual nossa sociedade tem-se submetido, reflete a hipocrisia que muitos ressaltam todos os dias, principalmente entre aqueles que dizem querer a paz e o amor, mas pregam a violência e morte, sem ao menos notarem suas contradições – como diria Goethe, “nada mais assustador que a ignorância em ação” – algo tão atual e real que faz este trabalho de Ari Aster não precisar de nenhum “jump scare” ou recursos manjados do gênero para nos assustar. A realidade já é assustadora o suficiente.
Iracema J
Iracema J

9 seguidores 48 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 29 de dezembro de 2019
Um choque! Midsommar que teve o infeliz título brasileiro de o "Mal não espera a noite" se passa numa festa de sosquício de verão numa pequena comunidade isolada da Suécia. O filme possui mudanças de ritmo constantes e podemos até nos perguntar no início porque do prefácio terrivelmente lento e deprimente o que compromete o ritmo no início e talvez afaste boa parte dos expectadores. Quando a história começa a se desenvolver percebemos que o prefácio não é só essencial mas é a peça fundamental da proposição que o filme pretende abrir. A direção por vezes abusa de recursos de forma a criar estilo na maneira em que tudo é conduzido. Talvez, boa parte dos atores, personagens americanos e ingleses, tenham interpretações abaixo do que seria uma obra prima, mas talvez se não fosse por essa caricatura de perplexidade e choque com diálogos pífios o filme seria insuportável a nível psicológico. Esse amadorismo afasta de certa forma o telespectador das imagens pertubadoras que se seguem. Com fotografia belíssima luminosa, rituais exóticos, locações naturais, o terror se torna graficamente belo, já a história pertubadora brinca com a beleza e o grotesco. Junto com "o homem de palha" é um daqueles filmes que ficam martelando após a exibição, sendo que em Midsommar a descarga de sentimentos que são liberados no público estão em dosagem máxima. O tipo de filme, amei ou odiei ou abandonei na metade ou ainda estou em estado de choque.
Hell C
Hell C

23 seguidores 143 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 9 de janeiro de 2020
O terror aqui é mais psicólogo, se você está esperando um filme clichê, com jump scare, não vá com muita sede ao pote, tem algumas cenas bem tensas sim, ficam na cabeça por um bom tempo, vale a pena assistir.
Cláudio R
Cláudio R

2 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 29 de outubro de 2019
Sem dúvidas o melhor filme de terror/suspense que já vi, por muitos motivos, principalmente por ser inovador, sem apelações aqueles sustos forçados, sem apelações a seres espirituais/sobrenaturais.
Envolvente, intrigante, agoniante, que mexe com o psicológico do público de uma forma absurda e genial.
Obrigado Ari Auster por existir.
Rodrigo Cherigatto
Rodrigo Cherigatto

8 seguidores 22 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 12 de julho de 2020
Amei,sabe aquele filme de terror que mexe com sua cabeça??nao é um filme de jump scare e sim como estao chamando o NEW TERROR,ou novo terror encbeçado por otimos filmes como A bruxa,O farol,Hereditario e por ai vai!O filme tem um otimo plot twist e violencia com cenas muito chocantes,pela nota geral aqui dos leitores esse realmente nao é um filme pra qualquer um!Uma nova obra prima do terror tem nome:MIDSOMMAR O mal nao espera a noite!
Wagner S
Wagner S

1 crítica Seguir usuário

5,0
Enviada em 1 de outubro de 2019
Um verdadeiro diferencial e respiro para os fãs do gênero de terror, os quais vêm sendo massacrados por uma pilha de lançamentos repetidos da mesma formula, preguiçosos e mal acabados, quando os clássicos do terror tinham sua principal ferramenta para assustar, sua atmosfera perturbadora. Esse é redondo e assim como alguns novos filmes do gênero, trazem esse mesmo sentimento de volta, com o mal nas entrelinhas e nesse caso, a luz do dia (sem apelo para o jump scare). O desespero da personagem principal e seus gritos são angustiantes, isso tudo creditado ao diretor e seus enquadramentos dramáticos e da fabulosa Florence Pugh.
super m
super m

1 crítica Seguir usuário

5,0
Enviada em 9 de outubro de 2019
Filme perturbador ao mesmo tempo metafórico, com certeza não é para o grande público, pra compreender tem que assistir de mente aberta, é um filme que consegue impactar sem apelar pra exageros e clichés.
Lucas Souza
Lucas Souza

2 seguidores 10 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 6 de julho de 2021
Simplesmente uma obra-prima, para aqueles que não conseguiram imergir nesta obra fica meu sentimento de pena, pois uma experiência como essa, poucos filmes podem proporcionar.
Adenilson De Jesus Magalhães
Adenilson De Jesus Magalhães

1 crítica Seguir usuário

5,0
Enviada em 28 de dezembro de 2019
O filme é um tanto diferente , quem espera cenas assustadoras , perseguições sem sentido e roteiros clichês esqueçam , o filme assusta pelo fato de te levar a pensar e se existir tais coisas , o que esta havendo e o que vai acontecer , maravilhoso pra mim que odeio os filmes de mocinhas burras e fortoes frangotes fugindo de assassinos que uma criança mataria
Cleibsom Carlos
Cleibsom Carlos

18 seguidores 225 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 24 de julho de 2020
Claramente "inspirado" em O HOMEM DE PALHA, MIDSOMMAR o supera em densidade e qualidade. Lento e reflexivo, o filme não é para todo mundo, pois exige imersão e reflexão do espectador. É um tipo de cinema que espera que o espectador tenha alguns questionamentos filosóficos e embarque em sua viagem, senão o estranhamento, a incompreensão e o tédio serão grandes. Nestes tempos bicudos em que vivemos, onde a cultura do fast food impera em todas as áreas e a descartabilidade está em todo lugar, MIDSOMMAR, um filme excelente, pede às pessoas o que elas não querem, ou, pior, talvez não tenham mais capacidade, para dar e isso é muito triste...
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