Aves de Rapina - Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa
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163 Críticas do usuário

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Kelly da Rosa
Kelly da Rosa

1 crítica Seguir usuário

4,5
Enviada em 29 de março de 2020
Como tem sido comum em alguns filmes atuais como As Panteras e Mulher Maravilha o filme mostra o lado da força feminina representado que milhares são ta o fortes quanto homem, seja como heróis ou como vilões. Quebrar essas barreiras, sem perder a história original do filme é a característica mais marcante de Aves de Rapina.
Cristian Oliveira
Cristian Oliveira

1 crítica Seguir usuário

4,5
Enviada em 26 de março de 2020
O filme é ótimo, é uma pena que muitas pessoas esperam ver o Batman ou Coringa (ou reclamam que eles não apareçam). O filme é o que diz no título, é a Alerquina finalmente se desprendendo de outros personagens, e deixando de viver em suas sombras, e ao mesmo tempo apresenta novos personagens ao universo DC. É chato ver que um filme tão bom e cheio de conteúdo é menosprezado, e dito como sem conteúdo ou sem relevância. Na boa é muito melhor do que muitos que foram apresentados tanto da Marvel quanto da DC, tem um começo, meio e fim consistente e realmente mostra que são os personagens.
Ryan
Ryan

474 seguidores 337 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 24 de março de 2020
Não precisou apelar para cenas cheias de sangue, o filme trás o horror de forma bem sutil. As reviravoltas surpreendem, mesmo que o vilão esta sempre apagado. Cenas de ação com cortes de imagens incríveis, vale a experiência.
Adam William
Adam William

8 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 22 de março de 2020
Algum personagem do cinema já apontou que a loucura é como a gravidade, bastando apenas um empurrãozinho. No caso de Harley Quinn (Margot Robbie), pode-se dizer que a frase foi literal: após se apaixonar pelo Coringa, o vilão a joga nos mesmos produtos químicos que o transformaram no palhaço-do-crime que conhecemos. E isso basta para que o público entenda a origem da personagem, ao menos na opinião dela própria, responsável por contextualizar sua história através de uma simpática animação que abre Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa (Birds of Prey: and the Fantabulous Emancipation of One Harley Quinn).

Pode parecer estranho, mas o fato é que a diretora Cathy Yan faz de Aves de Rapina uma viagem pelo caos orquestrado que é a mente da protagonista. Através de uma montagem esperta que permite que o filme trafegue entre vários estilos diferentes entre si, o público embarca na história de Harley logo após seu término com o palhaço-do-crime. Quando a notícia se espalha por Gotham, todos que a garota já havia irritado acabam surgindo para se vingar, incluindo Roman Sionis (Ewan McGregor) – também conhecido como Máscara Negra –, um dos chefões do crime na cidade. A partir dessa premissa, as outras personagens vão sendo agregadas à trama conforme seus caminhos se cruzam com o dela enquanto ela busca uma forma de se livrar de Roman.

Por sua vez a dupla Robbie e McGregor roubam a cena, com a protagonista entregando uma performance magistral – impossível imaginar outra atriz no papel – equilibrando o carisma, a loucura e a meiguice de Harley. Já McGregor constrói um Máscara Negra afetado, com uma insanidade à flor da pele que nunca vem à tona verdadeiramente, causando tensão por sua simples imprevisibilidade, mas não destoando de seu personagem – Roman Sionis nunca lembra o Coringa, por exemplo, pois sua loucura é diferente. Fora a dupla, Jurnee Smollett-Bell é quem mais se destaca como Dinah Lance/Canário Negro. A atriz é das poucas que tem a chance de aprofundar mais sua atuação ao explorar conflitos internos da personagem, além de ter momentos ao lado de Robbie e de McGregor que lhe permite explorar facetas diferentes de Dinah, ora vulnerável, ora obstinada.

Ao permitir-se manter simples, a roteirista Christina Hodson faz com que sua obra ganhe ritmo e coesão através de outro elemento: suas personagens. A união de Harley com Cassandra Cain (Ella Jay Basco), Dinah Lance (Jurnee Smollett-Bell), Helena (Mary Elizabeth Winstead) e Renée Montoya (Rosie Perez) ocorre de forma gradual e orgânica, sem a necessidade de um personagem extra para justificar a união – como um Nick Fury de Samuel L. Jackson nos filmes da Marvel –, mas sim através uma sequência funcional de acontecimentos. Com Roman – e seu exército masculino de lacaios – sendo uma ameaça constante, representando perfeitamente uma sociedade predatória com as mulheres, não se faz necessário diálogos para que o público entenda que a única forma desse grupo sobreviver é se unindo.


Ao mesmo tempo, Hodson também tem liberdade para trabalhar assuntos mais sérios através de um inteligente subtexto no roteiro. Temas como assédio, relacionamentos abusivos – não necessariamente amorosos – e estupro, por exemplo, surgem de diversas formas ao longo da trama, por vezes de forma implícita, mas nem por isso pouco desconfortáveis. A cena em que Harley alucina com um número musical como Marilyn Monroe demonstra como funciona a mente da garota ante aos abusos psicológicos sofridos, que servem como um gatilho para que ela siga alucinando. São sequências como essa que realçam as sombras do mundo colorido que a protagonista vive – ou aparenta viver. A sutileza do roteiro ao retratar esses temas aproxima o espectador que está disposto a absorver esse subtexto, mas não afasta quem busca apenas o entretenimento de um filme de ação baseado em quadrinhos.

Tal característica é um dos pontos altos de Aves de Rapina, pois mostra como Cathy Yan e Christina Hodson compreenderam o material que tinham em mãos. Desde sua origem, Harley é uma personagem cujas histórias são um prato cheio para abordar temas como esses – seu relacionamento com o Coringa, afinal, é abusivo por natureza – e o modo como o fazem no filme não apenas funciona como narrativa, mas é louvável para os cinemas, pois atesta que a Warner/DC está disposta a trazer obras com tons diferentes do “sombrio realista“, mesmo com o imprevisível sucesso de Coringa. Sem tentar reinventar-se, Aves de Rapina acaba por se tornar ainda mais maduro que a obra de Todd Phillips, ao trazer para si uma relevância – através dos temas propostos – sem abrir mão do que é, ou seja, uma genuína adaptação dos quadrinhos.


Outro aspecto de Aves que contribui para a sensação de assistir a um quadrinho são as sequências de ação, como a cena da prisão ou o confronto com a gangue do Máscara Negra. Diversificadas entre si, tais momentos são pontos altos da obra e soam retirados diretamente das páginas. Por sua vez, o filme encontra sua vertente mais quadrinesca justamente em seu clímax, onde temos a consolidação do grupo de fato. É esta sequência também que evidencia o ótimo trabalho de Chad Stalhelski (diretor da trilogia John Wick) – como coordenador das cenas de ação – e de design de produção da trinca K.K. Barrett, Rich Romig e Julien Pougnier, responsáveis por criar um cenário digno para a luta final. Juntos à direção de Cathy Yan, a equipe constrói lutas realmente divertidas e bem filmadas, com uma ação complexa – são três ou mais personagens lutando ao mesmo tempo –, mas que não fica confusa de acompanhar, além de pontuadas pela ótima química entre as garotas.

Momentos que surgem desse entrosamento – como a cena do elástico durante o clímax – são os que mostram o tamanho acerto que é Aves de Rapina para um público que, majoritariamente, não teria como se encontrar nesse subgênero. Isso porque, para os meninos que leem quadrinhos, é fácil se identificar e escolher seu personagem favorito em qualquer um dos inúmeros Batmans ou Homem-Aranhas, mas o cinema de super-heróis (e os próprios quadrinhos de super-heróis, até pouco tempo atrás) nunca olhou com muito carinho para o público feminino. Talvez por questões mercadológicas, as personagens femininas sempre foram relegadas ao papel de coadjuvantes/namoradas dos personagens principais. Felizmente, há uma mudança visível no status quo do entretenimento, que percebeu que boas histórias serão bem aceitas pelo público feminino, principalmente quando personagens como Harley Quinn, Mulher-Maravilha e tantas outras são bem escritas, sem necessidade de apelar pelo viés sexual – a diferença do figurino da Harley aqui e em Esquadrão Suicida é evidente – e apresentando para uma geração de garotas personagens com as quais elas possam se identificar.

Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa é uma resposta à altura para um subgênero que constantemente flerta com a saturação. Uma resposta cheia de cores, luzes e glitter, com personagens cativantes e que entrega um bom entretenimento sem deixar de tocar em pautas relevantes. Ao respeitar as origens de sua protagonista, Cathy Yan e Margot Robbie – que além de protagonizar, produz a obra – criam um filme com protagonistas possíveis, que não precisam de super-heróis ou super-poderes, pois são suficientes para se salvarem ao final. Protagonistas que uma nova geração de espectadores e leitores pode se apegar. Tudo isso sem precisar reinventar a roda, apenas optando por uma perspectiva um pouco menos comum. Digno de uma Harley Quinn.
rosineide jorge
rosineide jorge

1 crítica Seguir usuário

4,5
Enviada em 18 de março de 2020
Por mais que o filme tenha uma linha cronológica diferente de outros filmes (e até difícil de entender), o filme é muito bom, garante muitos momentos engraçados e cenas incriveis de ação. A Margot Robbie fez um trabalho incrível como Arlequina conseguindo se destacar das demas personagens. Só não coloquei todas as estrelas pelo titulo que não tem muito a ver com o filme.
Karla Oliveira
Karla Oliveira

1 crítica Seguir usuário

4,5
Enviada em 2 de março de 2020
Filme bom de verdade. Gostei mesmo. Porém com algumas partes tosquinhas. Mas isso não se torna relevante ao ver o filme.
Paulo C.
Paulo C.

14 seguidores 63 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 22 de fevereiro de 2020
Filme bom, ele é feito de forma bem caricata o que combina excelentemente com a personagem Arlequina, se tornando um filme divertido e dinâmico. Com uma trama simples, mas bem amarrada e sem complicações, com algumas pontas soltas no filme, mas a narrativa é muito bem combinada. As personagens como um todo é bem interessante, mas não teve um aprofundamento tão bem elaborado, onde as participações das Aves de rapina se tornam minusculas na trama, mas ainda sim elas são bem desenvolvidas de modo que cada uma delas tem sua trama, que acabam se conectando no final. Um vilão fraco, mas com personalidade. Cenas de ação bem top, humor que funciona em alguns momentos e outro não. E as falas da Arlequina que mostra a complexidade da personagem foi um ponto bacana do filme, mostrando o lado e conhecimento psiquiátrico dela. Resumindo, é um filme simples, dinâmico, divertido que com boas cenas de ação. Que para a proposta de um filme desse estilo, pra mim está mais que o suficiente.
Otavio W.
Otavio W.

451 seguidores 247 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 11 de fevereiro de 2020
Uma divertida aventura浪 colocando Arlequina 嵐como uma anti heroína querendo ser independente e ao mesmo tempo não deixando de ser louca. Tudo, quase sempre, se desenrola com bastante pancadaria 洛e cores, mostrando bastante violência. História e coadjuvantes são muito secundários樂 e servem mais pra dar graça e mais insensatez a tudo. Nota 4 de 5 no Xinguê Movie Rating: ⭐⭐⭐⭐
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Thiago P
Thiago P

6 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 22 de fevereiro de 2020
Um filme que realmente vale o ingresso. "Aves de Rapina- Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa" é sem dúvidas,uns dos melhores filmes já feitos pelo universo DC nos cinemas. Um filme que consegue explicar e apresentar vários personagens em pouco tempo. A ação é algo bastante intenso e muito bem feito,a trilha sonora é muito boa e muito bem utilizada, o vilão Máscara negra ( Ewan McGregor) é o melhor vilão do universo cinematográfico da DC,um verdadeiro psicopata. Mas,o filme em si, é mesmo da nossa Arlequina ( Margot Robbie) e não das "Aves rapina",isso é algo um pouco decepcionante. Mas as personagens do filme são ÓTIMAS. Canário negro, Caçadora,Cassandra e a policial Renne Montoya, são personagens excelentes e muito bem apresentas.E novamente, a DC acerta em mais um filme.
Gerson R.
Gerson R.

83 seguidores 101 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 6 de fevereiro de 2020
Depois de conhecermos um filme tão desastroso quanto Esquadrão Suicida, é meio difícil se sentir empolgado em acompanhar alguma sequência dentro deste universo – e, aliás, tudo fica ainda mais obscuro quando nos lembramos que este mundo de adaptações de quadrinhos da DC/Warner Bros. nos cinemas se encontra um tanto indefinido – seja por trocas de diretores (Zack Snyder saindo), atores (novo Batman; não sabemos quem será o próximo Coringa deste universo) e mudanças em tons de suas histórias e visuais – essa inconstância fere imensamente a fluência da franquia – mesmo que não seja composta por filmes perfeitos, o Universo Cinematográfico da Marvel foi uma coisa extremamente bem planejada, o que culminou ano passado na maior bilheteria da história do cinema, Vingadores: Ultimato.

É claro que o universo DC nos cinemas teve seus acertos – Mulher-Maravilha da Petty Jenkins; O Homem de Aço, de Snyder – mas é triste saber que o melhor filme do estúdio é um que não tem relação com esta linha de tempo – o Coringa de Todd Phillips – portanto, veja o que a diretora chinesa – e estreante em longa-metragem de ficção – Cathy Yan tem que enfrentar: o desafio de conciliar um segmento de filmes bagunçados e com ligações não muito bem elaboradas; além da pressão de agradar os fãs das HQs, sempre fiscalizando freneticamente a fidelidade as histórias originais – e, claro, o preconceito que alguns grupos militantes na internet tem com obras estreladas por protagonistas femininas – estes sim, mais perigosos do que qualquer vilão que Arlequina e sua novas companheiras tem que enfrentar em Gotham City.

A noticia boa é que Cathy se sai bem nessas três questões: primeiro que Aves de Rapina é, realmente, MUITO superior à bomba que David Ayer dirigiu em 2016; segundo que ela consegue inserir muitos elementos que realmente existem nos quadrinhos da DC e, terceiro, o roteiro que ela tem em mãos, escrito por Christina Hodson, não soa como um mero pretexto para inserir personagens femininas em uma trama convencional – erro que Elizabeth Banks cometeu com sua versão de As Panteras ano passado – a construção da história é realmente caprichada em vários aspectos – acertando por preservar uma das poucas coisas boas de Esquadrão Suicida: a Arlequina de Margot Robbie.

Confesso que não tenho muito conhecimento da história original das Aves de Rapina nos quadrinhos – mas conheço um pouco a personalidade de Arlequina pela clássica série animada do Batman dos anos 90 – aliás, onde ela foi criada, já que só depois foi para as HQs – e, com isso, posso dizer que o trabalho de Margot Robbie no papel é realmente acertado – e, desta vez, de uma forma muito melhor – se David Ayer insistia em retratar Arlequina como uma maluca completa que sofria pelo amor não correspondido do Coringa de Jared Leto – chegando a insinuar que Harley só conseguia se imaginar feliz se estivesse com o Príncipe Palhaço do Crime – a abordagem de Cathy Yan foge desse tom machista, sendo muito mais emblemática e justa aqui: desde o inicio do longa, através de uma narração em off de Margot e letreiros explicativos, o filme deixa bem claro que Arlequina está se libertando de uma relação tóxica e sem futuro – o que soa como um belo paralelo com a própria tentativa de evolução deste universo da Warner – como se fosse uma reparação (merecida) pelo resultado precário do longa de Ayer.

A história aqui é quase um tipo de crossover entre Arlequina e as Aves de Rapina, já que, até então, elas não se encontram nas HQs – portanto, agora o foco é como o titulo indica: Arlequina está em busca de emancipação – solteira, mas, claro, ainda no mundo do crime em Gotham City, ela se vê prejudicada quando o termino de seu relacionamento com o Coringa lhe faz perder a imunidade que tinha por ser companheira de um criminoso tão perigoso – como ela parece ter feito coisas erradas com todos na cidade, sua vida fica em risco, principalmente quando destrói o local onde iniciou sua relação com o Sr. C no passado, a Ace Chemicals, que ela não hesita em destruir no impulso da raiva – mas, para azar dela, um dos donos da empresa é o milionário e chefe do crime Roman Sionis (McGregor), que quer a cabeça de Harley – além de estar atrás de um misterioso diamante roubado por uma pequena ladra das ruas de Gotham, a menina Cassandra Cain (Basco) – algo que vai envolver a cantora Dinah Lance (Bell), a misteriosa Caçadora (Winstead) e a detetive policial Renee Montoya (Perez).

Cathy Yan toma a boa decisão de dedicar todo o primeiro ato da história para explicar com mais detalhes a personalidade e passado de cada uma das protagonistas – utilizando-se aqui de uma narrativa não linear, que levemente atrapalha o ritmo desta parte, mas, ainda assim, é funcional o suficiente para envolver no restante da trama – o cuidado com as criações das personagens é realmente promissor – começando por Arlequina, que, como muitas pessoas que passam por um termino de relacionamento, procura tentar se divertir em festas, exagerar na alimentação e ficar chorando em casa no sofá – e, a decisão de levar esses momentos com um toque de humor, faz Margot demonstrar perfeitamente a confusão que faz de sua personagem ser algo tão complexo em termos de moralidade quanto seu ex-namorado famoso – muito além do que apenas uma “versão feminina” do Coringa, a talentosa atriz consegue traduzir os motivos que a levam a ser uma pessoa fora da lei e com um comportamento justificável pelos traumas pelo qual passou na vida (a intro do longa é uma pequena animação contando isso – sem falar que ela chega a romper a quarta parede, ao falar diretamente para a câmera em alguns momentos, como acontecia em Deadpool); tal cuidado ainda permanece nas performances de Rosie Perez como Renee Montoya, passando o ar de como sua personagem se sente infeliz por não receber o crédito pelo talento que tem para investigação criminal – uma leve critica ao machismo no trabalho, além de ser uma personagem assumidamente homossexual, algo novo (e muito bem-vindo como uma inserção de diversidade na obra)para filmes de super-herói; e com a Dinah Lance (a Canário Negro) de Jurnee Smollett-Bell, que compõe o lado de alguém que se vê em um ambiente perigoso e opressor, como o de seu chefe, Roman; e a jovem Ella Jay Basco demonstra sua vida difícil sem ter seus país por perto e vendo nas atitudes de Harley um tipo de opção de futuro para seguir – e merece destaque, é claro, a Caçadora de Mary Elizabeth Winstead, com motivações fortes em seu passado – justificando o comportamento violento e impulsivo de sua personagem, que procura vingança – sem falar que é divertido vê-la tentando soar ameaçadora, no momento em que treina em frente ao espelho, aos moldes do “está falando comigo?” de Robert De Niro em Taxi Driver.

Além das ótimas composições destas protagonistas, Aves de Rapina ainda conta com o ótimo trabalho de Ewan McGregor vivendo o temível Roman Sionis, identidade do vilão Máscara Negra – a atuação do ator britânico se sobressai aos clichês do estilo “mafioso espalhafatoso” pelo fato dele tentar agir feito uma criança mimada – e, realmente, o personagem, é isso mesmo – tentando tornar sua crueldade como resposta a sua insegurança – como na cena que pensa que uma mulher em sua boate riu dele e a faz passar por algo humilhante – sua raiva e vontade implacável de se vingar de Arlequina acabam por convencer – e há ainda o capanga dele, Victor Zsasz, do Chris Messina, como o braço direito ameaçador de Roman.

Aves de Rapina se mostra muito superior à Esquadrão Suicida também em termos visuais – como citei antes, existem letreiros explicativos para vários pequenos personagens que surgem na trama confrontando Harley – que funcionam desta vez pelo simples fato de serem diretos e simples, ajudando na inserção do humor – a direção de arte se mostra apropriada, criando um visual colorido, principalmente na concepção de seus cenários e dos inteligentes figurinos das personagens principais – o destaque fica para as roupas de Arlequina – e como é bom não ter um diretor sexista que insiste em colocar a moça em shorts curtos o tempo todo – as vestes da personagem de Robbie (além de sua maquiagem e corte e cor de seus cabelos) traduzem perfeitamente seus sentimentos e momentos – isso é notório, por exemplo, quando ela, após ser libertada por alguns criminosos e voltar a ativa, usa uma camiseta toda estampada com seu nome, reafirmando sua essência ou o que ela é de verdade, digamos assim.

E, para as cenas de ação, as angulações são extremamente bem feitas, dando distanciamentos adequados das lutas, sem jamais soarem confusas – aliada a montagem que não exagera em cortes – é notória a luta dentro de um grande parque de diversões abandonado próximo ao fim, com pouquíssimos cortes – assim como a primeira aparição da Caçadora em um pequeno restaurante – mesmo que tais momentos movimentados não sejam tão grandiosos como outros filmes da franquia, algumas decisões visuais são realmente muito boas e divertidas – como quando Harley acaba cheirando acidentalmente cocaína e utiliza vários saquinhos desta droga para atacar seus inimigos – além dos ataques dela com armas, que mais parecem saídos da mente da personagem do que feitos na realidade – o filme ainda confere uma violência mais gráfica, como ao sugerir pernas e braços quebrados durante as bem coreografadas lutas – e ainda sobra espaço para um momento de alucinação que a diretora insere enquanto Arlequina é ameaçada pelos capangas de Roman, fazendo uma citação ao clássico dos anos 50, Os Homens Preferem as Loiras, estrelado por Marylin Monroe.

De fato, Aves de Rapina, acerta mais do que erra – mas existem alguns pontos fracos, infelizmente – como em sua trilha-sonora – que, assim como aconteceu em Esquadrão Suicida, tenta inserir muita música pop para ilustrar as situações – a única, que realmente tem alguma função é justamente a que toca na homenagem a Marylin Monroe – “Diamonds Are a Girl’s Best Friend”, e não é um pop – porque o resto é um misto de dubstep ou chill out, sem muita função por trás – e a conclusão da relação de amizade entre Harley e Cassandra parece um tanto inapropriada, considerando certas atitudes de Arlequina antes – além de uma suposta lição que Harley aprende com o dono do local onde mora, o Doc, de Dana Lee – outro problema vem, na verdade, de um acerto: como a narrativa é muito ágil, principalmente em inserir os flashbacks explicativos das origens das personagens principais, quando o filme chega no último ato, é impossível não deixar de sentir uma certa queda de fluência, que prejudica o inicio da ação nesta parte – embora tais momentos justifiquem, de fato, a formação das Aves de Rapina.

Mas convenhamos: vindo de um filme de uma diretora que faz sua estreia nesta máquina fria e cruel que é a indústria do cinema de Hollywood, o resultado do longa se mostra tão grandioso quanto o quilométrico subtítulo – uma eficiente mistura de elementos clássicos das histórias em que se baseia, mesclando humor e toques de filmes de mafiosos – é evidente que é um trabalho que pode desagradar os fãs das histórias em quadrinho originais pelas suas soluções diferentes – além de irritar aqueles militantes que citei mais no inicio – a verdade é que Aves de Rapina funciona quase como um pedido de desculpas da DC e da Warner pelos erros de Esquadrão Suicida – afinal, seus personagens deixam no chinelo o Sr. C daquele trabalho enfadonho de quatro anos atrás – mostrando que criatividade e desenvolvimento de personagens são elementos que qualquer filme, de qualquer gênero, devem manter.

Talvez agora seja o inicio da emancipação do universo da DC/Warner.

Obs.: existe algo que talvez possa ser chamado de “cena pós-crédito”... espere por sua conta e risco!
(e uma critica agora, não ao filme, mas ao departamento de marketing da Warner, que, mais uma vez, revelou nos trailers momentos chaves do filme – novamente dando spoilers em seus teasers, como aconteceu em Batman v Superman e Aquaman).
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