Ford vs. Ferrari
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Gerson R.
Gerson R.

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4,0
Enviada em 28 de novembro de 2019
Poucas vezes temos a chance de vermos debates ou tramas envolvendo marcas de grandes franquias – sempre tive uma sensação de que os filmes não podiam mencionar isso – claro, por causa dos direitos autorais – e, muitas vezes, quando víamos alguma marca famosa, era, obviamente, marketing – mas, pior ainda, há casos onde os roteiristas precisam inventar nomes diferentes para contar a história e isso sempre me incomodou, tirando a autenticidade da trama – sendo assim, fiquei feliz em notar que isso não é um problema em Ford Vs. Ferrari, novo longa do diretor James Mangold (Johnny & June e Logan), que tem liberdade completa para falar dos bastidores da tentativa da Ford Motor Company em ingressar no ramo de corridas automobilísticas – tal liberdade, se reflete pelo fato dos personagens não precisarem esconder fatos obscuros da empresa – e nem de disfarçar a arrogância dos executivos – não me perguntem se a Ford ou a Ferrari autorizaram essas coisas – mas que o resultado é bastante curioso, não tenha dúvidas.

Mesmo não sendo o foco principal do longa, Mangold deixa uma subtrama mostrando como as grandes multinacionais são frias e cruéis com seus funcionários, tratando-os como meros números – o limite entre passar uma “boa imagem” e ser verdadeiro é explorado, principalmente quando vamos conhecendo os dois personagens principais, vividos por Matt Damon e Christian Bale – estes sim, são o foco do filme, a medida que vamos entendendo sua relação de amizade e seus desejos e paixão pelo mundo das corridas – “Quem somos nós”, como o Shelby de Damon diz logo no inicio.

Baseado em um livro de A. J. Baime, inspirado em fatos reais, Ford Vs. Ferrari conta como a Ford tentou se inserir no ramo de corridas automobilísticas no inicio da década de 60 – concorrendo diretamente com a Ferrari de Enzo Ferrari (Remo Girone), a maior campeã da época da tão famosa corrida de “24 Horas de Le Mans”, na França. O dono da empresa na época, Henry Ford II (Tracy Letts), filho do lendário Henry Ford, atende aos desejos de seus marqueteiros, Lee (Bernthal) e Leo (Lucas), que veem na participação da Ford em corridas uma forma de atrair o público mais jovem a querer comprar mais os carros da companhia. Para ter chance de concorrer com os super velozes carros da escuderia italiana, a Ford contrata o ex-piloto Carroll Shelby (Damon) e o piloto e engenheiro Ken Miles (Bale) para desenvolverem e testarem um carro ainda mais veloz para vencer a corrida de Le Mans.

Ford Vs. Ferrari já um prato cheio para amantes de carros – e falo carros de verdade, é claro, não as maluquices que vemos em Velozes & Furiosos, por exemplo – ah, como é bom ver carros reais correndo, sem pixels envolvidos – tecnicamente, o longa é muito bem feito, com fotografia apurada, em cores que remetem ao colorido do Technicolor dos filmes da época, dando uma sensação nostálgica, que nos relembra do clássico Grand Prix (1966), de John Frankenheimer. Existe ainda o ótimo uso dos efeitos sonoros, para fazer os motores e derrapadas dos carros soarem criveis, sem falar que a trilha-sonora de Marco Beltrami e Buck Sanders dá ritmo e precisão as cenas, com características que nos remetem as trilhas clássicas da hollywood dos anos 60.

Apesar de ter esses ótimos momentos nas cenas de corridas, o filme não é sobre corridas – como disse antes. O que mais cativa e torna as quase duas horas e meia de projeção bastante fluentes são as ótimas composições dos personagens – ajudado ainda mais pelo excelente elenco – Matt Damon, com seu Carroll Shelby, não deixa de mostrar como se sente incompleto por ter tido que interromper sua carreira de piloto devido aos seus problemas cardíacos – virando vendedor de peças de carro, ele vê o desafio de desenvolver o veiculo para a Ford como uma chance de estar próximo do que realmente gosta de fazer, o que dá de encontro com sua amizade com o Ken Miles de Christian Bale, que, sem dúvidas, surpreende mais uma vez – sua famosa forma de transformar seu corpo é vista aqui também – ele está bastante magro, ao contrario do que vimos em Vice – mas o seu físico é o de menos agora – o jeito desengonçado de se mexer e falar, sendo espalhafatoso e mau humorado várias vezes, é tão bem retratado que fiquei impressionado em ver como ele realmente está parecido com o Ken Miles real – confira alguns vídeos antigos no YouTube do piloto para constatar isso.

Miles e sua forma de enfrentar a vida é o que dá folego para o longa – ao mostra-lo como um homem comum, Mangold consegue nos convencer de que ele é um ser humano de verdade – que, infelizmente, mesmo que indiretamente, depende das decisões de grandes empresários, por trás das chefias de seus empregos – Miles sofre preconceito pelo seu próprio jeito de ser por parte dos executivos, preocupados com a aparência da companhia e isso fica visto quando Shelby precisa enfrentar a arrogância e vontades tolas do empresário da Ford, Leo Beebe, papel do Josh Lucas – único ponto onde o filme escorrega, por tentar coloca-lo como um tipo de vilão, muitas vezes sem necessidade. Já Tracy Letts faz uma participação curiosa vivendo o chefão Henry Ford II – sua composição reflete bem o modo como Ford parecia uma criança birrenta querendo rivalizar com a Ferrari – de um homem frio e convencido, sua persona chega a cair em um determinado momento, que surpreende por demonstrar a fraqueza de se sentir inferior ao legado que seu pai lhe deixou.

Mas Mangold acerta também em mostrar a família de Miles, apresentando sua esposa Mollie, na boa atuação de Caitrona Balfe, como uma mulher forte e decidida, que se comove em notar que o marido está ficando entristecido por não estar fazendo o que gosta – e seu apoio quando ele começa a correr é compreensível e verdadeiro – fazendo a atriz se sobressair de um papel que poderia soar erroneamente como “esposa que só fica ao lado” – isso é estendido para a forma como o filho do casal, o pequeno Peter, de Noah Jupe, é mostrado – seus momentos com Miles são agradáveis e revelam o lado mais suave do piloto – e, assim como em outros momentos do filme, trazem ótimos e espontâneos diálogos.

Permeando dramas verossímeis e alguns momentos divertidos na corrida para entregar o carro adequado, Ford Vs. Ferrari acaba sendo uma grata surpresa no cinema mainstream atual, tão enfraquecido por filmes de gênero medíocres e continuações desnecessárias de enormes franquias – que, como a Ford do filme (e da vida real) afeta muita gente que quer apenas alcançar seus sonhos e ter uma vida mais próxima o possível de ser feliz – exatamente como Shellby e Miles sempre tentaram.
Heloisa Daré
Heloisa Daré

1 crítica Seguir usuário

4,0
Enviada em 22 de novembro de 2019
Ótimo filme, fui sem expectativas e me surpreendeu. Empolgante, muita ação, com uma boa história e atores tão bons quanto.
Marcio N.
Marcio N.

2 seguidores 10 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 20 de novembro de 2019
Ford vs Ferrari, atende o público fã de carros e o público geral e agrada para ambos. Recomendo para toda a família, história boa e real, atores interpretam muito bem, cenas de ação ótimas. Tem horas que você parece estar jogando Forza do xbox e quando acaba o filme aprimeira coisa que você quer fazer é pegar o carro e dar uma arrancada até em casa. Nota 9,5
DUDU SILVA
DUDU SILVA

78 seguidores 335 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 18 de novembro de 2019
Filme muito bom, as cenas de corridas são muito bem feitas, mais eu achei o filme longo demais. O nome do filme é ford vs ferrari, mais quase não aparece a ferrari, e a disputa das duas empresas nas pistas achei fraco, faltou emoção na disputa
David Ygor
David Ygor

1 seguidor 1 crítica Seguir usuário

4,0
Enviada em 5 de novembro de 2019
Ford vs Ferrari

Sabemos que a Ford tem sua marca na história e foi a pioneira ao implantar uma linha de produção rápida e ágil, fato que reformulou a maioria das grandes plantas automobilísticas do mundo. O filme produzido pela 20th Century Fox é um sincero presente feito para fãs de velocidade. Para levar as marcas ao cinema, a Fox escolheu adicionar drama e inimizades às disputas, com pitadas de trapaça e rivalidade dentro e fora da Ford Motor Company, além de chamar os vencedores do Oscar Christian Bale (Melhor Ator Coadjuvante em 'O Vencedor' - 2010) e Matt Damon (Melhor Ator Coadjunvante em 'Invictus' - 2009) para protagonizar essa incrível história real da luta entre as duas montadoras em Le Mans de 1966. Se isto não torna o longa uma obra-prima, a opção do estúdio ao menos faz de Ford vs Ferrari um filme de carros recheado de referências e outras figuras do automobilismo para os tempos atuais. Um prato cheio para os amantes de automobilismo.

Furioso com os prejuízos que a Ford carregava por causa de suas fracas campanhas de marketing e por ter sido esnobado pela Ferrari ao tentar comprar a empresa que amargava a falência anos atrás, o então presidente da Ford à época, declara guerra à Ferrari e trava uma ambiciosa missão para retirar a coroa que a italiana ostentava e acumulava por anos seguidos no circuito de Le Mans.
Em entrevista à agência Reuter, Damon disse que "Os freios eram a parte mais fraca do carro na época",

Diferente de tudo que a Ford fazia, desde a mecânica ao design, nasce o projeto Mark II, numa época em que o Mustang era a o status de design da empresa, o GT40 parecia tudo, menos um Ford.

A trama não chega a ser profunda, mas há muito da paixão por automobilismo existentes da década de 1960. Numa época em que as corridas automobilísticas travavam verdadeiros combates dignos de gladiadores, sem assistências de direção, com motor demais e freio de menos. Muitos corredores já perderam a vida nesses circuitos, ora por erros mecânicos, ora por erro humano. A equipe da Ford comandada por Shelby tinha a incrível missão de construir a máquina perfeita para as 24 Horas de Le Mans em meros 3 meses e se aproveitando de várias brechas nos regulamentos das corridas, eles traçaram o caminho da vitória.

Essa abordagem torna o filme mais pessoal e faz com que o espectador se envolva com a trama, mais documental e emocionante. Em várias cenas, James Mangold (Diretor de Logan) coloca a câmera próxima aos carros e deixa a beleza das Ferraris e a ousadia dos Fords encherem a tela do cinema. Os ângulos escolhidos dão mais preferência a beleza das máquinas e as trocas de marchas seguido pelo rugir dos motors. Ford vs Ferrari ostenta carros e habilidades ao volante.

A atuação dos atores, quando focada, demonstra o melhor do filme. O entrosamento no elenco é dinâmico e fluído, desde aos atores principais quanto aos secundários, os diálogos são claros, objetivos e de fácil entendimento. O filme se torna cada vez mais envolvente conforme vai avançando, junto com os bonitos enquadramentos escolhidos.

Mas para a decepção dos fãs de automobilismo, o filme fala mais da Ford do que da Ferrari, deixando a italiana como coadjunvante e derramando toda a magia do roteiro na Ford, não fazendo muito sentido no título brasileiro, deixando a sensação de que veríamos o desespero que se passava nos escritórios da Ferrari conforme a Ford ia alcançando cada vez mais a perfeição. Por outro lado, Ford vs Ferrari mostra uma nova maneira de enxergar esse tipo de adaptação, misturando referências da indústria ao legado de Carrol Shelby na Le Mans. A tentativa é válida.

Trilha sonora não avaliada por motivos de surdez anacusia.
O filme foi assistido em pré estreia no dia 04 de novembro de 2019 a convite do AdoroCinema.

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Ficha Técnica
Título brasileiro: Ford vs Ferrari
Título original: Le Mans '66
Ano: 2019
País: EUA
Duração: 153 minutos
Classificação indicativa: 12 anos
Direção: James Mangold
Elenco: Matt Damon como Carroll Shelby, um designer e engenheiro automotivo estadunidense
Christian Bale como Ken Miles, veterano britânico da Segunda Guerra Mundial e motorista profissional de carros de corrida
Caitriona Balfe como Mollie Miles, esposa de Miles
Jon Bernthal como Lee Iacocca, vice-presidente da Ford
Tracy Letts como Henry Ford II, CEO da Ford
Josh Lucas como Leo Beebe
Noah Jupe como Peter Miles, filho de Miles
Remo Girone como Enzo Ferrari, fundador da empresa italiana de corridas de automóveis Scuderia Ferrari e da empresa de carros de luxo Ferrari
Ray McKinnon como Phil Remington
JJ Feild como Roy Lunn, um engenheiro da Ford envolvido no programa GT40
Gian Franco Tordi como Gianni Agnelli, presidente da montadora italiana FIAT
Jack McMullen como Charlie Agapiou
Benjamin Rigby como Bruce McLaren, um piloto profissional da Nova Zelândia e companheiro de equipe de Miles
Joe Williamson como Donald N. Frey, engenheiro-chefe da Ford
Alex Gurney como Dan Gurney, um piloto profissional e construtor de automóveis estadunidense
Corrado Invernizzi como Franco Gozzi
Orçamento: 97,6 milhões USD
Lançamento; - Brasil: 14 de novembro de 2019 - Estados Unidos: 15 de novembro de 2019
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