O luto de uma nação, Por Duduh Wayne
O filme Pantera Negra: Wakanda Para Sempre/Black Panther: Wakanda Forever é um filme de 2022 dirigido por Ryan Coogler (Creed), com o roteiro dele mesmo e de Joe Robert Cole (American Crime Story), é baseado nos personagens de Stan Lee e Jack Kirby e é estrelado por: Letitia Wright (Small Axe), Lupita Nyong'o (Nós), Danai Gurira (Pantera Negra), Martin Freeman (Sherlock), Dominique Thorne (Judas e o Messias Negro), Tenoch Huerta (Uma Noite de Crime: A Fronteira) e Angela Bassett (Tina: A Verdadeira História de Tina Turner).
O Pantera Negra morreu e Wakanda tem que lidar com o luto somado aos problemas internacionais. O filme inteiro tem um clima pesado e você sente isso o tempo todo, todos os personagens principais tem um semblante triste, o que pode deixar o filme pesado para pessoas mais sensíveis e até as cenas de comédia tem esse tom soturno que o filme carrega, o que acaba se tornando o um grande defeito do filme, já que ele não parece saber o que é nas cenas de "alívio cômico". Sobre o conflito estabelecido entre Wakanda e os "Atlantis", ele poderia ser mais explorado, pois ele não convence fácil, apesar do conflito em si ser muito bem feito na questão dos efeitos e da coreografia. A luta da Pantera Negra com o Namor na praia é muito bem coreografada, fotografada e dirigida e da uma surra naquela luta do Pantera Negra com o Killmonger no primeiro filme. Inclusive, quando a Shuri rende o Namor, tem uma cena que é um completo lanche para quem gosta de cinema, pois ela imita uma cena de um filme soviético, o Vá e Veja (Elem Klimov, 1985), onde a Shuri relembra todas as atrocidades que o Namor fez e isso vem em forma de flashback, porém as cenas estão de trás para frente, muito atencioso o Ryan Coogler. Esteticamente, o filme supera o seu antecessor, com uma trilha sonora mais "cultural" e uma direção de arte que, em Wakanda ainda tem a pegada do Afrofuturismo, só que enlutada com a morte do rei e, em Atlantis, eles obtaram por distanciarem-se do Aquaman, mas não totalmente. Atlantis lembra vagamente a Atlântida da DC, porém mais escura e remetendo a uma cultura mais latino-americana. O filme abusa menos dos efeitos especiais, em comparação com seu antecessor, o que é uma vantagem já que não temos aquele belo x1 do PS2 de dois gato grande se batendo. E sobre o figurino, até imendando um pouco com o cgi, o único que não agrada é o da Coração de Ferro, que aquilo visívelmente é um bonecão 3d. De resto, os figurinos estão muito bem caracterizados, seja o afrofuturismo, dos Wakandanos, com um estilo único de roupas e acessórios, como a pulseira da Shuri e a própria roupa de luto dos Wakandanos. O figurino dos Atlantis é muito mais puxado para o "indígena clássico", com roupas bem mais típicas dos povos originários da América Central, inclusive o chapéu do Namor, mesmo sendo alvo fácil para piadas, é muito bonito e único. O visual dos Atlantis e até as cenas deles, podem lembrar muito o filme Apocalypto (Mel Gibson, 2006)
Letitia Wright (Shuri/Pantera Negra) está visivelmente passando uma depressão profunda na personagem, onde ela aparenta mal sair do laboratório, muito disso porque ela se sente culpada pela morte do irmão, mas ela ainda é forte nos momentos de tenção e, quando é pra fazer algo a respeito, ela levanta e faz; Tenoch Huerta (Namor/Kukulcan), nosso querido pegador de casadas da Marvel, Reed Richards manda abraços, é um legítimo antagonista. Ele tem uma motivação para estar contra a protagonista e exibe sempre uma imponência quando está em cena. É bom ver o personagem mais antigo e importante da Marvel entrando em cena pela primeira vez e representando a América Latina, coisa que Huerta fazcom maestria, faltou uma indicação ao prêmio da academia; Lupita Nyong'o (Nakia) está meio esquecida, merecia mais destaque, pois só é lembranda nos momentos certos do roteiro; Danai Gurira (Okoye) tem muito mais profundidade na sua personagem, onde ela tem que encarar as coisas que ela fez no passado; Dominique Thorne (Coração de Ferro) é a figura do Billy Batson, ou seja, a jovem que não está preparada para tudo, mas encara mesmo assim. Figura essa, que Thorne dá o seu melhor, apesar do belíssimo (só que não) traje de cgi; Martin Freeman (Ross) é o expectador médio branco no meio de todo esse conflito, mas o Watson é esforçado e se importa com o papel, coisa que outro ator faria de qualquer jeito; Julia Louis-Dreyfus (Valentina) é uma personagem obstáculo, feita para impedir Ross de conseguir seus objetivos; A aparição de Michael B. Jordan (Killmonger) foi necessária para o desenvolvimento da Shuri, enquanto personagem, já que a Shuri no fundo só quer ser como ele, ter a chama de querer fazer e fazer o necessário. Mas ele deveria ter mais destaque, quem sabe com um retcon, que ele não morreu ou voltou com o blip. Um personagem como Killmonger não deve ser esquecido; E Angela Bassett (Rainha Ramonda) está uma MONSTRA! A personagem dela parece lidar bem com o luto no começo, mas quando chega no momento certo, ela desabafa e, com um desabafo, ela já comprou o expectador. O monólogo dela quando Okoye a confronta é um dos melhores que já foram feitos em um filme de herói. A atuação dela, em se tratando de filmes de herói, só perde para a da dupla Hugh Jackman e Patrick Stewart, de Logan (James Mangold, 2017).
Pantera Negra: Wakanda Para Sempre é um filme muito triste e pesado, com uma qualidade técnica excepcional, apesar de um grande pecado que é a roupa da Coração de Ferro. Mas consegue compensar isso com uma ótima fotografia, uma ótima direção de arte, que retrata bem a cultura afrofuturista de Wakanda e a Atlantis com temática de América Central. Tem ótimos personagens e alguns personagens que são só de apoio, mas tudo isso com uma ótima atuação de um elenco excepcional. Nota 9/10. Wakanda Forever!