'The Report' (O Relatório), roteirizado, dirigido e produzido por Scott Z Burns, trata do agente Daniel Jones (Adam Driver, História de uma Casamento) que passa a investigar a pedido da senadora Dianne Feinstein (Annette Bening, Capitã Marvel) o fato de fitas com interrogatórios feitos pela CIA com presos muçulmanos que tinha alguma ligação com Osama Bin Laden diretamente ou não, usando de várias formas de tortura, como afogamento, privação de sono e outras mais. Essas medidas aprovadas pelo governo 'aparentemente' sem a aprovação do então Presidente Bush, foi gravada pelas pessoas envolvidas e como as técnicas não surtiam efeito, as fitas foram destruídas, e a investigação de Daniel começa no ano de 2007 e leva ao todo pouco mais de 5 anos sem ele ter a certeza de que todas as suas descobertas serão publicadas.
Baseado nos acontecimentos que se sucederam os ataques terroristas de 11 de setembro nos EUA, este escândalo veio á tona no meio da década de 2010, e tomou as páginas dos jornais e as notícias televisas americanas e do mundo todo.
Para não dar muitos detalhes do acontece durante o filme, para quem não sabe nada do que se passou naquele momento, digo apenas que Jones teve muitos percalços pelo caminho pois a CIA em nenhum momento queria ter sua imagem arranhada perante os olhos do governo e do público e principalmente aos olhos de outras inteligências aliadas e inimigas espalhadas pelo globo, dificultando o trabalho de Jones e o acuando cada vez mais quando ele estava próximo de jogar luz em tais eventos.
O diretor Scott Z Burns conseguiu fazer um excelente trabalho com o filme, pois conseguiu nos passar os fatos sendo que grande parte deles com mínimos detalhes para entendimento do todo e também com falas e sentenças que nos deixavam totalmente a par do que acontecia dentro de cada agência, senado, CIA e FBI.
O foco do diretor acaba ficando em Daniel, personagem principal dos eventos, porém, outros envolvidos poderiam ter tido uma resolução maior, pois estavam ligados diretamente ou com o escândalo cometido ou com a ciência do mesmo... como os personagens de Jon Hamn (Denis McDonough) que trabalhava na Casa Branca, poderia ter um pouco mais de destaque já que tinha contato direto com o Presidente, e o repórter do NY Times interpretado por Matthew Rhys (produtor de filmes) que também poderia ter um destaque mais acentuado pois teve ciência dos fatos quando estava em contato com Daniel quando ele estava se decidindo ou não se liberaria a história para a imprensa.
Tim Blake Nelson fez Raymond Nathan e estava tendo um grande destaque no começo do filme, mas logo depois que ele se encontrou com Daniel para falar de coisas que aconteciam nos interrogatórios com tortura, seu personagem foi perdendo espaço no filme, ou seja, neste ponto o roteiro de Scott Burns começou a deixar um pouco na irrelevância alguns personagens chave que complementariam os eventos da história.
Apesar de ser um filme que prende a atenção do espectador, trazendo luz aos fatos acontecidos naquela década de 2000 logo após aos atentados, Scott não conseguiu manter a boa premissa por muito tempo... quem tem facilidade em acompanhar as notícias do dia-a-dia, principalmente as políticas e tem facilidade e gosto para assistir séries e filmes americanos com foco na CIA, FBI e questões políticas vai ir mais longe com este filme, até o final sem se aborrecer... porém para quem não tem esta facilidade e tem um pouco de dificuldade com filmes onde a atenção aos fatos e falas deve ser altíssima irá cansar do filme em pouco tempo.
'O Relatório' vai bem até os seus 50 e poucos minutos onde tudo é minuciosamente bem explicado e estruturado pelo diretor Scott Burns, prendendo muito a a tenção do espectador, porém á partir daí, o filme muda o seu foco pois tudo que tinha para se falar do encobertamento das torturas e como elas eram feitas termina de ser apresentado. O filme então começa a focar na dificuldade que Daniel tem em lançar essas descobertas ao público, com a CIA fechando seu circulo, e então começa um jogo político e diplomático que dificulta e muito a atenção nos fatos que nos é apresentado... neste ponto, confesso que não tenho tanto conhecimento nas tratativas e cultura americanas com relação ao jogo de poder dentro das agências que envolvem advogados e líderes que não se fazem tão presentes assim no dia-a-dia das organizações. Por isso o meu foco em tentar juntar cada sentença que era dada pelos personagens ficou prejudicada, afinal meu entendimento para assuntos tão detalhísticos envolvendo as várias camadas do governo americano tem um limite, uma vez que não cresci como cidadão norte-americano... portanto o filme se tornou bem cansativo de se acompanhar até o final. Para as pessoas que tem mais conhecimento e facilidade o filme irá entregar o que propõe e dificilmente a pessoa se cansará.
Adam Driver está muito bem no papel, mostra muita veracidade nas cenas onde seu personagem se exalta e não aceita certas decisões que farão o seu trabalho não ser reconhecido ou algum envolvido não ser penalizado. Adam está se tornando um grande ator, onde se dá perfeitamente bem nos papéis principais, como foi este ano e que já tinha mostrado ano passado em filmes como 'Infiltrado na Klan' onde ele era um Coadjuvante com destaque.
Annette Benning foi indicada ao Globo de Ouro por Atriz Coadjuvante, e sua atuação é muito convincente dando a personalidade necessitada que sua personagem pede... obviamente que Annette, experiente atriz que ela é, iria entregar algo não menos excepcional como foi, porém, em minha mais modesta opinião, sua atuação além de ser competente, não proporciona uma indicação, pode ser válida, mas com as outras que estão concorrendo com ela acredito que Kathy Bates e a Jennifer Lopez têm mais chances.
Outros atores no elenco aparecem esporadicamente, e fizeram um trabalho mais secundário, como Jon Hamn (O Caso de Richard Jewell), Tim Blake Nelson, Sarah Goldberg, Ben Mckenzie (Gotham) e Michael C. Hall (Dexter) que também começou com bom destaque e sumiu do filme depois de certos acontecimentos.
O filme tem uma direção de arte bem competente, assim como os figurinos remetem bem cada agência, sendo que a iluminação do filme também está bem presente. A montagem também ficou muito competente, não há nada na edição do filme a se reclamar, pois foi muito bem editado para que cada cena tivesse sua conclusão satisfatória com o que o personagem passava ou exigia.
'O Relatório' é um bom filme para termos uma dimensão das coisas horrendas que o governo norte americano realizou em suas sessões de interrogatório com os prisioneiros logo depois dos atentado ao World Trade Center, independente de serem pessoas com ligações terroristas ou não... vai cansar alguns espectadores que preferem algo mais comum, e vai encher os olhos de espectadores que têm uma total dimensão de como funciona a máquina norte-americana da política.
03/01/20