"Midssomar" traz consigo um visual incrível, uma tensão e desconforto constante e ótimos aspectos técnicos, mas peca demais em seu roteiro, o segundo filme do jovem promissor Ari Aster Fica abaixo do seu primeiro longa, porém agrega uma experiência cinematográfica mais completa.
O longa apresenta um problema, seu roteiro, que não sabe a onde focar e nem mesmo o que contar, com um decorrer do enredo perdido, sem saber para onde andar e péssimas escolhas de plot e ritmo, um primeiro ato completamente desnecessário que poderia ter sido resolvido em 5 minutos, partindo logo para o "plot principal", embora isso não pareça existir aqui, um déficit de atenção contaste em não saber a onde focar e diversos são os personagens sem função narrativa, sem contar os diversos arcos e núcleos que são abertos e nunca concluídos, isso pode até ser em certo ponto proposital e funcionar em diversos filme, mas aqui não funciona.
Se o roteiro apresenta problemas, tecnicamente o longa é primoroso, com uma fotografia contraste ao habitual do terror, bem clara e lindíssima, uma composição de cenário incrível e ótimos figurinos, a direção de arte é a que mais merece méritos aqui, deste as maquiagens até às coreografias, é espetacular em diversos sentidos,até a mixagem de som é ótima, tal qual a trilha sonora que mescla um ritmo moderno e clássico.
Ari Aster tem um direção com méritos, o diretor dirige bem seu filme, o mesmo sabe criar bem o clima e a tensão, com uma câmera que consegue ser claustrofóbica mesmo com ângulos abertas e ótimos cortes, secos e viscerais, além da já comentada e maravilhosa composição de cenário, porém o déficit de atenção do roteiro resvala um pouco na direção também, pois o diretor se perde em seu próprio mundo criado e se empolga muito com a câmera na mão, diversas são as contemplações desnecessárias e uso de técnicas que não condizem com com o restante do filme, Ari teve ótimas idéias para o seu segundo filme, porém teve diversos problemas de execução, é inegável que o jovem diretor tem talento, mas sua empolgação em querer demonstrar isso acaba prejudicando seu filme.
O Cast é muito bom, embora alguns personagens não tenham função narrativa, os atores cumprem seus papéis, até Will Poulter como alívio cômico está bem, sem falar de todos os integrantes da vila sueca, que são assustadores e ótimos, porém o grande destaque realmente fica para Florence, a pouco conhecida atriz britânica dá um espetáculo a parte e se entrega completamente ao seu papel, indo do desespero ao drama, passando por medo e aceitação.
O segundo filme de Ari tem diversos méritos, mas também apresenta problemas, principalmente de execução e falta de clareza em seu foco, por vezes na direção, mas principalmente no roteiro, com um primeiro ato desnecessário e um roteiro que não consegue se decidir qual história contar, porém temos uma direção de arte deslumbrante e uma direção, que apesar dos desvios, é extremamente desconfortável, causando muitas vezes incômodos, o que é bom para um filme de terror. O objetivo de ser assustador na luz do dia funciona principalmente no inicio, após acostumarmos isso perde a força. "Midssomar" está sendo amado ou odiado, eu o acho um bom filme, nada além disso, mas se tivesse que escolher entre o amar e o odiar, eu prefiro amar. É importante também o telespectador embarcar na onda do longa para sentir sua tensão e desespero, caso contrário será uma longa viagem de mais de duas horas chata e cansativa.
Nota: 7,5