Existem duas palavras que marcam a difícil fase da adolescência: identidade e aceitação. O conflito entre estas duas vertentes determinam as nossas trajetórias enquanto jovens. Na medida em que estamos nos descobrindo como pessoas, vem a necessidade de aceitação por parte dos outros, daqueles que fazem parte da nossa rotina diária e o desejo de pertencimento.
Isso não é diferente com Kayla Day (Elsie Fisher), a protagonista de “Oitava Série”, filme escrito e dirigido por Bo Burnham. No decorrer da obra, iremos acompanhá-la nas semanas que antecedem a sua formatura do ensino fundamental, bem como a antecipação da transição dela para o ensino médio.
Chama a atenção em “Oitava Série” a maneira como Kayla nos é apresentada. Ela é uma menina tímida, vista como calada e quieta pelos outros, e demonstra um desconforto diante das mais diversas situações. Por outro lado, Kayla também é uma jovem que se mostra confiante em vídeos de seu canal no YouTube, onde oferece conselhos para outros adolescentes sobre como se abrir para o novo, sobre como não deixar o olhar dos outros definir quem você é e, principalmente, sobre como amadurecer sem perder a ternura.
“Oitava Série” é um filme de muitas qualidades. A principal delas está na forma sensível e empática com que Bo Burnham relata a história de Kayla (personagem com a qual, facilmente, iremos nos identificar). O mais interessante do longa, no entanto, é poder perceber e ver a transformação da personagem ocorrer diante dos nossos olhos. Mesmo diante do desejo de pertencer, Kayla não se esquece de quem ela é. O aprendizado aqui é dos mais simples: para sermos aceitos, precisamos, primeiramente, compreender a nós mesmos e aquilo que somos. Quando a gente se liberta desse medo de se descobrir - e de se aceitar, em consequência -, é a melhor coisa que pode acontecer a nós mesmos.