Enola Holmes, a irmã caçula do famoso detetive Sherlock Holmes é a intrépida protagonista da nova produção da Netflix que leva seu nome. Repleta de um frescor jovial, o filme é capaz de nos trazer uma versão revigorante das histórias fantásticas de deduções em um século mais antigo.
Diferentemente do genial e ficcional investigador britânico criado no século XIX pelo escritor Sir Arthur Conan Doyle, Enola é mais jovem na ficção e na realidade. A história que introduz a personagem adolescente à literatura foi publicada no ano de 2006 pela autora norte-americana Nancy Springer.
A juventude da personagem não desmerece de maneira alguma sua esperteza. Enola é treinada em diferentes estilos de luta, versada em várias literaturas, dona de um desejo espontâneo por investigações e por firmar sua própria e livre personalidade. Na história, Enola Holmes tem de escapar do controle rígido e da rispidez de seus irmãos mais velhos enquanto sai em busca de sua mãe que desapareceu misteriosamente.
Envolvendo-se em questões restritivas de classes sociais e sexismo, características da época em que a história se passa, mas infelizmente, também atualmente, a personagem é atraída para uma perigosa trama política e para um romance jovem e platônico.
Mesmo que seja uma produção mais voltada para o público teen, a obra agrada diversas idades com sua narrativa recheada de ação, exercícios mentais e divertidos que Enola pode realizar, sobressaindo-se até de seu famoso irmão mais velho, Sherlock Holmes, resolvendo um difícil caso antes dele.
Ainda que diminua um pouco de sua própria força inovadora com um romance juvenil construído muito rapidamente – literalmente, em uma única tarde, Enola já expõe repetidamente o quanto o interesse romântico cresce na cabeça dela - erro e acerto de muitas produções nesse mesmo estilo, o filme tem uma construção muito eficiente.
Ponto positivo para a obra temporal que trabalha nos pilares do autoconhecimento da jovem personagem e da descoberta do vasto mundo do qual ela sempre lia a respeito e se preparava para explorar, mas nunca se aventurara de verdade, embora que não sentisse nenhum medo durante esse aventura perigosa a qual ela é levada.
No roteiro, na ambientação das cenas e figurinos, e principalmente na ótima e enérgica atuação de Millie Bobby Brown que também produz a obra, o filme da Netflix baseado na obra da escritora Nancy Springer é uma trama realmente digna de histórias de detetives e com muito empoderamento feminino, ação, diversão e reflexões bastante atuais.